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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

À noite

 Abro as janelas da casa E relembro outros carnavais .... Silêncio  ...

Rio de Janeiro, 28.02.2022

 Amigos, O mundo todo se manifesta contra esta guerra insana. Estamos unidos com a Ucrânia.  Hoje, no bairro do Leblon, em frente ao Consulado russo os ucranianos com suas bandeiras azuis e amarelas faziam seus protestos. Stop War! Parem esta guerra! * Mas o Carnaval acontece na cidade convocando os foliões para festas fechadas em grandes casas de festas, que recebem os Blocos que não circulam nas ruas. A prefeitura deve saber, não acham?! E o presidente de nosso país, sem querer saber de nada, anda de jet-ski na orla de praias de SP.  Tudo fora das normas de lucidez e respeito aos homens e aos princípios humanitários.  * E... o mundo conturbado se move.  Só não sabemos para onde. E, vocês sabiam que os negros não estão sendo recebidos nas fronteiras da Polônia? Inacreditável.  Um país de extrema - direita e racista! Será verdade? É preciso entrevistar os nossos jogadores que estavam ou estão por lá.  Estamos vendo de tudo nesta guerra!!! Confirma-se o...

Hoje é domingo:

 É triste a situação na Ucrânia.  Repito: Delitto e castigo Fortes explosões acontecem agora em Kiev. Assisto a TV italiana hoje pela manhã.  Jornalistas transmitem ao vivo, e contam que na segunda maior cidade da Ucrânia a luta é nas ruas. Lutam em cada pedaço da cidade. Alguns prédios foram destruídos.  Já se fala que 360 mil pessoas deixaram o país. * O Papa Francisco pediu orações! "Quem faz a guerra esquece a humanidade", nos disse em Roma. O presidente italiano Sergio Mattarella participou da missa pela paz realizada em Firenze. * Hoje, é o quarto dia desta guerra insana. Todos perdemos. Um drama coletivo.  Sinto falta de uma voz que traga a paz. Estamos todos atingidos, e com o coração sofrido. As imagens transmitidas direto dos celulares nos colocam mais perto dos habitantes ucranianos. Mas, esta guerra se faz também pela informática.  Estamos contra Putin! Mas, não podemos escutar Biden que já anuncia a Terceira Guerra Mundial. Não será possível fa...

Nota de perplexidade

 Ainda não entendi muito bem o que os EUA ganham com esta guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Vou precisar ouvir Noan Chomsky outras vezes para conseguir ligar os pontilhados desta história.  Mas já consigo confirmar o que ouvi em um debate na França.  A Ucrânia é,  de fato, "o coração da Europa ", pois é por lá que circula a energia, ou melhor, o gás que abastece vários países europeus. No entanto, minha perplexidade corre entre a crueldade deste ataque russo e as palavras do presidente ucraniano. Dizer aos homens de seu país pra pegar em armas e defender o território ucraniano diante do poderio russo... só sendo mesmo muito ingênuo.  * A Polônia declara que já recebeu 115 mil ucranianos. A embaixadora do Brasil na Romênia é muito solícita e delicada. Merece nossos agradecimentos! Há filas enormes na fronteira. Mulheres e crianças atravessam até mesmo sem documentos pelas fronteiras da Eslováquia.  Rostos jovens de mulheres em lágrimas  No colo ou segu...

Rio de Janeiro, 26.02.2022

 Diário, Diante deste caos que a guerra insana levanta aos diversos povos do mundo, só podemos constatar como é  feita a política nestes dias de tantas divergências.  Escrevo poemas.  Diante das fronteiras Homens armados se levantam São jovens comandados por seus exércitos  Colunas de metralhadoras e tanques Aviões e bombardeios que clareiam o horizonte Para quê serve a guerra? As grandes nações se reduzem aos olhos do  mundo. Todos temem tudo. A poeira das bombas nas botas ou os mísseis  cegos tomam a mesma dimensão quando os dias  e as noites se confundem. * Daqui desta mesa larga Minhas mãos fabricam linhas  Meu corpo está em uma fronteira  Diário, Sim, somos água e alimento aos sedentos Somos um solo ainda virgem de pontuações  E as palavras costuradas na paz Podem abrir muitos olhos e caminhos Sim,  o horizonte é largo O céu longe das sirenes sopra outras vozes * As mãos somadas, simplesmente  *

Poesia na guerra

 Ainda que o mundo se desmonte em tiros de canhão  Ainda que o chão abra feridas na terra Homens e mulheres ainda assim poderão se amar de pé 

Rio de Janeiro, 25.02.2022

 Diário, O mundo gira em torno desta guerra insana que só começou. Podemos ver a loucura do presidente russo muito claramente diante de todos nós.   Como é possível um presidente tão adoecido estar a frente de uma nação com capacidade nuclear para destruir o mundo? Como é possível que os líderes de tantas potências não tenham conseguido conter um homem louco tão destrutivo? Nunca a guerra. Já sabemos o significado da destruição sem medida há tempos. Também sabemos o que essa guerra causará a muitos povos no mundo. Por aqui, recolhida,  reconheço que sou tão impotente. Mas um poema ainda pode dizer muito. A longa fronteira   Que já foi coberta de paz E de um azul luminoso Vive respingada de medo Mulheres saem de seus lares Levando uma mala na mão ou nada Caminham no frio ou se escondem Nos túneis do metrô em meio às malas Quase ninguém fala nada As palavras desapareceram Ruídos de bombas e sirenes sopram  O medo não se desfaz fácil  Lágrimas surgir...

Início de noite

 Amigos, Nunca imaginei escrever um Diário que fosse atingido por uma guerra.  Estou em outro continente, mas meu coração está perto das mulheres e de todos que sofrem nesta guerra que nos deixa estarrecidos. A Polônia já está recebendo em suas fronteiras milhares de ucranianos que fogem da guerra causada pela Rússia. Escutei, agora, pela TV de Portugal que, enquanto em Varsóvia alguns escutavam um concerto de Paganini, as fronteiras do país recebiam aqueles que fugiam da guerra. Em geral jovens sofridos e estarrecidos. E crianças de colo que quase nada entendem deste momento. *

Rio de Janeiro, 24.02.2022

 A Rússia invadiu a Ucrânia  Ontem à noite, tive certeza que a Rússia invadiria seus irmãos de fronteira naquela noite de 23 de fevereiro.  Ontem, foi o dia Nacional de Defesa na Rússia; dia do defensor da Pátria. E vi imagens tristes das fronteiras da Ucrânia com mulheres idosas ou mais jovens com crianças atravessando para o outro lado buscando salvar suas vidas. A ofensiva russa é enorme e os ataques aéreos acontecem por todo o país ao mesmo tempo. Kiev também está sob efeito das sirenes que tocam... "Onde vou me esconder?" gritava uma mulher na rua. Muitos habitantes em Kiev estão nas ruas às 6hs da manhã buscando deixar o país.  Kilômetros de engarrafamentos...Os carros das famílias, o metrô lotado de famílias buscando se proteger... Um horror total! Relato o que vejo no noticiário da TV francesa. E o que vi em uma entrevista na TV espanhola, agora cedo. * Meus caros, Ouvi, agora, a declaração de Putin quando iniciou a Guerra (imagens transmitidas pela tv5). Est...

Crônica do dia, 23.02.2022

 O mundo agora mais dividido                                                E para onde foram os 'ruídos inocentes do campo'? Ontem, terminei o dia com dor de cabeça.  Assisti diversos noticiários internacionais à noite. E pude ouvir nesta crônica noturna as questões tensas que nos atravessam neste momento do ano de 2022. Escrevo: 1. Enquanto a guerra dos russos com os ucranianos se desenha armada no horizonte, os EUA e parte da Europa se movem com sanções diplomáticas à Rússia. Entendi que entre os mais punidos estão alguns bilionários russos; as oligarquias, as famílias que ajudam a sustentar a posição de seu líder político: Putin. Mundo bem estranho o nosso porque tanto a Holanda quanto a Alemanha, a França e outras nações européias também serão punidas, digo: com o "risco" da falta de gás para seus povos. Depois de uma obra bilionária e com custos altíssi...

Diário, 22.02.2022

 Duas perguntas sobre este momento: Onde os governantes europeus vão conseguir acomodar os imigrantes que desejem fugir desta guerra? E a sede de destruição é maior que a vontade política de perseverar e proteger os povos e a vida de todos nós? Ainda que eu me espante e me horrorize com este momento que pode vir a causar a morte e, também, sofrimentos incomensuráveis a muitos de nós, não me cansarei de dizer que a insanidade tomou conta das nações mais ricas do nosso planeta que só pensam em como conseguir ter mais e mais poder.   

À noite

 Diário: E vamos dormir aguardando os próximos capítulos desta guerra insana. Desta guerra entre RÚSSIA E UCRÂNIA,  ou seja, à maneira de Virgínia Woolf, que ia dormir sem saber se haveria bombardeio durante a noite, nas noites de lua durante a Segunda Guerra Mundial na Inglaterra.  Estamos do outro lado do mundo, mas as mulheres russas e ucranianas estão lado a lado em uma fronteira que já foi irmã.  * Estaremos diante, mais uma vez, do ódio no coração dos homens? * E os ruídos dos bombardeios ? Onde eles irão se instalar?

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2022

 Como se Como se o mundo estivesse brincando de ameaças  Como se os homens fossem soldadinhos de chumbo Como se os rostos fossem máscaras de cera Como se os blefes fossem permitidos E as mentiras fizessem parte do jogo político  Como se a morte pudesse ser adiada transfigurada e invertida Como se as crianças tivessem uma outra vez a infância  E os soldados pudessem voltar pra casa depois de uma guerra cruel e... Esquecer tudo que viveram em nome de quê? * Depois de um longo tempo de covid Que ainda não nos deixou Vivemos mais dias de apreensões e medo Diante da guerra que nos ameaça  Soldados russos nas fronteiras  E um homem nos EUA  Que parece também gostar de fazer a guerra Interesses financeiros Atravessam o nosso tempo O gás? Ou o medo? Somos as sombras que crescem sombrias

Portas e janelas

 Olhos míopes embaçam traços  Envolvem as cores verdes azuis amarelas São janelas que passam Enquanto do lado de fora das portas As pontas abertas do mundo traduzem Ângulos do tempo 

Diário

 Escrevo: Lareiras O fogo farto  Fogo ligeiro O corpo lento Adormecido Lareiras amplas Pedra e cinzas Calor e luz  

Rio de Janeiro, 19.02.2022

 Petrópolis  2. Recupero os dias de outras décadas. O ar puro da serra. O verde da floresta. A beleza do Clube Quitandinha. As festas de casamento. Os shows de música popular.  Sem nostalgia e com alegria recupero a vida de todos nós: Os passeios de bicicleta.  As jaboticabeiras.  A dama da noite florida. Os antiquários e as casas arquitetadas com arte: colunas janelas jardins. Varandas bordadas. As nuvens de chuva rala. O frio. O nevoeiro. Invernos. Telhados diversos. E o descaso de agora:  A falta de ética que nos envolve e enrola.

À noite:

 Diário Amigos, comunico que faleceu no dia 16 de fevereiro o grande poeta francês Michel Deguy. Partiu aos 91 anos e nos deixou uma imensa obra.  Um homem de alta estatura e um vozeirão. Convivemos com ele em 2005, durante os seminários de Paul Celan  no Colégio Internacional de Filosofia. Obrigada Deguy! *

Rio de Janeiro, 18.02.2022

Petrópolis   Desmorona a cidade Imperial. Desmoronam casas simples fixadas no barro das encostas. Casas plantadas à beira do abismo? Nuvens, chuvas, sirenes, trovões. Partem crianças e idosos. Partem árvores e sonhos vivos. Desmorona a cidade de Pedro; a cidade de Dom Pedro. Plantada sobre as costas de nossa história Imperial. Eu já vivi por lá. Na década de noventa. Gostava de passar férias entre crianças alegres. Sonhei o sonho dos museus. Andei de pantufas várias vezes. Na infância, corri entre meus irmãos nos corredores de Petrópolis. E no início da vida adulta vaguei, novamente, por lá: praças, queijarias, igrejas. Década de oitenta. Mil malharias. Casas e sonhos plantados bem perto do céu.     Rio de Janeiro, 18.02.2022      

Final de tarde

 Quando o outono chegar Não me cansarei de contar as janelas dos vizinhos. Daqui são mais de 70 rostos. Quando o outono chegar e o vento saltitar entre paredes e vidros, não me cansarei de recolher as folhas mornas caídas no chão; as que atravessam o vento das estações; aquelas amarelas da chuva ou rosadas do sol da tarde. Quando meus pés desejarem outros sapatos até mesmo dentro das paredes da casa. Guardados dias ainda a desfrutar. Quando o outono chegar em minhas mãos. 

Diário, 17.02.2022

 Corredores do mundo Os passos curtos muito curtos Ou os passos ligeiros No corredor da casa de mais de sete portas Sempre abertas às manhãs  Do lado de fora cidades do mundo  E confusões e palavras em profusão  Nos espaços amplos amplificados frígidos Na neve e no vento Os homens armados de botas e bombas Não sorriem mais Sem tempo e expostos aos desejos de outros Os jovens suados soldados Lutam e lamentam  Mas qual será o dia seguinte? Qual é o dia de amanhã? Quando estes jovens voltarão a sorrir?

Diário, 15.02.2022

 Amigos, Com uma alegria verdadeira compartilho a notícia da publicação de meu livro Gradiva verão, Lumme editor, na revista eletrônica francesa Terre à ciel. São quatro mulheres que, agora, estão à frente desta belíssima revista criada em 2005.  Estaremos na sessão Voix du monde, com o convite feito por Cécile Guivarch, a quem agradeço e abraço.  Sempre pelas mãos de Márcia Rambourg, a brasileira, poeta e tradutora de meus poemas e diário. 

Gradiva: verão na revista Terre à ciel

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                    https://www.terreaciel.net/Solange-REBUZZI-Traduction-du-bresilien-par-Marcia-Marques-Rambourg#.Yguf4FNv80E

Atenção :

 Meus caros, O presidente de nosso país abre sua loucura ao mundo. Ao decidir visitar um país que ameaça invadir a Ucrânia com tanques e armas espalhados para todos os lados, assistimos o gesto insano deste senhor que diz, nesta hora, estar interessado em comprar agrotóxicos nomeando-os fertilizantes. Entretanto, e, ao mesmo tempo, desconhece a hora do mundo como sendo de preocupações e negociações de paz. Quem escolheu este presidente e ainda o apoia carregará parte da responsabilidade diante de tantos infortúnios.  É tudo grave!

Rio de Janeiro, 13.04.2022

 Nunca a Guerra "Palavras para quê! Falam mais alto os seus poemas." A voz de Anna Akhmátova me alcança  De forma grave  O som rouco desliza neste domingo Guardamos na memória o horror da guerra O sentimento de terror  Entre nós circulam tanques e armas no meio da  neve  No meio das sombras Da Ucrânia em fronteiras tão distintas Lendas tristes nada suaves estão nos caminhos Estamos assustados  Onde estamos? Quem poderá censurar o nosso tempo? Tenho medo Dos homens de nosso tempo Tenho medo * Jovens armados no peso de nossa era Deslizam tanques num frio inumano  É uma região super gelada onde se aprende a    luta  E onde os ritmos se levantam E pais e irmãos amados de braços amarrados de longe observam ignorados Não conseguimos impedir tais ações? Para estes jovens soldados tudo já começou  (Caminho mais lento Minhas sandálias deixo quietas No ritmo das sílabas inacabadas)

Diário:

 Enquanto os presidentes dos E.U.A e Rússia decidem se vão acelerar ou freiar a guerra que se desenha em nossos horizontes, o prêmio Goya corre lindo pelas cenas de TV espanhola direto de Valência.  Viva o cinema! Nunca a Guerra!  * E me emociono ao ver o diretor Almodóvar concorrendo mais uma vez aos 72 anos. E Cate Blanchett recebendo o Prêmio Goya Internacional como personalidade que contribui com o cinema como arte.

Rio de Janeiro, 12.02.2022

A bonita revista eletrônica francesa de literatura, arte e ideias: La Revue des Ressources publica mais um fragmento de meu Diário on line com tradução de Márcia Rambourg.  https://www.larevuedesressources.org/_marcia-marques-rambourg-traductrice,2921_.html

Rio de Janeiro, 11.02.2022

 Portas da casa   A casa escurece na tarde. Sombras surgem atrás de portas entreabertas. Mas o sonho nasce lento. Cortinas brancas guardam algo da claridade. O jardim reverbera em gotas. Chove fino. De dentro dos armários nascem cores e vazios. Em meus ombros doloridos os vestidos escorrem. Gemem mistérios. De pé habito alguns espelhos.  Assim como o verde penetra densos espaços. Portas de madeira nos rodeiam.  

Homenagem a Tamara Kamenszain

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  Tamara e Paula no Rio Relato que: Lindos dias de passeios, encontros e conversas foram vividos nestas férias Em 2014? Creio que sim. Estivemos juntas no Café da Colombo, no Forte de Copacabana. Sentamos do  lado de fora em baixo de um grande ombrelone . Falamos sobre os últimos livros. Levei Gradiva   comigo.   Fiz belas fotos nesta tarde quente e iluminada. Caminhamos pelo calçadão depois. Final de tarde. Fotografei e fotografei com minha máquina pequenina; a que resolvera levar na bolsa na última  hora. Ao menos uns 10 cliques fiz em momentos distintos neste encontro. Risonhas conversas quando nos vimos pela última vez. ...                   

Diário, 9.02.2022

 Árvores abertas Dobrando os braços ou abrindo-os suavemente Alcanço flores novas que brotam perto da janela Um lírio da paz Botões de romã E pequeninas flores brancas bem no alto Dependuradas Exílio ou fuga da pátria? Às vezes, em fantasia vejo sobre o chão  A fuga suave Furiosa, destilo linhas De línguas em vertigem Contra tudo que acomoda Um tempo bizarro demais A porta e o chão necessários Árvores em torno No silêncio                                 Para António Ramos Rosa 

No final da tarde

 Os pés Corri e pulei obstáculos. Meus pés desenharam  nas areias. Pulei "amarelinha" bem perto do mar. Soletrei sílabas abertas. Sonhei vogais. Deslizei espaços lentos durante manhãs febris até chegar perto das notas finais. Interrompida, caminho sem pausa pela sala.  O espaço longo da tarde corre. Não há mais a fumaça do cigarro. Sombras permanecem. Meu vestido é branco. Sobre a mesa da cozinha duas peras conversam.

Poesia:

Flashes                                                            para Herberto Helder A mão Ás vezes a mão dita o desejo e um pouco desamparada participa do jogo. A boca Retiro a máscara rapidamente. Os lábios cor de púrpura como uma maça sobressaem. Mal falo e mal respiro. Observo com a boca e com o coração no centro de tudo.

Diário fotográfico

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 Em casa Fotografei pela manhã cores, formas, e novas arrumações. Objetos, plantas e livros me rodeiam...

Rio de Janeiro, 6.02.2022

 Espumas do mar Na praia distante da lei ondas e espumas ciscam areias Conchas desaparecem Pedras tristes choram Entre os pés nus  de mulheres e crianças  geme o verão  De barco e bem longe o mar azul profundo  E homens se deitam no fundo dos oceanos O vento dentro de velas longas em um veleiro zarpa O idoso a bordo no horizonte sorri: riscos do mar atraem Imenso barco separado do continente Voa em curvas altas e espumas Um poema vibra Página branca (Até que um dia eu me separe das palavras )

Poesia

 Flor de um instante E as vozes e as areias  desaparecem rápido.  Um Diário pede linhas de geografias ligeiras. Sim, eu vou falar com os olhos do mundo. Com o rosto enlouquecido de dor. Sim,  depois que encontraram os traços de homens assassinos. (Até a praia perde a cor). Depois de Silvina Ocampo e Tamara Kamenszain. Depois de tudo que  parecia ser tão definitivo. Olhares imóveis.  Sorrisos meigos. Cafés e gestos.

Continuando a viagem

 3. Chegávamos em Campos envolvidos por plantações de cana de açúcar.  Era estranho e era doce o perfume da estrada. A temperatura subia. O calor fervia transparente. No posto da entrada da cidade lavávamos as mãos e os rostos cheios de pó. O suco de laranja descia leve desde os primeiros longos goles. Espessos goles. A partir daí,  eu aguardava o início do Estado do Esp. Santo como se fosse um presente que chegaria logo. Surgia a Divisa com a fila de caminhões, e nossa viagem continuava rápida.  Pequenos lugarejos encantados coloridos de casinhas e igrejas se aproximavam nas curvas feitas no espaço à nossa frente. Às vezes,  atrás de igrejas brancas e azuis, pequeninas cruzes deixavam à mostra o cemitério das almas do lugar. Eu não rezava. Pensava naquelas vidas que  descansavam ali na beira da estrada. Acaso ouviam o som das rodas dos automóveis? Ouviam o riso das crianças? Ou as buzinas dos caminhões que nos cumprimentavam? Somos tão sós nas viagens long...

Rio de Janeiro

 Vidas de Imigrantes importam! Vidas negras importam! Vidas de Imigrantes negros importam!

Diário fotográfico

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 Hoje é sábado  Fotos do passeio de hoje. 

Diário, 4.02.2022

A memória me segue sem perguntas por mais que eu me esqueça, lembro Correm os dias, as marés e o vento... * A pergunta desta noite: O Rio de Janeiro é uma cidade sem lei? ** Ainda Obrigada Egberto Gismonti pela sua música e pelas palavras, hoje, no Arte1 ao vivo. 

Diário, 2.02.2022

 Vidas negras importam!!! *

Capítulos de uma viagem

 (...)                                                                        Para meu pai 2. Sim, depois, as cidades surgiam. As cidades corriam pela janela do carro na década de sessenta.  Niterói. Araruama. Iguaba grande e Iguabinha. Barra de São João... e tantas e tão distintas até chegarmos em Macaé e Campos mais à frente. Em Niterói abastecíamos o tanque de gasolina, e, só em Campos, quase na divisa com o Estado do Esp. Santo outra vez era preciso abastecer. Sempre nos postos conhecidos e mais respeitados. A memória fica quase branca com as salinas que chegam, rapidamente, pela janela aberta do carro que ainda não tinha ar-condicionado. Naquele tempo, nas primeiras viagens a poeira da estrada era parceira. Entrava por todas as frestas. Mas, as salinas de Araruama, as fazendas de sal eram ...

Diário, 1 de fevereiro de 2022

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