Postagens

Mostrando postagens de abril, 2012

Mont Saint-Michel e anotações delicadas

Imagem
                                             Imagem retirada do Le Figaro 28-04-2012:                                              Saint-Michel em 2025 Anotações delicadas Os degraus enormes e inúmeros do Mont Saint-Michel são irregulares. As pedras guardam imperfeições de superfície e obrigam ao passante - viajante ou não - uma respiração diferente para atender as necessidades do corpo.   Subida íngreme. À primeira vista, confunde-se a visão que obriga a observação do mar de perto de longe e mesmo no horizonte longínquo.  Raios de luz azuis e amarelos. Infinitas areias. A maré rapidamente se espalha em espaços amplus. Uma bruma espuma ou lã agasalha o olhar.       Fotos de José Eduardo Barros ...
Imagem
                         Evento Experiências de Tradução II, na Mediateca da Maison de France-RJ

Algumas histórias do mar

Imagem
                                                                          Foto de José Eduardo Barros 1. As pálpebras e as pupilas se assanham em movimento.  A onda e o vento dizem as regras ao corpo: Não force os joelhos Segure o equilíbrio Firme os pés batendo-os devagar. Dobrada a onda [em espuma] carrega o esforço ali onde se passa alguma coisa doce e musical. 2. Nada se agita exceto o som rouco quase frio e distante. O fundo do mar é uma espécie de casa grande com a vida circulando em todos os cômodos. Seus habitantes respeitam a diferença de forma vasta. Não há muros nem paredes e todos têm espaço, embora alguns só circulem à noite. As rochas negras ou verdes de tapetes-musgos abrem suas fendas e, aos mais distraídos, oferecem refúgio. As areias dão o...

Praias e pedras da costa brasileira

Imagem
                                          Salvador, Bahia                                           Fortaleza, Ceará                                                        Guarapari, Espírito Santo                                           Parati, Rio de Janeiro                                          Leblon, Rio de Janeiro                           ...

No outono,

o ar em movimento... em nossa "intimidade" os desejos tomam posse da mais profunda respiração e os gestos carregam o mais distante de nossa humanidade (grega, judaica, cristã)? Fixados nas pedras, nossos movimentos marcam uma memória sensorial muito antiga. Na poética tanto quanto na psicanálise (em sua prática) encontro razões para me confrontar com o tempo, a história, o desejo. No movimento sempre relançado, a imagem em sua relação com o sonho nos apresenta sua questão. A imagem de um sonho - até mesmo esquecida - em um relato que tenta desenhá-la mas não consegue. Resta apenas um gesto. Qualquer. As imagens se fazem e se desfazem. A palavra restitui a memória, a sua superfície legível. Acaso, já pensamos que são as imagens que nos levam a "ver" o sonho (nestes espaços em branco nos quais eles muitas vezes se mostram?) rio de janeiro, 15.04.2012.

Arquivo pessoal

Imagem
                                        Em Siena (Itália), 1985. Foto de Xavier de Albuquerque. Um gesto de ar no movimento do corpo. Uma ação reflexa?                               Um sopro. Nossos gestos marcados pela emoção testemunham algo do vento? (a cidade de Siena respira em meu corpo) O ar visceral. O sopro do vento. O silêncio.                                                Fragmento do livro Quase sem palavras (escrito no final da década de noventa, e muitas vezes reescrito.) ...

Roma em claro-escuro

Imagem

Meus caros leitores

Sobre o livro: O idioma pedra de João Cabral ed. Perspectiva. Coleção Estudos O poeta João Cabral de Melo Neto construiu, ao longo de sua obra, uma poética mineral. São versos, metrificados ou não, que contam muito da vida do Nordeste com seu povo e seus hábitos. A sua linguagem – aqui nomeada “idioma pedra”, alimentada na memória de uma infância vivida em meio às canas e às usinas de açúcar, em Recife, com a seca e a fome dando direção à mão que escreve – traduz um Brasil singular. Alguns de seus poemas como “Morte e Vida Severina”, considerado um Auto de Natal pernambucano, e “O Cão Sem Plumas” ou “O Rio”, empreendem uma viagem na escrita que nos levam a querer ler poesia brasileira, pois o aprendizado se dá com as narrativas de costumes e de geografias várias. Tal empreitada avança com as palavras de pedra, caroço, osso, faca, deserto, entre outras, para identificar na língua um “escrever em nordestino”. O poeta João Cabral apresenta os seus poemas perseguindo uma construção arq...

Poema

Crônica de carnaval                                                 A febre    o calor a bruma do mar Um oceano de sacos p l á s t i c os lixos em demasia Fim de carnaval: a escola campeã cor de barro trajou o nordeste sertanejo Além do cantador s e v e r i n o s e a voz da bateria (samba  baião xote   xaxado) Na sanfona de Luiz Gonzaga mirou-se sertão e forró pé-de-serra longe   longe Os blocos: bêbada alienação e muitos goles “Três dias só ... só três” é pouco Álcool   álcool Mais   Mais ! até (gratuitamente) por estas e muitas outras bandas Final de fevereiro, Rio de Janeiro (i) mundo

Caderno de viagem

Imagem
Paris, le 29.12.2008. 1. O bairro do Marais estava em festa. Comidas típicas judaicas; sabores doces e agridoces. O frio dava o tom aos agasalhos que se misturavam com o olhar do passante: europeu, japonês e brasileiro. Todos trafegam em todas as direções. Ela olha os detalhes das portas enfeitadas nessa semana de Festas. Desenhos coloridos conduzem esse momento. 2. Não consegui ver as luzes de Natal da Cidade-luz! Escutei nas folhas dos jornais as bombas explodindo famílias na Faixa de Gaza. L'Humanité escreveu na primeira página: "Près de 300 morts et 700 blessés à Gaza." (lundi, 29 décembre 2008).