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Mostrando postagens de agosto, 2022

31.08.2022

 Em realidade: Nada é por acaso e tudo é muito. Tanta coisa ocorre na realidade e ao mesmo tempo. Pedras no chão   e chuvas e inundações nos EUA, no Paquistão. Uma pedra e uma flor no jardim ao redor; um único beija-flor verde e bancos brancos de pés de ferro. Pedaços de nuvens resvalam entre canhões de verdade na guerra que se abre sem flor  entre farrapos humanos. Realidade aberta em cinemascope. O que brota e a quem desperta a imprecisão destas imagens de agora? Loucos somos nós ou aqueles que assim nos chamam?

Rio de Janeiro, 30.08.2022

Homens e mulheres vestidos de políticos Batem os corações. Lavam-se as roupas sujas. Vestidos ou nus somos iguais e  somos muito diferentes. De gravatas coloridas e paletós sóbrios  em Brasília alguns pensam que são gente grande; de sorrisos lavados (nem sabão nem verdade) são meninos travessos; de batom e perfume elas, as candidatas, cheiram bem e cativam; e o estadista Lula, sempre impõe respeito: as mãos dele não ficam trêmulas e as palavras são respeitosas. O homem 'de olhos duros' na tv só fala em privatizar. Sorry , é horrivel! E o nordestino com estudo diz e acontece,  às vezes, passa do ponto. Batem os corações no peito,  a coisa é séria e tínhamos medo, mas não tememos mais. ;  * Crepúsculo de um século A poeta Wislawa acredita que "a imbecilidade não é cósmica" nem a sensatez é alegre. Caminhando em passos curtos pelas veredas de nossa cidade vejo miséria pelos cantos das calçadas. Amanhã é quarta-feira e os soluços da fome acontecem. * As conversas es...

Rio de Janeiro, final do dia:

 Fala sério! Assistir, ontem, ao debate dos candidatos a  Presidente  da República   na tv exigiu calma e compostura. Explico: uma  mistura de ataques surpresas, falta de  noção, mentiras, ódios,  etc... E, ainda sobrou tempo e espaço pra vaidades  desmedidas e falas violentas às mulheres. Mas, repito que já estamos cansados de tanto  argumento vazio. Chega de blá-blá-blá.  A terra não é plana nem o Brasil está  bombando. *

27.08.2022

Entre perdidos e achados: um sonho deixado ao relento em uma nuvem cor-de-rosa  junto ao morro Dois irmãos. Deixei cair uma aliança no mar e a enviei aos deuses. Com olhos míopes e sem óculos  perdi tanto. Agora com o início da catarata vejo tudo camuflado ou enxergo além da medida. As pernas de joelhos gastos parecem pedir descanso. E os dedos das mãos clamam demais. Não esquecer de colocar tudo em ordem; do pensar até o sofrer (na mala da vida arrumar sem  ordem alfabética).

Rio de Janeiro, 26.08.2022

 E, a conversa agora é de 'gente grande'. Saber pensar importa e saber falar importa muito. Mas escrever, também, importa: Faz tempo que esperávamos ouvir palavras de harmonia e seriedade na voz de um candidato a presidente do Brasil. A alegria de Lula, ontem, foi genuína. Ele nos falou com a força de quem já governou e sabe, que a prioridade, neste país imenso e tão bonito, é cuidar da fome da população carente e da educação. Cuidar é a palavra de ordem. Vamos cuidar juntos, respeitando a nossa Amazônia e de mãos dadas com o mundo mais humanista. Este governo desmontou tudo que pôde em quatro anos, e quase arrasou com a nossa democracia, em nome de organizar um pensamento de extrema-direita, e, que pretendia justificar-se com armas e bravatas loucas. Ainda estamos sob efeito de tantos danos e mortes acontecidos em um espaço tão curto de tempo. Nem sei dizer como iremos elaborar tantos horrores vividos ao mesmo tempo.   De um lado a pandemia entrou em cena e nos deixou di...

Palmas e mais palmas!

 Parabéns, Lula!

Rio, 24.08.2022

Personagens de agora No campo escuro da língua   entre os dedos:  lágrimas, soluços, mentiras e solfejos. Ardem as manhãs pouco claras. Entre ruídos de pássaros soltos  o vento sopra assanhado. Os personagens de agora assombram e demoram demais a partir. Não deixem em branco estes dias. Há muito a comentar. As estrelas  conturbadas se escondem. Os senhores devem dizer o que pensam enquanto de boca aberta ouvimos. A música do planeta está desafinada. Em regiões mais prósperas  apreciam matar. O problema maior é a vergonha que nós, pequenos humanos  sofremos, obrigados por viver este tempo de tantos desperdícios.  * Vida e espetáculo juntos. Sem ensaio algum. O corpo corre e envelhece. E reflete tão pouco. * Nas cenas de nossos dias é difícil não naufragar. * Prefiro contar estrelas. Viver do brilho de sonhos densos passageiros. * Aqui, onde tudo parece possível,  as árvores precisam florir.   

Nota trágica :

 Aras uma vez... E outra e outra mais... "Virou jacaré" é só "figura de linguagem" disse e repetiu o presidente. Não há culpa nem culpados. *

Sem título

 Frio fome  Água de beber Restos sem respostas  Letras que pensam Nesta dimensão vazia até quando? Caminhos e regiões tão diversas  Um povo que pede com o corpo todo Ouvimos a fome desmedida em rajadas Ouvimos a sede-escola   Por encanto o gesto rompe e nasce o movimento Um fluxo de ternura  Um fluxo de vocábulos  Nascem palavras em cadência  E esperança nas vogais * Na curva da estrada os músculos cansados só agradecem * Um sopro possível  Fora da ignorância  um outro acorde * Ágil e fiel o homem reconhece na superfície da pele o suporte digno * Vale a espera confirmando o que sou  O campo escuro e a onda clara afinada e evidente Vejo longe e vejo grande Fluindo sem saber ...

Inverno carioca com exagero

 Um frio forte insistente   Golpes de vento Noite alongada de silêncios  Casacos e meias e cobertores Sem esperança  Vento nas ondas do mar Manhãs vestidas de névoas alargam os golpes da fome O povo perde e cai Aos olhos do mundo quem perde mais? Inverno no Rio com desigualdades No sul do país o chão escorregadio O fogo no fogão à lenha  O pão assa devagar E o feijão catado a mão soletra  perguntas sem resposta Enquanto o povo geme Enquanto os passos ligeiros  procuram o futuro Enquanto damos as mãos sobre a Constituição 

Rio de Janeiro, 20.07.2022

 Nota sobre tradução: Proponho ainda na série polêmica da tradução, algo mais simplório: Brinquedinho do Centrão = Tchutchuca do Centrão

É possível

 Sim, é possível que eu tenha deixado de lado algumas leituras em prosa para me dedicar mais a ler e escrever poesia, neste momento turbulento do país. Não nos surpreende a verdade dos muros a voz da cidade as mãos se unindo (e mais uma vez) É possível que a voz dos poetas, depois da catástrofe, soe estranhamente. Na verdade, a longa paciência que nos alimentou as manhãs foi plantada há muito tempo em colinas altas e geladas de outras partes do mundo.  É bem possível que lendo poesia nossas feridas sangrem. Mas, certamente a poesia nos encontrará em recantos guardados, onde a nossa língua nos aquece. É preciso falar de poesia:  Mandelstam, Maiakóvski.  Até o fim do século uma e outra vez [e eu] não sabia de que modo, juro,  expulsar o possesso...  Anna Akhmátova, talvez soubesse. *                                                   ...

Poesia:

Claridades descontínuas  Entre os vestígios do dia ruídos e os dedos na página ao lado em suspensão no rastro de realidades dúvidas e medos Com a mão acendo  a lâmpada sob passos lentos Espero  A casa silencia e a palavra presa entre dentes saboreia o dia a planta a luz: brilhos névoas * O sol chega  passeia  e morre vermelho * Lua de agosto onde molho os pés  * Relâmpagos e assombrações brincam no escuro * Olho d'água e vento no meio de meus braços (os seios)

Rio de Janeiro, 16.08.2022

Escrevo, simplesmente.  (Penso e escrevo): Se por um lado, podemos exaltar alguma grandeza nestes dias tristes demais, onde estamos inseridos, é porque podemos, também, enxergar que crescemos. A esperança que nos encobre como um véu não tem ingenuidade alguma. Estamos passando por desejo ou à força para o lado dos que temem o destino da terra, dos rios e das árvores que foram [todos ao mesmo tempo] abandonados pelos governantes do mundo. Há neste momento aqui no Brasil, mais especialmente, um clima de renovação. E há campanhas políticas começando a acontecer revigoradas. E algumas vigorando ainda, infelizmente, entre mentiras e ânimos alterados. Os homens salientam seus traços de caráter nas falas destinadas aos seus possíveis eleitores. Temos pressa, e temos pressa porque a fome está presente na mesa de milhões de pessoas. E porque não temos mais paciência alguma com os políticos que desmontaram nossa vida acadêmica, nossa vida cultural, nossa saúde psíquica com um blá-blá-blá sem...

Rio de Janeiro, 9 de agosto de 2022

 Agora No mar e na onda repetida um nome surge. O anjo ao vento reconhece. E quando olha bem de perto a liberdade acesa ali transparente e linda sabe que as rosas são  o tempo aberto se movendo. Lento e luminoso. Sim, o tempo do mimo e das delicadezas vem voltando para nós. * Na tarde Quero dizer esperança  assim como digo amor: tão perto de mim e único. Envolvo com as mãos  o pão de cada dia enquanto compartilho com as aves  marinhas. * Poeta Enquanto falo um som rouco desliza. No mar alto  o perfume não se perde enchendo as palavras de  vento areia e mel. Poetas de tempos distintos  antes do verão seremos tantos. E seremos chuvas rios sorrisos plantações.  

Sem métrica

 Sem métrica. Sem nada Leve, ao vento discreto da manhã. Ousado e fogoso na sílaba deslocada, anda o poema procurando  o ponto do horizonte (onde se sustentar) Salvo engano,  pensa alto e inventa ordens absurdas. Flutua Anda errante Tempos bárbaros! E o coração devorado ou triste demais bate castigado.                Para Ana Luísa Amaral 

Rio de Janeiro, 6.08.2022

 Nota triste: Faleceu, ontem, a importante poeta e tradutora portuguesa Ana Luísa Amaral.  Um céu e nada mais Um céu e nada mais - que só um temos, como neste sistema: só um sol. Mas luzes a fingir, dependuradas em abóbada azul - como de tecto. E o seu número tal, que deslumbrados eram os teus olhos, se tas mostrasse, amor, tão de ribalta azul, como de circo, e dança então comigo no trapézio, poema em alto risco, e um levíssimo toque de mistério.  Pega nas lantejoulas a fingir de sóis mal descobertos e lança  agora a âncora maior sobre o meu coração. Que não te assuste o som desse trovão que ainda agora ouviste, era de deus a sua voz, ou mito, era de um anjo por demais caído.  Mas, de verdade natural fenômeno  a invadir-te as veias e o cérebro,  tão frágil como álcool, tão de potente e liso como álcool  implodindo do céu e das estrelas, imensas a fingir e penduradas sobre a abóbada azul. Se te mostrasse, amor, a cor do pesadelo que por aqui passou...

Rio de Janeiro, 2.08.2022

 Agosto frio Agosto rouco Agosto seco Arquitetura estranha  Na palavra agosto É de um gosto único  E lavrado de absurdos Entre pesadelos Em um poema Que rabisca luzes Longe longe E espera esperando