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Mostrando postagens de outubro, 2021

Rio, 31.10.2021

 Um pouco de escuridão  e muitas dúvidas  Na reunião do G20 em Roma  há tantas vozes  em circuito estreito de medo e apreensão  Há os diálogos sobre o vírus  Os murmúrios do lado de fora No entanto um senhor fica à margem de tudo Não se pergunta sequer sobre o porquê de ser tão abominado  Escuridão e falta de linguagem em meio às belezas da cidade de Roma  Decisões necessárias precisam nascer Entre as divindades do Pantheon o Sol procura escutar bem mais que a esperança  As ondas vigoram fortes no frio seco de um outono que grita Greta e milhares de jovens vociferam Andam de braços dados em tantas linguas Não estão ligados em blá-blá-blá  A hora passa rapidamente Fugidia entre as sombras do tempo Somos um exército de mãos formigas e vozes quentes em luta Somos na greta da pedra e nas vagas do mar O mundo todo e together for all planet

Diário, 30.10. 2021

 Together for all planet !! Together for Our Planet !! * Juntos sempre por todos! E por nosso planeta! *

Nota crítica do final da noite

 Enquanto o nosso presidente vai à Itália (fazer turismo) e não vai à reunião da COP 26 "porque não quer levar pedradas",  ele permanece isolado e o mundo todo permanece estarrecido diante de tanta falta de visão e caráter.  E... sai pela porta dos fundos da bela Embaixada do Brasil em Roma, na piazza Navona, pois desejava visitar uma loja de salames! Sem comentários!

Diário, 29.10.2021

 Poema da noite tênue Depois das horas corridas  em trabalhos e afazeres, quando quase tudo  permanece quieto no chão  onde me vejo, longe, longe do movimento  e das preocupações do dia, sem caminho nem caligrafia a noite chegará ligeiro. Em silêncios ou em sorrisos a madrugada fria alargará instantes no meio dos sonhos. E tranquilamente entre as brumas da manhã, qual este girassol que me olha da jarra verde e cristalina, sem caminho nem caligrafia mais um dia sairá da noite. * Invento ventanias na terra ou no mar alto E as portas fechadas ainda aguardam a música a ser  tocada nos braços e nos espaços desta cidade inteira Os peixes conhecem o silêncio * Quero Nas paredes deste quarto fechar os olhos por instantes. E na janela aberta ao escuro respirar. De dentro do sonho sair acompanhando o vento. Acordada nascer muitas outras vezes.

Dia Nacional do Livro

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Em Mantova, Solange Rebuzzi escrevendo seu livro novo (2018).

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Fragmento do livro A bordo do Clementina e depois

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Diário, 25 de outubro de 2021

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 Amigos Hoje, dia 25 de outubro, há 144 anos meus antepassados paternos: os Rebuzzi e os Negri pisaram em solo brasileiro.  Viva! Meu livro A bordo do Clementina e depois  conta esta travessia. 

Convite para um encontro com escritores

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  https://youtu.be/aRqmPMKJgno Caros amigos e leitores, Será um prazer contar com a presença de vocês!

Diário, 24.10.2021

 Mãos estendidas aos abismos A mão direita de lado e a outra mão na mesa gritam palavras  no calor do silêncio  As mãos na cama andam  e dedos ágeis  fabricam linhas roupas  um corpo Os ombros suavizados por instantes em passeio na cena ousam Visitam tempos de outrora (Modernos ruídos do lado de fora) Dançam nas ruas os homens Devoram tudo agora sem sossego  Bebem loucuras naufrágios  Enquanto mexicanos marcham Pedem paz e pedem pouco Não levam nada nos pés  Enquanto o etna começa a ferver: fumaça e cinzas A paciência não reverbera Os muros saltam vazios Gritos se inscrevem na memória  A sede é além de qualquer um  No olhar não se define a origem Vulcões desesperados lamentam Se eu pudesse "desatar o nó oculto" Se eu pudesse ... Para António Ramos Rosa

Diário, 23.10.2021

 Viver o súbito e o ligeiro    Quanto mais real é o instante  mais respiro. A força breve leve o chão necessário.   Linhas de geografias ligeiras. E o cheiro único carregado de luz seja papel ou chama invade paredes  letras livros lamentos. Porque há um poema (e a terra que o sustenta)

Ainda...

 É um assombro este momento. Fora Bolsonaro! O país não o suporta mais! Seu governo não funcionou... Um desabafo: O mercado financeiro brasileiro espelha o quão ridículo é o seu movimento neste sobe   e desce da bolsa e do dólar.  A crise é social e o desrespeito é total. Chega de Paulo Guedes etc. Sem jogo, por favor! Afinal, existe o povo e a classe média pensante. Qual o lugar dado a população brasileira? Chega de falar de Mercado! Estamos vivendo um regime ultraliberal e  racista.  Cruel  Sádico  Inadmissível  Não suportamos mais! * Poesia, poesia Minha voz soa  Consoa ressoa Não estou só  Unidos à força da natureza e aos deuses do Olimpo Contrários seremos aos olhares avessos às normas humanas Não cederemos Nem escutaremos correntes obscuras Estrelas claras são o norte As portas permanecem abertas E as janelas invisíveis  em espaços antes existentes continuam a se abrir Somos e somamos sempre entre lírios e lavandas besour...

Rio, 22.10.2021

Diário   E os movimentos do corpo não se confundem com a razão.  Final de CPI.  Respiramos... Os homens estranhos continuam estranhos. O país sofre em mãos alienadas. Selvagens.  * Poesia do hoje Inesperados os caminhos De tantos abandonos Multiplicadas e diversas As muitas rotas E minha face se divide Em mais de duas Mares e naufrágios  Homens sem nada Areias em ventanias Vulcões desesperados E os rios de todos os índios  Inundados de venenos E um Rio de janeiros aprisionados Habitados de milícias  E o meu rosto e o teu A tudo assistem Resistem Inquietos verdes e azuis Montanhas devastadas E o Cristo de abraços sempre abertos Não fecha os olhos ao horror Ações gritos e gestos Somos esta escrita a se fazer Divididos ou não  Os pés alinhados ao trabalho No mar que se abre em horizontes As mãos somadas Simplesmente Chega de destruição  Um poema pede muito E não cansa nunca  As palavras soam Partem assombradas A cidade acesa espera e a...

Diário, 21.10.2021

Frio invernal O corte bem coberto ajudou a guardar o calor corpóreo. Corpo distinto.  Não vi sangue. Mãos brancas permaneceram brancas.  Uma música soava entre as vozes na sinfonia ouvida na sala. A pele não gemeu.  Foi bordada.

Diário, 20.10.2021

 A CPI termina apontando culpados e, mesmo com falhas, conseguiu trazer à tona situações dramáticas e monstruosas. Sigamos... * Poesia em dia de brumas Sou qual um molusco de águas profundas e me movo lento manso. Não reverberam ruídos loucos. Às vezes sou cabra montês de vales verdes e pedras compridas. Abismos e nuvens chegam perto. O perfume do mar ou os cabelos das urtigas são velhos conhecidos, sim. As águas dos oceanos moram em mim.

Diário, 19.10.2021

 Anotações  Os dias nascem e os dias morrem molhados de chuva. Primavera fria.  As máscaras caem antes da hora. Ao menos, assim me parece.  Somos serem estranhos e apressados. Diante da obscuridade de nosso tempo,  e de tantos sofrimentos ao redor só a poesia me  alcança mais imediatamente. E é preciso procurar caminhos novos sem pretensão. Procurar sem temer os abismos.  * A noite chega lenta.  Pingos leves na vidraça esfriam mais e mais as articulações dos dedos. Os ossos não lamentam (reconhecem o tempo que passa)! * Não observo nem um pouco os fatos,  os jogos e os dias deste governo indecente.

Diario, 17.10.2021

 Cristo Pantocrator na Basílica de Cefalù– Sicília Ao entrarmos, pela primeira vez, na Basílica de Cefalú nos deparamos com a beleza dos mosaicos coloridos que apresentam o Cristo Pantocrator no altar. Ele está carregando um livro aberto, escrito em letras gregas, na mão esquerda, e a mão direita abre um gesto com os dedos unidos (três deles) que se separam dos outros dois. Em posição de bênção — com o polegar voltado para si, os dedos médio e apontador em posição oblíqua, quase vertical, e os demais dedos dobrados em direção à palma da mão (fechados) – a mão direita indica sua dupla natureza: divina e humana. Pantocrator (Παντοκράτωρ) é uma palavra de origem grega que significa "todo-poderoso" ou "onipotente". Também possui variante com acento gráfico no segundo "a": pantocrátor. Encontra-se várias vezes no Novo Testamento em grego. Provém de pan (tudo ou todo) e krátos (alto, em cima e, daí, governo, poder). O fundo em ouro, material mais nobre da nature...

Diário, 16.10.2021

Manhã                                   para Ítalo Calvino  Uma leve borboleta sublinha a flor E não são poucas as luzes de suas asas A vida ávida se vê habitada E irradia transparências (Solidão que se vai) * Segredo No interior bem guardado de uma flor respira a lágrima  úmida e corpulenta Um açúcar sem igual desliza Entra na natureza via abelhas beija-flores aranhas em alvoroço: coisas nascem em segredo     * Casa de tijolinho vermelho Com os pés e somente assim a casa é habitada Homens vivos mas não só eles chegam perto Sem medo permaneço quieta e sigo varrendo os dias e tirando o pó dos livros Entre a poesia que sopra nas janelas e os minutos tensos de homens do lado de fora os mortos mais queridos me visitam em lembranças infantis de outras casas  

Diário, 15.10.2021

Poesia na tarde quente Caminhava.  De lado via uma sombra em ângulo sob a árvore podada. Gestos obscuros saem da sombra. E frutos no chão somam ao jardim perfumes. Mulheres na calçada vestem cores. O vento virá mais tarde aderindo às estrelas a força dos temporais. Os olhos fixos pairam em crianças que correm. E meus cabelos soltos voam à vontade.    

Diario, 14 de outubro de 2021

 Preparo um livro novo com muitas conversas  e muitos personagens... Sigamos!

Sobre o campo

Em pedra e cinzas A terra pulsa  Recua Sempre a terra: Sementeira em flor * Sobre o nada Não se diz Tudo Nunca Nunca  Puro Nada

Sobre a Anunciação

 O anjo e a Virgem  Porta aberta (Porta estreita) *

Sobre o caminhar

         "Cada instante é uma porta"                             Didi-Huberman Diante do luar Ou de uma porta Aberta O gesto se faz  Caminho Sopro do recomeçar  Guardada a chave no bolso  A porta soma à janela  A visão maior

Sobre o perdão

 A ti também perdoo Se me perdoares Com palavras mansas Ou lágrimas correntes O mar de todo verde Ou as aves das florestas Sabem do que falo Quando falo: perdão  2 No ato de perdoar O perdão se mostra Íntimo e íngreme  Um movimento terra Em gesto de mel Sublimação  3 O tempo foge acelerado Un attimo di respiro ...

Um dia de luto

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São 600 mil mortes de covid no Brasil!          Retirado do site do Valor Econômico - Globo Foto na praia de Copacabana hoje. Manifestação  da ONG Rio de Paz

Veneza e suas incontáveis janelas

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                                              Fotos de José Eduardo Barros, 2015

Diário, 7.10.2021

 Um bebê à venda Na cena: a mãe e um bebê restam. Envolvidos em véus. Tons de azul. Vejo o rosto oval da mulher jovem. Os braços sustentam o filho: rosto redondo e manso.  A venda se fará nos minutos seguintes... Afeganistão nas telas da tv. Noticiário da França. Não há trabalho. A falta de  tudo se instala (se mistura ao abandono).

Janelas para o outro

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Diário, 5.10.2021

 Outubro de 2021 O silêncio embrulhado nas páginas do livro respira. Longos intervalos. Mãos em repouso escutam. Linhas   letras   obscuros vazios. Fome. Soluços sem abrigo. * O vulcão de La Palma Sopra lavras no ar As chamas sobem alturas tontas E caem no mar depois de se converterem em língua de fogo derretidas Submergem devagar... Um território novo se eleva (diante de olhares onde a boca aberta do vulcão não para de soprar) * No  Var , sudoeste francês, a chuva solta corre e derruba tudo. Lava pontes e animais e come estradas e plantações.  Em Marseille aussi:   il pleut beaucoup! Muita chuva chega de repente demais... Irreparáveis línguas de fogo  ou sopros de água  chegam junto com o medo. * Os homens descalços de nossa terra recortam um silêncio no espaço, enquanto os mentirosos de sapatos trafegam e jogam com a moeda do país. Outubro de tantas misérias, onde os soluços contam os dias e lamentam as árvores cortadas que deixam ver ...

Rio, 3 de outubro de 2021

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 Recupero os dias vividos em Assis, na Itália,  a cidade onde viveu Francisco de Assis que hoje é comemorado naquele país e no mundo. Lá, em 2016, comecei a escrever o livro: Assis de Francisco/  Francisco de Assis * A imagem acima foi um registro feito hoje com meu celular durante a celebração realizada na Basílica de Assis. 

Poesia sem sossego algum

 Um jogo de presença e ausência  Na porta das casas comparece  E o amor sustenta as horas em nuances Que se calam Entre o mar e a bruma de areia Dentro do corpo inesperadamente  Quente ou rapidamente frio ... Não se morre no tempo do corpo Morremos no infinito

Rio, 2 de outubro de 2021

 Com muita alegria comemoramos as  manifestações de hoje contra este governo.  Fora Bolsonaro e toda sua corja! Afinal, já são quase 600 mil mortes. E incontáveis atitudes antidemocráticas  além de um desmonte da cultura e dos  desmatamentos de nossas florestas. São mais de mil dias de horror! E nem comento  questões éticas, pois estas ultrapassaram todos  os limites humanos.

Rio de Janeiro, 1.10.2021

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 Diário Amigos e leitores, com imensa alegria compartilho, mais uma vez, alguns momentos de meu  Diário  escrito on line, traduzido por Márcia Rambourg e publicado em La Revue des Ressources. Cliquem no link abaixo para ter acesso direto à bela Revista francesa.  https://www.larevuedesressources.org/Journal-de-Solange-Rebuzzi-suite.html Nota de agradecimento: Márcia Rambourg, brasileira radicada na França, tradutora, poeta e professora dedicadíssima, é Agrégée de Letras francesas. E é leitora de meus livros e poemas há bastante tempo. Agradeço muitíssimo este trabalho incansável de tradução, agora, do meu Diário escrito on line desde março de 2020.  La Revue des Ressources  publicou alguns de meus poemas (inéditos) e o bonito texto  crítico "Dans le corps de Gradiva"  da Márcia com fragmentos do livro  Gradiva, verão   traduzidos por ela (em 2014).