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Mostrando postagens de fevereiro, 2023

Um agradecimento

 Caros amigos e leitores amigos, Em breve este blog somará mais de 199 mil  visitas. Viva! Em treze anos de existência, ou um pouco mais  que isto, agradeço aos fiéis companheiros de  caminhada. Não estamos na mídia,  não estamos na moda, nem mesmo escrevemos os temas que mais  parecem encantar.  Escrevemos poemas, textos curtos, traduções de  poesia francesa, Diário e restos do dia e do  mundo ao redor que nos espanta. Assim, que estas páginas abertas também com  fotos e fatos da vida de todos nós se fazem  constatando que a vida é múltipla, e uma  grande janela onde paredes e  portas participam da jornada. A escrita a caminho as letras nem sempre  cifradas na direção do Sol. Guardadas as diferenças e as obras nascentes somos estas pedras e estas águas  junto às árvores na poeira da noite. Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2023.

Domingo

Imagem
 Traduzo, livremente, um pequeno fragmento do livro de Jean-Marie Gleize, 2022. Dans le style de l'attente Les presses du réel collection Al Dante 1. Na claridade da tinta Escrevo estas linhas em Tarnac. Cinza sobre cinza, atrás do muro. Sabia que isto não seria meu nome. Mas o nome de muitos. Sobre muitas pedras. No final do declive, à direita da aleia, aqui. E em muitos outros pontos do espaço que não conheço. Não há pois nome próprio . Vejo o que ele significa ou mesmo o que o nome recopia. Letra por letra, a palavra igreja . Estou pois contido nesta palavra. É aí que habito! Permaneço, eu fico aí.                                                                                                   (pg.11) Partir da beira do bosque. Seguir e...

Escrevo sobre Svetlana

 Acreditem: a ucraniana Svetlana importanta. Uma mulher de meia idade que observa o  horizonte de sua pátria. E ainda sorri. Ela é  informante. Trabalha na Resistência.  Sua casa serve alimentos quentes aos homens que trabalham na Resistência. Ao redor da mesa  decidem assuntos sérios.  O filme, um longo documentário, único e  assustador nos levou a Kherson nas asas da  poesia. Um texto de muitos testemunhos e  diálogos impressionantes: "Les soldats de  l'ombre à Kherson". Um filme histórico! Estamos assistindo na TV francesa, canal  france24.  Agradecemos! O nome predominantemente feminino é derivado do eslavo, significa: "luz". Recupero da estante de nossa casa o livro 'A guerra não tem rosto de mulher' da escritora Svetlana Aleksiévitch. Publicado por aqui em 2013 pela Companhia das letras. A escritora nasceu na Ucrânia em 1948. "Tudo se repete..." ela escreveu na pg. 135 E acrescentou neste capítulo "Em nossa casa vivem dua...

Caderno de verão

 A poesia chega faceira. Os dias de calor sem cor dizem muito pouco. Compreendemos o tempo de horror e medo. Dentro de casa quando tudo parece calmo, quando molhamos as plantas das janelas e os pássaros ligeiros cantam.  A voz do poeta tropeça  entre letras e ervas daninhas. Entre as vozes das meninas  que cantam nas festas de Carnaval, e o rumor de uma guerra que quer se perpetuar. (Pedimos licença para sonhar). Rio de um verão quente demais, 2023

Diário, final de fevereiro

 Dias quentes. Não recebemos visitas nestes dias de verão tão avassaladores; calor, enchentes e ameaças de uma outra guerra mundial. Depois que nos desvencilhamos de um aparelho de ar condicionado antigo, experimentamos o verão com um ventilador de pé na sala. Em alguns momentos, só ele resta de pé. 

Final de tarde

 Sem título  2 A paisagem está rasgada. Montes de cortes de alto a baixo e o barro cor de barro deixa ver o desamparo. Desapareceram os animais? E os peixes se perdem no mar barrento perto das encostas de pedras onde antes as grutas guardavam  a vida dos moluscos e das conchas. O verde ficou menos verde. E o mar escureceu. Final de tarde na penumbra do medo. 3 Dias tristes. Noites de silêncio.  As sílabas corta- das. Embarcações.  Nu...vens ao vento. 4 Inquietações. Vulnerabilidades. Trabalho organizado no momento  trágico. Somente a guerra poderia ser  tão-só. 

Verão de chuvas e desabamentos

 Quase todo ano é igual: Foliões sambando na avenida. Carnavalescos  cantando pelos blocos dos bairros da cidade. Enquanto, em algum lugar do país, desabam as  encostas dos bairros mais pobres carregando  tudo. Chuvas fortes demais. Mudanças  climáticas. Chuvas que matam. Famílias inteiras  são levadas... E o trabalho da vida dura é, facilmente,  desmontado em alguns segundos. Casas 'palafitas' Dependuradas nas encostas Perto das nuvens e do céu  Um sopro de vento Chuvarada e  desigualdades

Nota matutina de quarta-feira de cinzas

Nestes dias de folia, fiz revisões nos próximos  livros: o meu de poemas, e o livro ensaistico de  José. Um sabor agradável se espalhou pela casa.  Sinestesias:  o toque no alimento fresco nos refogados das panelas. O perfume das cortinas lavadas e a chuva misturando-se com a bruma do mar. * Rio de Carnaval que não termina, 2023

À noite vejo:

Imagens da maré baixa em Veneza. Estranhamente baixa a maré de Veneza deixa ver as fundações  dos palácios antigos. Um odor esquisito escapa dos pequenos canais paralisados.  Barcos e gôndolas aguardam a vida das águas retornarem. (Há algum anticiclone por ali?) * Sem título  1. E as nossas encostas paulistas rodeadas de mata atlântica  desmoronam carregando árvores e lama Crianças e adultos tragados  Dentro e fora do sonho de  uma vida mais civilizada Mais natural Quando o mundo parece não  querer ver  Não conseguir acreditar que  a hora é agora: é preciso mudar o rumo do pensamento E formar outra linha de árvores e casas para todos Perto bem perto do mar... Rio ainda cheio de dificuldades, 2023

A tarde ferve

Um monte de cadáveres na guerra a TV ligada parece indiferente; muitas ruínas. A realidade assusta. Qual o limite da palavra de um boss? Ontem ou agora o real se mostra nas munições que chegam na Ucrânia  ou nos ataques cada vez mais acelerados  dos russos cada vez mais russos.                    Para Sebastião Uchoa Leite

As cambalhotas do mundo

 Um novo sismo aconteceu no sul da Turquia, agora 6.4 na escala de Richter, e com risco de tsunami. A população traumatizada teme. Pedem à população que se afaste do mar mediterrâneo.  O presidente Putin anunciou que não é possível vencer a Rússia no front. E rompeu com o tratado feito com os EUA de controle das armas nucleares. Todos tememos a Rússia e os EUA. "Um duelo à distância"? Perguntem às mulheres o que elas pensam da guerra. Perguntem se elas conseguem dormir. Perguntem se as crianças ainda brincam, e se os sonhos acontecem. No Brasil o samba ocorre em meio às tormentas e aos deslizamentos das encostas na região do litoral paulista e no sul do país. Mas, nada interrompe o Carnaval nas outras regiões. O gozo sempre o gozo em movimento. Biden visita a Ucrânia  Lula visita São Paulo  O povo samba  e sofre Os soldados lutam  (E como será que dormem   estes jovens guerreiros no meio do gelo?) A ironia não dá conta da tarefa Nem o saber jornal...

Domingo de carnaval

 Amanhece silêncio  A mesa ampla ao largo e um gole de café quente. Na mente ainda lenta imagens me revigoram. Os pés descalços querem areias; úmidas areias do mar. Milho verde assado na brasa. Água de coco. O biquíni antigo. Vento levando a mão aos cabelos... Guardando os lábios fechados. Silêncio no mergulho salgado. E um beijo dado de pé  quase fora das ondas brancas  (quando amanheço, de fato.) * Poema de ângulos agudos Entre as linhas na beirada do poema desperto. Reviro a pontuação.  Dobro a esquina do verso no poema em ângulos. Areias gemem e  as espumas saborendo o vento sacodem  luzes azuis frisos de prata, no meio de uma manhã  de caminhada. Na beira do mar de Meaípe onde o vento se dobra: barcos circulam. Passam as gaivotas. Rio de pé no chão, 2023

"Irmãos de armas"

 Alguns homens da Chechênia chegam à Ucrânia para lutar contra a Rússia. Somam força contra o regime de Putin que os destruiu há 14 anos atrás.  Assim, que esta guerra vai ficando mais complexa a cada dia. * Morrem jovens soldados na Ucrânia.  (A poesia sobrevive aos sobressaltos.) * Olhar vago Armas deixadas no chão  Estrelas claras em neve  Dias frios Nas mãos cobertas ou não uma oração  No peito guardado está  o medo e o amor na fotografia 

Hoje é sábado de Carnaval

 Enquanto o Carnaval samba por aqui,  a cidade ferve de loucuras, blocos de rua e festas  à fantasia, o outro lado do mundo geme de frio e medo.  A guerra alucinada paralisa  os gestos de paz? Túneis gelados de tudo aguardam e guardam homens armados. Enquanto blocos de rua e festas à fantasia exageram na folia, a folie abre a cena dantesca de nosso momento de mundo. Bebidas, serpentinas, purpurinas. Itália, Grécia, Brasil. Munição, avião e armas. Rússia, Ucrânia, Otan.  Neve em Kiev. Calor no Rio. Il faut se battre? Rio de fevereiro e de rei Momo, 2023

Da placa tectônica:

 Renascem homens, jovens, crianças e bebês  da poeira dos destroços. A fenda do mar se  moveu durante a noite. Imagens lancinantes. Um gato branco salvou-se pelas mãos de um  bombeiro. Aliou-se, eternamente, a seu protetor.  Na Turquia crianças surgem dos escombros entre sapatos  e cobertores. Cimento bruto. Cimento e pó. Um pé e um sorriso. Uma mão solta no ar. Enquanto a Síria derrama lágrimas quentes e  o socorro demora a chegar. Tremor visível. Humidade e morte. Frio. Perdas imensas. Um menino de sete anos, um bebê de seis meses. Uma jovem de vinte, e saem vivos do cimento cinza na poeira sem cor. Rio de abismos, fevereiro de 2023.

A guerra (2)

 Comento: É de arrepiar a notícia de que a Otan/ Ucrânia fazem uma corrida às munições ! Afinal, todos tememos a Rússia.  Mas, eu sou a favor da paz! *

Cartas de João Cabral: o espaço do poema

Amigos Publicado, pela primeira vez, o texto que escrevi na época de meu doutorado na UFMG. E que revi agora, com alegria. Clique no link abaixo e entre na revista Sibila on line: https://sibila.com.br/critica/cartas-de-joao-cabral-o-espaco-do-poema/14579  

A guerra

Uma destruição e se quisermos uma desatenção às questões humanas. Como se a escuridão devastasse tudo ou quase  tudo.  Ah, a insana guerra... Mais uma e outra mais! Como se bestas  fôssemos  e acreditassemos em versões bizarras. * Mísseis cegos.  Desejados tanques.  Para quê? Europa perdida. E a mesa das conversas sérias  não existe? O cheiro de sangue corre em 'notáveis' cabeças. Homens, onde estão tuas mãos? Rio de ... um mundo de tantos desperdícios, 2023

Domingo

 Acordo no silêncio de um domingo. Gosto de pensar aos domingos. Pensamentos altos, pensamentos longos. Dentro de um domingo cabem muitos acontecimentos: visitas a amigos ou parentes (mesmo aos mortos), antigamente, e nem tão antigamente assim, um cineminha no final do dia, um mergulho no mar no meio da manhã ou uma caminhada no Jardim Botânico, uma leitura dedicada, e até um bom programa na TV. Mas, hoje, escuto música.  Escuto Bach. Silêncio...                    Rio de fevereiro e de Carnaval, 2023

Homenagem a Carlos Saura em Sevilha

 "A IMAGINAÇÃO É MAIS RÁPIDA QUE A VELOCIDADE DA LUZ" nos disse o grande cineasta Carlos Saura ao se despedir na leitura de um texto lido por sua atual mulher, durante o Prêmio Goya 2023. Aplaudidos de pé, os dois filhos presentes e a mulher, todos muito emocionados.   Viva o cinema! (Está sendo transmitido agora, na tv espanhola.  E não confundir com o Oscar, por favor!) * Que lindo discurso fez Juliette Binoche ao receber o prêmio Goya de Honra Internacional. E o filme 'Argentina 1985' ganhou muitos aplausos. Melhor película Íberoamericana.

Hoje é sábado

 E.. O sábado foi feito para o homem. * Quando os golfinhos conversarem entre si façam silêncio. As placas do fundo do mar se moveram e acreditem há tempestades no ar, As ninfas mais puras circulam em meio às índias do Amazonas. Inventam a dança outra vez: 61% dos desmatamentos já foram interrompidos. * Quando os golfinhos conversarem e saltitarem  no ar  acreditem... a alegria contagia. As ninfas abrem os braços junto às índias do Amazonas. Elas dançam em círculo porque o que é semelhante clama. * Marina,  na janela da floresta olha o mundo conturbado. As paisagens esperam mais gestos cobrindo com as mãos rios e passarinhos. Marina, irmã dos seringueiros e amiga do povo da floresta. Mãe Marina, agora ministra da natureza. *

Linda surpresa

 Amigos,  Que beleza ver o presidente Biden tão risonho com Lula e Janja! Nunca vi um presidente americano dar as mãos à esposa de um presidente brasileiro. Fantástico!  Independente de qualquer coisa, é visível a mudança de tom! Só temos a comemorar! * Uma salva de palmas para o nosso querido presidente Lula. Um líder nato!

Os irmãos Villas-Bôas

 Rememoro com alegria que, há algumas décadas atrás, os irmãos Villas-Bôas tiveram um papel importantíssimo na nossa sociedade. Eles foram pioneiros, ao menos em minhas memórias de mocinha, no interesse e na pesquisa para proteger e preservar terras e povos indígenas. Muitas vezes eu os ouvi falando, dando depoimentos sobre os trabalhos realizados entre os indígenas de várias tribos. Agora, que estamos diante do horror do garimpo em terras yanomami, e, ainda somos obrigados a ouvir que um ex-ministro destruidor e incentivador de desmatamento e garimpo tem a pretensão de ocupar um cargo importante na contramão de tudo que ele realizou e desmontou, enquanto foi ministro, só nos resta mostrar nossa indignação e gritar bem alto: ele Não!

Gira mundo

 A boca e a lingua juntas, com sabedoria e entusiasmo,  no interior do corpo  somam esforços. Desprende-se daí um rumor de memórias: antigas e intensas. * As águas dos oceanos em assimetria sopram longe. O pássaro azul na folha verde,  o bico-de-lacre na varanda de Guarapari. Claridades nas linhas das mãos.  A força verbal na ponta dos dedos. O mundo e o poema juntos. No prazer de mais uma vez, o braço sustenta o susto.  * O erro  dentro do erro abafado  arranca a força  da luz? * Se eu pudesse, se eu fosse uma abelha Rainha de cor dourada escreveria mundos. Rodando a gramática dos animais no espaço aberto,  rodando os começos dos movimentos,  as letras e os planos múltiplos  escreveria cores calores linhas.    Para Herberto Helder

À noite no jornal italiano

 Escuto na Rai, canal 203: Já existe mais de 4 mil médicos e enfermeiros agindo nas áreas atingidas pelo terremoto gigantesco que atingiu a Turquia e a Síria.  Os italianos embarcam em avião de carga levando material e cães treinados e homens habilitados a ajudar nos resgates. É urgente agir o quanto antes para ajudar a todos pois a gravidade do terremoto foi enorme. O frio é muito grande e há sobreviventes morando em tendas armadas, além dos 14.500 feridos. E há ainda risco de novos tremores mais adiante, pois a fenda aberta na placa tectônica também é bastante grande. * O mundo tensionado politicamente, a guerra entre russos e ucranianos causa tristeza e destruição e os tremores de terra dão um tom nada natural ao sofrimento humano. Enquanto os homens, alguns homens sem humanismo só pensam no próprio umbigo. (...) Sigamos...

calor escaldante

 tomo água tomo chá mate tomo susto tomo café tomo água de coco tomo susto tomo uma ducha não tomo sol calor escaldante Rio de verão, 50 graus!

Hoje é sábado

 Um Rio escaldante, um calor abafado e nada agradável. * Calor gigante Como o vento morno dentro do furacão  no chão da cidade Como a espuma rala branca e oca onde o verso nasce Sussurra a voz 

À noite na tv francesa

 Escutei um senhor agricultor ucraniano muito indignado perguntar: "Não há uma só pessoa inteligente no mundo capaz de fazer parar esta guerra?  Uma só?" * Até onde vai esta escalada de violência? Pergunto eu. As cenas cruéis mostram os homens de muitas idades enfiados em buracos gelados como só vimos no cinema, durante as tomadas sobre a Primeira Guerra. * Israel...Palestina...Ucrânia...Rússia... *

Sexta-feira, 3 de fevereiro

 Perfumes de jasmim e alecrim  Na noite quente tocam Sirenes e perfumes O canto dos tucanos amanhece ao largo Faz calor. Dias longos altos ensolarados  As saias acompanham rumores e humores Enquanto aguardamos o outono E a volta dos bem-te-vis Rio de muitos calores, 2023

Anoitece

 Cigarras sublinham o final do dia!

Um grande abraço

à Ministra Rosa Weber que disse:  ... "nem pela barbárie os juízes do STF serão intimidados". E viva a Democracia!

Ontem à noite,

 Partiu D. CLEONICE Berardinelli. Aos 106 anos e deixando para todos nós a força de um trabalho literário e cultural inigualável.  Uma salva de palmas!