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Mostrando postagens de novembro, 2017

Escrevo

Momento intenso e raro. Mais um dia de ficção. A chuva desce em gotas claras. Miúdas e delicadas elas se mostram banhando o vidro da janela. Escrevo. Não pretendo ler os jornais do dia. Não há o que ler. Prefiro reler as obras que me são caras. Receita: Sair pouco. Trabalhar. Ler versos em voz alta. Escrever mais. Gastar as horas livres cozinhando.  Temperar o humor com sabores novos. Descortinar os gestos lentos. Habitar um olhar mais crítico.  Aceitar as diferenças. Rio, 22 de novembro de 2017

Para onde caminha o poeta? (4)

4. Uma. Uma dezena. Quantas? A cidade obscura não reage. As plantas e as flores fluem em lamentos. Ao longo do caminho indiferentes os pequeninos micos dependurados surgem. Plantam-se nos fios de arame da rua. Os poetas sussurram em solilóquio. Soam palavras a decifrar, todavia. Helicópteros atordoam as manhãs. Os dedos ágeis respiram o tato.   O Tempo não diz o depois de amanhã. Acordem, poetas do mundo! Gemem os versos magros deste triste canto. O ano se esvai entre sustos e soluços. Até as brincadeiras se apagam. O poeta ao acaso escreve. Escuta. Lábios semifechados soletram preces. Um som desconhecido. Uma voz rouca se difunde. Rio, 21 e 22 de novembro de 2017.

Para onde caminha o poeta? (3)

3. As estrelas ainda brilham?  O poeta claustrofóbico entre quatro paredes. Não pensa. Sente no corpo a dor da cidade. Em silêncio padece. O poeta não está surdo.  Suas mãos permanecem alinhadas às teclas negras. Com as extremidades trabalha a linguagem. Ruídos nada brandos invadem o espaço em branco. Batidas roucas e loucas de obras estranhas. Bizarro o mundo anda de qualquer jeito. De lado ou para trás a humanidade desliza. Os oceanos afundam corpos e línguas. O céu a tudo assiste. A memória curta dos homens não se compadece. Poetas do mundo gritem!  Vamos invadir as ruas de vocábulos e de versos. Não desistir nunca. Nossa Terra nossa Alma. A música e a poesia correm dentro do corpo. A humanidade somos todos nós. As árvores assim como nós precisam respirar. Rio de Janeiro, 21 e 22 de novembro de 2017.

Para onde caminha o poeta? (2)

2. A solidão dos tempos. Uma breve presença da memória. Nas mãos só teclas negras alcançam o espaço. Um rio sujo e sem direção atravessa nossos caminhos. Quase totalmente vazias as ruas padecem. Falam de um novo momento que se anuncia tímido. Ao poeta é dada a constatação do escuro assim como o fio do novo. Ainda e sempre é preciso dizer as horas e as manhãs. Se um pedinte esticar as mãos não esqueça de abençoá-lo. Traduz-se o descaso com muitas nuances. Traduz-se a fome em camadas. Finas e fundas. Não se traduz a corrupção. Ela amarga na boca seca. No horizonte o riso de poucos. Minguados. Caminha o poeta claustrofóbico. Caminha lento. Trôpego. Procura o verde das árvores. Suas letras mancas quase se perdem. Pedras da cidade. Clama o poeta pelo verde e o amarelo. Estrelas tontas da fuligem contaminam o nosso horizonte. Rio, 21.11.2017

Para onde caminha o poeta? (1)

1. Os dias e as noites são complexos. Nas manhãs ainda cantam as cigarras e os grilos sussurram no final do dia. O poeta procura as teclas negras do computador. As idéias não brilham. Faz silêncio em torno apesar dos ruídos na garagem. As pessoas falam de quase tudo e não dizem nada. Os enquadres das cenas da cidade são dramáticos e preconceituosos. Ainda não é verão no Rio de Janeiro. As manchetes dos jornais precisam seguir o fluxo do rio. Os versos têm que sair pelas cartilagens das mãos. O final de semana pretende acontecer nesta página em branco. As buzinas dos veículos tocam ao longe. Longe. No dia do Zumbi dos Palmares sentimos falta dos tempos do passado. Em 1695 - neste dia 20 de novembro -  morreu Zumbi. O líder acrescentou justiça à vida daquela época. Silêncio enigmático. Mágico. Onde caminha a justiça de nosso tempo? Conhecemos as manobras ilegais de longa data. O poeta escreve dias e noites claustrofóbicos. Hoje, 20 de novembro de 2017.

INDIGNAÇÃO

Hoje é um dia difícil para os cariocas. Estamos indignados diante da decisão da ALERJ e de seus atos indecentes e inumanos. O povo precisa reagir para ter de volta a ética que se perdeu. O Estado esvaziou seus princípios na corrupção. O Rio de Janeiro sofre todos os dias com o desrespeito de seus governantes; o que nos afeta diretamente. São tantos os motivos de indignação que a população está chocada com a quantidade de corrupção que contamina a cidade. Vamos recuperar a República. A "coisa" pública! Vamos recuperar nossos direitos! Os homens públicos que trabalharam se locupletando precisam devolver o que não lhes pertence, e ter vergonha na cara! Rio de Janeiro, 17 de novembro de 2017.

Frans Krajcberg partiu...

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Frans Krajcberg (publicado no Portal Cronópios em 11/09/2005 em minha coluna "Nas dobras da língua")                          Comment faire crier une sculpture comme une voix?                                                                                      Krajcberg Inspirado pelas formas atormentadas das árvores e dos animais ressequidos, tantas vezes observadas no detalhe das florestas queimadas, Krajcberg sustenta a força de uma estética sin...

Fragmentos do livro novo: Assis de Francisco/ Francisco de Assis

A piccola Assis está encravada em um vale da Úmbria,   região central da Itália. Chega-se a esta pequenina  cidade de carro, de ônibus ou de trem. Alguns expe- rimentam alcançá-la a pé. Em geral são os estudiosos ou os homens de fé que a procuram mais. Em fun- ção disso, o turismo que por lá passeia também é um turismo diferente. Reconhece-se Assis de longe. Está desenhada em uma montanha como uma pin- tura antiga gasta pelo tempo. E, hoje, me parece um pouco esbranquiçada entre nuvens baixas, que tomam o cenário desta manhã. (p.11) (...) André Vauchez no seu livro Françoise D'Assise  faz relatos pertinentes sobre a situação política da cidade de Assis comentando que o poder de alguns homens ligados à lei se ampliou naquele momento, em função da prática do crédito que se iniciava e favorecia aos comerciantes. Tudo leva a crer que a família Bernardone foi bastante favorecida. O ainda jovem Francisco passou a ter atritos mais contantes e...