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Mostrando postagens de agosto, 2021

Rio, 31 de agosto de 2021

 Diário,  Gosto que termine o mês de agosto, finalmente. Dias de sustos e tristezas agudas. * Deste lado do mundo ou do lado de lá  há vazios e destemperos e calamidades. * Talvez nos reste tão pouco. Nada senão muito trabalho e feridas a curar. * Amanhã  Quando o amanhã chegar Os vazios abrirão portas Muitas portas e vãos  E a dança no lugar das mãos  Em sinal de esperança  Um pouco de tudo nos dará uma outra vez * Setembro, De ti ainda espero flores Nas palavras que dizem muito E rasgam a própria ferida Com tudo que um poema pode dar

Diário, 29.08.2021

Leitura de Domingo Quando a senhora Misericórdia passar deixem os caminhos abertos para que ela possa levantar dos poços as crianças e os idosos e suas mãos leves ajudem a parir os bebês que nascem nestes voos sobrenaturais Quando branca no ar a senhora passar como um pássaro suspenso de abandono  e trazendo a cura entre os dedos deixem que ela se aproxime das pistas do aeroporto ou das areias do deserto Domingo segunda-feira ou sexta-feira são dias iguais na superfície da terra que lamenta e sofre despede-se com sede de tantos: momentos horror sem piedade Deixem a senhora Misericórdia                                                  passar O poema é um ciclo Letras em trânsito no instante fugaz * Momentos  Não há sinais de paciência Meditar na desordem do acaso *

Diário, 28.08.2021

Leio Leyla Perrone-Moisés com prazer e interesse. Vivos na memória  (Cia das letras, 2021) é um livro de surpresas e encantamentos. Não só pela escolha dos escritores citados e da vida partilhada naturalmente (em viagens ou encontros literários) com alguns dos mais queridos e conhecidos ou estudados autores de nosso tempo mas, também, pela própria vida da intelectual e crítica literária, aqui, relatada.  Entre as vozes recuperadas em histórias afetivas estão os casais brasileiros Leminski e Alice Ruiz quando jovens e vivendo na casa da Cruz do Pilarzinho, e Caetano e Dedé em meio às experiências de exílio no apartamento de Londres. Na viagem da leitura encontramos Haroldo de Campos, Roland Barthes, Jacques Derrida e Eduardo Lourenço abrindo ciclos de conversas com brasileiros, portugueses e franceses - todos eles também nossos amigos, em livros lidos e festejados. Leyla, que agora sabemos somar-se em mais de mil, nomeada está por Michel Butor como "mil leylas e uma leyla."

Diário, 27.08.2021

 Escrevo: Quando o amanhã se desfizer em nuvens onde estaremos nós, que construímos  somando e dando as mãos aos povos da floresta? E pisando folhas amareladas pela chuva  cantamos às formigas no calor que vibra nas raízes.  Onde amarraremos as incertezas destes dias? E os risos das crianças? Quando o amanhã se desfizer em grãos de areia ao vento onde vamos pisar? Onde vamos lamber o sal dos mares? (e onde guardaremos as lágrimas sem caligrafia?)

Final da noite

A dor se estende em nossas mesas Em nossas ruas as luzes silenciam ...

Palavras de reflexão

 Como um presidente dos EUA diz palavras de tanto ódio? Diante de uma tragédia desdobrada, as palavras poderiam ter sido  de mais ponderação.  * O mundo não precisa de ameaças nem de  vinganças !

Diário fotográfico

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Diário, 26.08.2021

Janelas abertas O calor é parte da cena diurna Um vento quente anuncia que o tempo vai virar São tantas as variáveis desta manhã: os livros tão aguardados chegaram ontem e a paciência espera lenta, sentada perto de mim Um gato pintado de dourado anda de um lado ao outro do sonho Olhos grandes e amarelos refletem o tom do inverno adormecido

À noite:

 Sinto ter que dizer que o mundo precisa aprender a partilhar vacinas! Enquanto alguns países querem vacinar as pessoas com uma terceira dose, há  países que só  vacinaram 2% de sua população.  É tudo triste demais... * E os EUA estão enfiados nesta história vivida no Afeganistão até o pescoço.  Tudo o que estão agora  fazendo ainda é pouco!

Diário, 25.08.2021

Há quase 20 anos publiquei Leminski, guerreiro da linguagem pela 7Letras. Salve Leminski! Naquela época, havia terminado um mestrado em Letras na Puc-Rio (2000-2002) dando um giro  bem acentuado na minha vida de psicanalista. Um novo tempo começava e me autorizei  escrever mais, ler muita poesia, e viver respirando livros e ensaios literários. * Rugas passageiras As rugas fazem parte da paisagem Desdobram-se em expressões e ritmos Não encobrem a dor nem as saudades São fontes de areias e ventos  Navegam veleiros de mar aberto E velas de muitos mastros Muito rápidas se dão a ver no horizonte Enquadram rosto e pescoço Perto de mim,  na tarde que se oferece ainda inverno  soam pássaros, passos e ruídos

Diário fotográfico: Cerisy - Normandia

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Fotos com cenas do Castelo, jardins, sala de conferência,  sala de exposição e detalhes dos dias encantados que vivemos lá em agosto de 2015, durante uma semana. O Colóquio Francis Ponge faz seis anos durante esta semana  de agosto de 2021.   

Diario, 24.08.2021

Faleceu o importante filósofo Jean-Luc Nancy. Ficamos tristes com as perdas de grandes homens de nosso tempo. Recentemente publicou Un trop humain virus , Bayard. 2020 Estamos tristes com este momento do mundo, com o que acontece no Afeganistão, com os desmandos da política no Brasil, com a falta de consciência da importância das medidas de restrição, com tanta insanidade ao redor... Tudo me parece muito sombrio! Resistir!

Diário, 23.08.2021

 Vivemos dias  (...) E aguardamos

Algumas poucas palavras

 Diário, 21.08.2021 Éramos quase 300 participantes, ontem à noite, no zoom comemorativo dos 40 anos da Escola Letra Freudiana. A festividade recolheu depoimentos e sorrisos de Membros e participantes e colaboradores,  convidados, leitores, artistas, músicos, e psicanalistas de outras Escolas de psicanálise.  O momento de emoção maior chegou com o filme realizado pelo cineasta Daniel Herz com cenas poéticas filmadas dentro da Casa onde funciona a Escola há algumas décadas. Entramos no túnel do tempo... e a memória nos levou das cenas realizadas nos jardins e nas escadas, nos banheiros e na biblioteca, na sala de reunião, pelas paredes desta sede-escola de construção de estudos psicanalíticos às nossas próprias experiências,  vividas nestes espaços da Escola. Escada íngreme Degraus leves Densos ensinamentos leituras estudos Freud, Lacan Joyce, Blanchot  Guimarães Rosa,  Duras, Walter Benjamin,  Paul Celan  João Cabral, Francis Ponge  Etc. Cinem...

Diário, 20.08.2021

 Escrevi em 20.08.2020 Poesia na floresta A folha verde conserva o sonho de uma árvore Desdobra-se em pequenas gotas a seiva que escorre lenta Para o rio correm ruídos de araras azuis A paisagem é lavada nas águas da chuva Abençoada pelas mãos das índias Rasgada na luz do sol com encantamento No sussurro da primavera renova-se Ante cipós e galhos longos soltos Caídos no esquecimento do rio São dias difíceis os dias de fogo em labaredas tontas tortas A floresta queima indefesa sua flora A vida que os deuses nos deram desaparece Um rito em canto fúnebre se mistura Na vida da floresta Onde o que era louvado no espaço De praias de águas doces ribeirinhas Vai devastado pelo fogo Morrer de repente em mãos assassinas (P. 218 do Diário de um tempo indeterminado)

Diário, 19 de agosto de 2021

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Intimidades:  

Diário, 18.08.2021

  Meninas Houve um tempo em que as meninas cresciam brincando de bonecas e com cantigas de roda davam as mãos e rodavam saias risonhas. As meninas de nosso país ainda brincam. Mas no Afeganistão ou na Síria as meninas crescem sérias ou tristes. Houve um tempo em que mentir era feio e ficávamos de castigo se uma mentira, só uma vez, fosse dita.  As mentiras agora proliferam ao vento e, até, participam da política. Os tempos são outros assim como as velocidades e os medos. Não temos mais medo de escuro, certamente. E nem o encontramos mais...  As luzes das estrelas vibram longe há muitos anos-luz.  E os néons participam das caminhadas. Alguns homens não temem ser punidos por atos insanos ou perversos que  praticam. Atravessam portas e leis nas sombras sem cerimonia. Meninas do Afeganistão não sorriem mais Olhos grandes abertos ao mundo miram um futuro bizarro Nossos pés e nossas mãos assistem Mulheres do mundo se movam!   Somos muitas: negras, brancas, amarel...

Diário, 17.08.2021

Fotos antigas e pensamentos à deriva Em 2017 o natal foi em Guarapari A praia do Morro permaneceu com o tom de férias e devaneios Éramos tantos nos mergulhos e nas areias finas refrescadas pelo vento naquela época da infância Alguns tios ficavam vermelhos  e do sol tostados iam envelhecendo devagar Crianças trocavam de pele  à maneira dos jacarés (todos os verões ombros e narizes  eram testados) Frutas na mesa grande retangular da casa de meus avós Melancias e jacas de perfumes doces Um tanto indignada porque  nem todos queriam participar inventei teatrinhos de diálogos e músicas Volto por lá se assim o desejar... Rostos risonhos de tios e primos me visitam de formas diversas Mas o olhar azul de meu avô chega sempre misturado ao castanho delicado dos olhos de minha mãe; uma sombra solta no meio do verso Um querer e um inventar sem demagogias que a letra e só ela me dá licença de oferecer aos leitores no instante onde quase tudo se mostra tão insolente 

Diário, 16.08.2021

Dias de poucas esperanças dias de muitos lutos Céu azul blue Dias de irracionalidades dias sujos loucos brutos Blue azul Dias de homens sádicos e satânicos dias de mãos lavadas em money Blue

Em 15.08.2021

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 Bom domingo com Bob Dylan!

Diário, 14.08.2021

Ir e vir na página escrita Recuperar a gramática do sono Os sonhos dizem muito e mais ainda O abc dos verbos em movimento  Sorrisos versos visões  Tragédias andam rápido demais  Qualquer tempo e lugar Proclama a chama Almas se movem Um dia de diálogo  Uma noite de luz  O céu aberto de estrelas

Diário, 13.08.2021

 Lucidez  Diante do mundo incompleto desigual profundo onde tudo parece já ter sido pensado e escrito é preciso avançar no escuro devagar. Perdas abnegações e riscos se somam no estranho mundo cada vez mais devastado. Palavras fugidias dizem muito pouco. Traços transparentes na página comovem. Eliminam-se corpos a cada segundo: o que se apaga arde Impossível a vida se mostra ferida de morte. A terra grita seu canto. * Pulsa a flor em chamas * Raízes do corpo rente ao chão * Mãos vazias suplicam

Diário, 12.08.2021

 Uma tarde fria Alguns se despedem com flores Outros com lágrimas quentes No pensamento o norte é agradecer Alguns ainda carregam bússolas e máscaras nas mãos Mas no momento da navegação maior: Velas ao vento       * O poema é antes outrora o verde do sorrir sem cerimônia agora o brilho da oração A boca do mundo continua a soprar onde muitos mentem e o fogo arde ...  * Poema sem descanso Há longas distâncias na terra Sem errar na dicção a fluência aguda e justa do poeta  diz o mais necessário O verde é sempre verde e a árvore vibra O chão de nossa terra é de todos nós Mas na janela de cada um os olhos somam ao dia o que é preciso ver pra acreditar Assim a terra se move e o descanso não anda junto ao descaso

Diário, 11.08.2021

Uma respiração, um sopro... Leves ao vento da manhã árvores balançam Dias de lâmpadas acessas Os passos restam  nos caminhos já dados por todos nós Movemos em suspensão alguns dados * Recomeço O mar nos faz navegar As ondas grandes ou mínimas recuperam nossa respiração * Dias de nuvens brancas ou não Apelando à claridade abrimos os olhos * A terra é sempre um amanhã * Com os pés na terra e os ombros nas nuvens caminhar bem alto

Poesia no jardim

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Já chorei pelos tanques de ontem e de hoje Estranhos dias guardo nas entranhas Palavras e gestos  misturam-se no solo Flores secam lágrimas                                                          Bastão do Imperador                                                   Foto feita por mim hoje, no mesmo local                                                   onde José Eduardo fotografou o poeta Henri Deluy                                                   em 2007

Nota triste

Faleceu, hoje, de complicações de covid o querido professor da UFRJ Pierre Guisan. (E havia tomado as duas doses da vacina). Vivemos dias tristes!

Diário

Rio, 10.08.2021  Um dia ameaçador Resistir!

À noite

 Atenção  meus caros,  Coincidência não existe! E...ninguém aqui é bobo!

Rio, 9.08.2021

 Diário,  Hoje é segunda-feira e ainda faz um pouco de frio por aqui. Mas os dias nascem azuis. Experimento emoções estranhas. Uma vontade de viajar, e, ao mesmo tempo um não saber. Para onde ir?  O mundo ainda vive dias de sacrifício. As pessoas divergem sobre qualquer coisa. O perigo mora ao lado. Sustos, incêndios, loucuras demasiadas, mentiras e armamentos se mesclam no  ar. Nas telas das tvs as mulheres afirmam vontades pertinentes. Todavia, devo estar envelhecendo porque estranho muito as maquiagens com cílios postiços. E já os usei em bailes de carnaval  e em festas de casamento. Porém, agora, acho tudo excessivo. O frio, o medo, as fardas, os  cílios postiços... * E salve o Dia Internacional dos Povos Indígenas! Salve os povos da Amazônia! *

Diário, 8.08.2021

 Silêncio 

Rio, 7.08.2021

 Diário  Os dias se confundem em minha mente. Entre medalhas de ouro nas Olimpíadas e confusões políticas meus olhos vagam. No espaço da manhã É Gool ...

À noite

 Minha tristeza se estende aos incêndios  da Grécia. 

Ainda hoje:

 FORA BOLSONARO!!!

Parece quase intransponível

e... minhas lágrimas escrevem a tristeza que sinto neste momento de meu país. É um dia embaçado.  * Que vergonha a posição do Dep. Arthur Lira!

Diário, 6.08.2021

  Romã amor Asa asa Rosa cor e flor * Casa Casa de pé direito alto Sem muro Guardados quartos  Espelho moldura antiga Consumindo rostos Imperfeições Passos e pesos habitando estantes  Inventam noites mal dormidas

Diário, 5.08.2021

Um pouco e muito O fio do pensamento corre, enquanto escorrem os pingos frios  nos cabelos recém-lavados.  É nesta casa que escuto ruídos e sonhos. Contudo nem sempre foi, aqui, que os sonhos foram sonhados. Não desisti. Não costumo desistir. Lutei, às vezes parecendo  estar perdida mas não estava.    E continua sendo nesta casa onde encontro o que parecia ser  pouco e, agora, se faz tanto que os sonhos se sonham... *  Insisto nas leituras e nas pesquisas literárias. O diário segue o mesmo projeto. Cria asas em um mundo muito estranho. E os dramas acontecem pra todo lado.  A carne dos poetas vinga e respira. É preciso resistir... *

Diário, 4.08.2021

Romã De manhã a flor  vermelha brota botão   Abrirá no dia seguinte  miúdas pétalas A haste tombada  aguarda (o movimento natural)   

Diário, 3.07.2021

          Amigos, ontem, foi um dia importante para todos nós brasileiros, que vínhamos vivendo dentro deste momento político de tantos desmandos e desmontes no que já havia sido  construído, democraticamente, no país e ao longo de décadas. Hoje, respiramos melhor! Seguimos acompanhando os próximos passos de nossas instituições com alguma apreensão, porém com mais esperança. Já conseguimos assistir um pouco as belas surpresas dos Jogos Olímpicos!  * No aberto do pensamento Os dias ainda dentro de casa. O inverno toca o obscuro das palavras.  Algum vulto se desenha do lado de fora.  Atravessa ausências. O (novo) personagem não se apresenta. Nós o aguardamos no sol e na constância dos dias que se movem. Uma vez e outra mais. Há muito a construir. Crimes e confusões devem sair  do caminho nestas manhãs que procuram mais e mais luz. Alguns personagens não sabem a hora de  sair de cena. Punições vão surgir. Vozes se unem no aberto  ...

Diário,

 2 de agosto Madrugada gelada  O dia nasce límpido Surgimos da noite de sonhos Plantamos nossos pés devagar na terra que devemos proteger Com a voz somando-se às marés que nos cercam e alimentam a casa sempre limpa sustenta o poema que nasce * Aqueles que partiram deixaram-nos de repente E ao longe no mar alto  de nuvens brancas e gordas a espuma o vento e as mãos se despedem das cidades Que alguém repita os nomes bordados nas areias frias onde ressoam versos em línguas distintas 

Ainda quero comentar:

 Discurso vazio de nosso secretário Municipal de Saúde, hoje, na Globo News . Lastimável... Explico: não há como manter um projeto de abrir a cidade em setembro pra 4 dias de festas  dia e noite, porque seria uma loucura completa!

Rio de Janeiro 1de agosto de 2021

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