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Mostrando postagens de dezembro, 2011

Poema de Ano Novo

A mãe caminha com os filhos. Anda apressada. Conversa com o primogênito (cinco anos?) - À meia noite você deve dar um pulo.   Nessa hora o ano começa. - Por isso é um ano novo?   Por que ele vai chegar? No carrinho de bebê há outro filho na cena. Pisca. Ano novo: igual e diferente. Quando ele chegar - novinho - no dia seguinte será outro. Ao longo dos dias corremos: um banho rápido um cochilo. O almoço com um amigo e, depois, vez por outra, um pulinho no supermercado ou no banco. O mergulho na imensidão ou, até mesmo uma caminhada antes do dia desaparecer. O descanso, fluxos às vezes nada suaves. Escrevo : uma onda - outra - e um resto branco na areia. (E somos 7 bilhões de pessoas no mundo).

Poemas de Wislawa Szymborska em português

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Conto que: - No dia 25.12.2011 ganhei de uma amiga o livro Wislawa Szymborska [poemas], na tradução brasileira de Regina Przybycien editada pela Companhia Das Letras. - A foto de capa em p/b – com a poeta diante de uma xícara grande de café, o cigarro entre os dedos da mão direita e a fumaça sendo exalada – enfatiza o gesto de olhar apertado e guardado à reflexão. - Alguns poemas despertam em nós, seus leitores, o gosto pelas “perguntas ingênuas”, nomeadas “as mais urgentes”. - Saímos da leitura de seus versos, minha cara Wislawa, em diálogo com a pedra; sem certezas nem verdades. Na simplicidade tanto quanto na densidade desta escrita, permaneci atenta e atônita. Recolho palavras da poeta nos 13 primeiros versos do poema “Fim e começo”: Depois de cada guerra alguém tem que fazer a faxina Colocar uma certa ordem que afinal não se faz sozinha. Alguém tem que jogar o entulho para o lado da estrada para que possam passar os carros carregando os corpos. Alguém tem que se ato...

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Embrulhados nos céus as nuvens   as estrelas os anjos   os santos     e até mesmo os aviões De repente as chuvas   os trovões Neste abismo a luz   o fogo-fátuo o escuro   o silêncio     os sonhos No firmamento g  i r a m   os   astros e  a “partícula de Deus” D’onde   e   para  onde embrulhadas nos céus as palavras e as coisas ?
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Tarde com chuvas: Ipanema e Leblon em ângulos poéticos

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Praias e calçadas cariocas

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                                            Praia do Leme                                                      Praia de Ipanema                                                         Praia do Leblon Praia de Copacabana

50 anos depois

Cabelos rabiscados de névoas. Areias da manhã: revejo os pássaros da infância, costumava guardá-los no grande viveiro de arame. Domingo, com as mãos ligeiras, ajudava meu pai a recolher p i p i r a s. Elas beliscavam o mamão doce. Eram dias incomparáveis de calor amazonense. Os cabelos - amarrados em um rabo de cavalo - deixavam ao sol a tarefa do brilho. O verde da grama formigava meus pés. Café da manhã prolongado com suco de cupuaçu ou de maracujá. Realidade feita de gestos. Bico vermelho, penas negras. Pequeninas. Sorriam ao tocar as duas faces do mamão aberto. Recolhíamos os sons e as cores, guardávamos em silêncio os pássaros - eu e meu pai - para soltá-los logo depois. Cabelos rabiscados de névoas. Entre meu pai e eu, dois gestos.