Postagens

Mostrando postagens de junho, 2018

Teatro Olímpico de Vicenza, Itália

Imagem
 Fotos de abril de 2018 Nota: visitamos este belo teatro em uma tarde muito fria com  chuviscos finos e vento invernal. Do lado de dentro, alguns jovens alunos escutavam a fala de um professor de teatro italiano, que silenciou sua oratória tão logo entramos.  Os ruídos dos degraus de madeira não se harmonizaram com a nossa respiração ofegante.  Permanecemos próximos a um japonês, que era o outro único visitante, nesta tarde gelada no impressionante teatro que nos abre um céu de nuvens acima de todas as outras surpresas.

E.U.A. : nossos "não" irmãos?

Os graves incidentes ocorridos com a política americana nos escandalizam no dia a dia. Atitudes nada humanitárias têm sido tomadas neste novo Governo Americano. No entanto, nunca esperamos constatar o que estamos vendo acontecer com as crianças latino-americanas e mexicanas; o que estamos vendo ser noticiado agora. Quantas crianças estarão envolvidas nestes atos bárbaros, que separaram mães e filhos tão pequenos, em nome de uma política ridícula e que tem chocado o mundo inteiro? Estamos longe de resolver a questão humana da liberdade de ir e vir, que foi sonhadamente apresentada ao mundo há tantas décadas. Agora, o que vemos é o mundo financeiro ditando as regras da Democracia. Não fosse a minha experiência com a clínica psicanalítica, atendendo e ouvindo crianças e pais durante muitas décadas, eu não ousaria dizer uma palavra sequer sobre estes fatos tão terríveis. Mas, minha prática me autoriza a escrever, desta vez, com a clínica me dando a direção.  Sabemos por estudos...

O que os jogos desta Copa nos ensinam

Muito mais que o previsto, os jogos da Copa do Mundo de Futebol na Rússia apresentam uma multiplicidade de comportamentos novos que saboreamos aos poucos. No Brasil, aprendemos a ouvir a transmissão de jogos e comentários feitos por mulheres que, de forma distinta dos homens, nos fazem sorrir pelas delicadezas. Eu diria até que festejamos os sotaques nordestinos! Nos estádios, os senegaleses assim como os japoneses dão um show de cidadania ajudando a limpar os detritos deixados pelas suas torcidas. Nossos jogadores apresentam uma calma e uma harmonia rara, e, comparecem, ao mesmo tempo, com a emoção à flor da pele. Lindo de ver! Não fossem os machista brasileiros de plantão que envergonharam a nossa Nação, teríamos muito mais a festejar hoje! O mundo mudou e assim também os comportamentos humanos devem vibrar e aproveitar de todas as sutilezas ao longo desta Copa na Rússia. Rio de Janeiro, 22 de junho de 2018.

Reflexões e leituras em Susan Sontag

No fio do discurso de Susan Sontag, restabelecendo a linhagem da questão "Porquê a Guerra?" no livro Olhando o Sofrimento dos Outros/   Regarding the Pain of Others na pergunta que também foi feita a Freud e a Einstein em 1932, depois da primeira Guerra Mundial e antes da Segunda, estão colocados os paradigmas que passaram a circular entre nós. Susan Sontag os recupera para pensar as muitas guerras, todas as que vieram depois, as pequenas e as múltiplas que nos causam horror sempre, mas um horror que não parece ser suficiente para encerrar a questão. Virgínia Woolf se perguntou na época "como podemos nós evitar a guerra?" e desdobrou seu pensamento no livro Os Três Guinéus, sempre pertinente, sobretudo se partimos do "nós" onde estamos implicados. Afinal, continuamos a assistir nas telas dos noticiários às imagens que nos causam sofrimentos e seguimos fazendo nossas tarefas diárias distanciados dos horrores transmitidos.  Na época de Woolf, as foto...

Mantova e San Benedetto

Chegar em Mantova e, com o coração batendo forte seguir, logo em seguida, para San Benedetto Po. A via de acesso nos apresentava um trajeto ao longo do rio Pó, e algumas pequenas pontes com semáforos determinavam a baixa velocidade exigida. Meus olhos não declinaram de olhar tudo ao redor. Desde árvores descabeladas pelo inverno rigoroso que findava até o tom meio dourado da terra nas plantações entre os pontos verdes.   No sábado, a cidade vazia de pedestres se preparava para mais uma Páscoa, que já acontecia entre os familiares dentro de suas casas ou nos restaurantes. Fomos direto ao Cemitério e entramos em um espaço cuidado e limpo, com uma harmonia reconhecida e,imediatamente, vislumbrei um senhor italiano de bicicleta que me pareceu ser o homem que cuidava das almas por ali. Poucas palavras foram ditas por mim: um sobrenome, e, ele me apontou a direção a seguir falando quase um dialeto inteiramente desconhecido. Sorri silenciosamente e agradeci, pois milagrosamen...

Um poema inédito, mais uma vez

CADERNO, Deslizam em minhas mãos as linhas desta manhã. Sou e não sou uma rosa. A luz ofusca. Recupero nas linhas verdes do caderno – entre o branco dos intervalos – a caligrafia da cidade. Letras informes. Alinhavo vogais. Alimento o direito de vagar nos pensamentos. O ar penetra nas narinas e sopra um tule de vento: asas de um monólogo. Folhas ainda úmidas escondem os lábios entreabertos do dia. A mão recebe o ritmo. A letra abre e fecha a respiração.

Livros, bons amigos

Comprei, ontem, em um sebo de Ipanema dois livros. De maneira irresistível brilhavam na vitrine da loja.  Olhando o Sofrimento dos Outros de Susan Sontag, editado em Portugal pela Quetzal, já está esgotado. E, Henry James de On Provence da editora inglesa Herperus, com 80 páginas, quase parece um livro de bolso . Desde então, ambos caminham comigo pela casa. Espero conseguir deixá-los em algum lugar especial, em breve. Impressionante o efeito de um bom livro em nossas vidas.  Deixo aqui nesta nota o meu agradecimento aos poucos e bons sebos que ainda nos rodeiam!

Cadernos, 2018

Imagem
                                         

Grafar a luz : fotografar

Imagem
                                                                                      Fotos feitas no final do inverno de 2018, na Cidade Universitária de Paris por José Eduardo Barros

Por que nos lamentamos tanto?

O lamento é um tipo de choro sem lágrimas. Circula em toda parte.  Muito antes de Freud se interessar em pesquisar e analisar as histerias de seu tempo, no século XIX, já circulavam as mulheres que se lamentavam. Porém, os homens de nossa época também se lamentam. Hoje, com o desmonte diário das políticas que visam o bem estar de seu povo, pois o interesse é principalmente voltado para o lucro, assistimos a um cenário de lamentações. Difícil mesmo é fazer uma análise mais duradoura, que possa nos ajudar a mudar roteiros. Não os roteiros de viagens ou de programas e divertimentos banais que só adiam os nossos problemas, embora nos deem, e por algum tempo, um sopro de descanso das constantes e cansativas notícias e decisões que nos encobrem de lamentos. Repito não mais em verso: quero de volta as estações do ano, e muito mais que isto quero de volta os dias de alegrias genuínas, pois éramos felizes e sabíamos, como costumava dizer meu pai, em décadas passadas.  A popul...