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Mostrando postagens de novembro, 2020

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 Ainda em 30.11.2020 A casa demolida São muitas palavras a correr da boca à nuca, pulsando pelo corpo inteiro. Os dedos das mãos não desmentem nada: assinaram o papel. A mentira não reverberava sem cor  no chão limpo e lúcido daquela casa. Os limites ultrapassados agora sonham e pesam e os nomes serão depois, certamente, esquecidos. Junto ao muro da casa de tijolinhos vermelhos escutei músicas no violão  e histórias transparentes me foram ditas. As estrelas podiam ser nomeadas do chão. * Eis que os sonhos tomam tamanhos absurdos e a língua arde... * Na minha casa o princípio e o fim moram muito perto Nas paredes claras a luz do sol alcança o verso e o muro se deixa escrever Quem saberá o nome do que sinto agora? * As palavras estão gastas  e o que acende o desejo acelera o tempo de escrever Livre o vento fura tudo e quase apaga a lembrança sem idade...      

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 Rio, 30.11.2020 Nota de assuntos diversos, Mais um novembro parte. Vivemos em meio aos transtornos de uma política  continuamente tão insana, que só dá lugar às disputas das urnas. As palavras se perdem sem orientação diante de uma pandemia desmedida.   Escutei de fontes diversas e fora do país: O presidente do Brasil disse que só vai vacinar o cão!  Ele diz que não tomará vacina! A Alemanha se prepara com antecedência para conseguir armazenar as vacinas para  o corona vírus e distribuí-las com dedicação. A Espanha também tem um projeto de  vacinação sendo instalado no país assim como a França e a Inglaterra. Por aqui, meus  caros nem se fala a respeito. E morrem e morrem e morrem centenas e milhares de  pessoas todos os meses... E morrem, também, centenas de jovens nas travessias feitas em pirogas grandes  que partem lotadas (com homens e mulheres e crianças que pagam de 400 a 500 euros  por pessoa) para as ilhas Canárias. São 5 o...

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 Rio, 29.11.2020 Lua cheia de luz Ilumina os sabores do mundo Os gritos das cigarras na tarde que não ardem mais perto do perfume do mar *  Em vão procurei as estrelas as praias vazias e as ruas de antigamente De espanto em espanto meu olhar se perdeu *   No vidro da janela embaçado o rumor do mundo cada vez mais confuso chegava em ondas vagas * A casa desmontada no chão: cascalhos e pedras em demasia O jardim da memória guardará seus anseios Assim como as estrelas do mar em misteriosas profundezas salvam os dedos mansos da melancolia  

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     Rio, 28.11.2020 A partir de um e-mail recebido de uma francesa, retomei meu livro Movimentos e   traduzi um fragmento que enviei pra ela. Fizemos a foto deste instante a pouco,  com alegria.  

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 Rio, 27.11.2020 Deslizo em silêncio nas asas de uma ternura quase desconhecida Os veleiros levam os assombros para longe Não espero só o dia seguinte sob a luz azul e ardente Guardo o não decifrado e não deixo o estranho de lado Navego junto aos peixes em abismos Baleias grandes bailam na superfície Fixo com os olhos da razão o mapa mundi aberto 

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 Rio, 26.11.2020 Lamentos de primavera                                                               para Anna Akhmátova Necessito novas paisagens Melodias cantadas no som da bossa-nova Com a proximidade do verão necessito das ondas inquietas de espumas bem leves Nestes dias amargos de sombras longas procuro me recolher Sou uma ilha ou uma costa batida pelo vento sul   No final deste século saberemos mais De onde soprará o vento e o vírus  misturados aos lamentos Cai nos meus ombros um pouco de tudo do que me foi destinado 

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 Rio, 25.11.2020 Amigos,  precisamos sobreviver a este Tempo de tantos horrores. E precisaremos testemunhar!

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 Rio, 24.11.2020 Nota sobre o livro de Régis Bonvicino Ontem, tarde da noite, escrevi algumas linhas buscando encontrar o tom a dar ao libreto,  que participa do trabalho poético e sonoro do livro (ainda inédito) A nova utopia. Fotos em pb (in close) compõem as páginas difíceis de ler. Lado A e Lado B Poemas a se dar a ler e a ouvir (...) Prefácio de Alcir Pécora: "Ninguém está a salvo, muito menos o poeta" e "Orelha" de Luis Dolhnikoff que estimula a importância de se ouvir o áudio com "tratamento sonoro de Rodrigo Dario" para as leituras de Régis, Charles e da soprano Caroline De Comi. Podemos até mesmo afirmar que são cenas em flashes de asfalto e sujeira as que visualizamos, de imediato, na escrita que se mostra nua. O "real" da vida em sua desumanidade comido pela fome, pelas drogas, pelo álcool: a violência  de nossos dias neste difícil século.  Um libreto carregado dos flagelos humanos.

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 Rio, 23.11.2020 Manhã de novembro Revolver o pensar e não se deixar escurecer com a lembrança. Os que fazem a festa desmedida mais parecem zumbis da madrugada.  Porque cheguei até aqui com o olhar voltado ao mais delicado, Mesmo que meus pés sintam o peso dos caminhos Na solidão dos vazios e das palavras sussurradas Mesmo que as coisas desaparecidas continuem impregnadas no ar E esta manhã surja em um misto de gracejo e dor. * Poeira e ruas do passado sobram nas beiradas da escrita Quando você vinha brincar comigo E as fantasias não eram de carnaval.

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Lisboa em 2017  

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 Rio, 21.11.2020 Toda vida humana importa!

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 Rio, 20.11.2020 Vidas negras importam!

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                                                     Em Veneza, durante a Páscoa de 2018.  

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 Rio, 19.11.2020 Nota matutina Comento com estranheza, que os jovens já cansados da pandemia fazem festas nos finais  de semana e se contaminam de covid, e contaminam familiares e amigos ao redor. Os  hospitais já estão bem cheios em S.P e, aqui, no Rio também.  Os políticos insanos de nosso país continuam a falar da mesmice desejada no momento:  vacinas que estão a caminho, mas não serão distribuídas tão cedo, em um governo federal  sem pé nem cabeça. A prioridade é ser macho! Alardear com novos parceiros, até mesmo  com o presidente russo que vibra com o assunto.  Seria cômico se não fosse trágico, não canso de repetir!

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Comento que no dia 5 deste mês conversei       em uma Live com um grupo pequeno de alunas                   e professores da Universidade Federal de Juiz de Fora,                   que trabalham com a língua francesa sob a orientação                da professora Mayra Guedes. A gravação pertence à                                    Universidade. Foi uma experiência bastante interessante e única.                        Falei sobre o livro Traduzir, testemunhar Francis Pon ge                          e li um fragmento de minha tradução do livro N ioque antes  da primavera , ambos editados pela Lumme.      ...

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 Rio, 17.11.2020 O mais desejado O espaço nem sempre é plano na sobriedade necessária Em 2021, 70 anos! (quase um susto) A alegria está mais rara em palavras. O olhar mais vibrante O desejo sempre sincero, poético À janela voltada para o outro recebi o ar outonal ou primaveril  E entre partir e renovar  liberto o pensamento novo aberto na pedra calma No papel pele a letra recobre o real insistente.    * São dias únicos quando a leitura se faz alimento. Recebo livros de presente de amigos poetas. Agradeço. * A leitura persiste em um mundo pouco verde e um céu menos dourado. Liberdade rala. Gratidão aos livros: lentidão e alento. O pão e o vinho... um abraço. Abro a palavra e firmo a escrita no campo de terra e fogo. Vivo o sabor destes dias com a boca sedenta, impaciente  percorro a sombra do silêncio.

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 Rio, 16.11.2020 Verão ardente  se acomoda devagar sem delícias aparentes nem mesmo as dos encantos  no final da tarde Verão espanto  e silêncio Todo o mar aberto e o peito fechado protegido, mascarado... O tumulto das escolhas novas sem maiores surpresas Verão sem doçura guarda dedos fortes no chão onde pisa (Dezembro se aproxima qual um animal de patas selvagens) Necessário respeito se abre mas o beijo  ainda tem lugar

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 Rio, 15.11.2020 Verde é o dia que acorda hoje de rios e montanhas e florestas abrindo-se ao mar e aos animais e à dança Redonda é a terra e a lua cheia de reentrâncias   nas belezas iluminadas pelo sol astro maior e digno de grandeza Verde muito verde é o dia de hoje nas escolhas e verdades de um futuro de pulso ativo, fora das incertezas que nos consomem  * Hoje é o dia mundial dos pobres! Que possamos dar a nossa mão aos pobres!  

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Rio, 14.11.2020 Quem se reconhecerá nos braços do amado ou na mesa posta rodeada de amigos  quando esta pandemia acabar de fato? Exatamente, quando for possível olhar em torno e não sentir medo, nem será preciso segurar a máscara com a respiração  forçando a torrente sanguínea durante a caminhada. Sempre será possível encontrar o anjo da esperança...

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 Rio, 13.11.2020 Hoje é sexta-feira, 13 de novembro. A página aberta                          sem temor anuncia com a mão livre o princípio de um final de ano * A areia da praia  arde ao sol um pouco tímido sem verão A boca abre-se em desejos novos Ainda dói  e braços e abraços aguardam em silêncio

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 Rio, 12.11.2020 Tudo ou nada no campo de visão interrompido; paisagem sombria quase branca, aberta Um espaço sem saber algum, e as mãos de movimentos largos, nesta tarde quieta de planos súbitos, esperam a respiração das flores novas * A sala e o quarto no compasso de espera estabelecem as horas  Madrugada que se debate entre aromas e cores * O texto e a foto saem no instagram: pedaços de história a desvendar em um terreno novo, delicado

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 Rio, 11.11.2020 Nota matutina Amanhecemos no silêncio da manhã, que ainda reverbera com as notícias loucas de ontem: as falas vazias e confusas de nosso presidente desconhecem até os princípios da Diplomacia entre os países amigos! * Os caminhos são longos e as esperas me parecem longas demais... * A cada dia partimos um pouco e as horas se despem

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Rio, 10.11.2020 Entre restos e vestígios organizamos o dia nem sempre de sol A terra gira no espaço Árvores e nuvens se aproximam em meio às casas caiadas de antigamente e os espaços perdidos de florestas * Troncos queimados e negros esculturas a céu aberto Figuras nuas e fumaças * Feridas raízes se confundem  retorcidas em baixo da terra * Algumas árvores permanecem entre besouros e abelhas fugitivos * A noite escura brilha com a lua cheia dourada Confundidas imagens caem na memória dos homens; nuas as frases ficam  no desamparo

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 Rio, 9.11.2020 Escrevo nesta tarde fresca de primavera: Poema encontrado Na paisagem perdi alguma coisa muito antiga Entre os sapatos deixei a liberdade passar Seguindo a lei dos homens corrigi o mais estranho Pisei no chão outra vez  Senti o mundo: as estrelas bem perto dos dedos da mão no pálido luar * Casa imperfeita: corredor estreito demais e quatro janelas grandes Um espelho na parede abre a sala ao mundo Tetos altos e surdos afloram Os quartos sopram magias Não fico submersa Converso com os passarinhos da janela  Procuro os gestos precisos e mudo os objetos de lugar

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 Queridos amigos, podemos voltar a sonhar! Ainda vivemos Tempos difíceis, mas ficou mais fácil respirar...  Cada ser humano importa, e a vida seguirá, de novo, com mais delicadeza. Devemos voltar a sonhar, Yes, we can!
 Parabéns a Joe Biden! I’m so happy! Viva a democracia! * Que beleza, Kamala Harris! Congratulation!

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Rio de Janeiro, 7.11.2020 Nota matutina:  Morre em Paris de Covid-19 o cineasta argentino Fernando ‘Pino’ Solanas aos 84 anos. Ocupava a função de Embaixador da Argentina na Unesco.  * Enquanto isto nos EUA a incidência de contaminação do corona vírus aumentou drasticamente. E preocupa muito pelo número de mortes neste momento de luta e manifestações no final das apurações  Eleitorais. * Usem máscaras, aqui ou lá, elas protegem bastante.
 ... ???!!!

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 Black Votes Matter!

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 Acabei de receber e republico. Parabéns a todos!    Bonjour à toutes et à tous, En attendant que nos lectures puissent u...

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 Rio, 4.11.2020 Notas: Cansada das notícias sobre a eleição americana, que me parece um reality show de mau gosto! E na torcida por Biden! Amanhã, farei leituras de minhas traduções de Nioque antes da primavera  de Francis Ponge  para um grupo pequeno de alunos da Universidade de Juiz de Fora. Conversarei sobre escrever e traduzir poesia em nosso tempo. * Nioque antes da primavera Paris,22-23 de abril de 1950           Do Oeste, vêm por rajadas as grandes preocupações, os escureceres azuláceos (carre- gando (ocupando) com um cenário movimentado) todo o alto (os dois terços superiores) da página e algumas vezes umedecendo-a toda, molhando, respingando às vezes até no leitor (na moldura de sua janela).          (Todo o espaço entre o leitor e a página atravessado, aliás, pelo vento (pleno fluxo) de pleno açoite)      (Plenitude de tudo isso: tão pleno quanto meu próprio corpo.) PS. p.129. Trecho incluído a ped...

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 Rio, 3.11.2020

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 Rio, 2.11.2020 Entre as dobras da mão a flor - no recorte da janela em dias de quarentena preventiva - desdobra-se * Nota de preocupação: São muitas as informações que se aproximam, e,  quase todas vindas do outro lado do oceano. Alguns países se fecham totalmente ou quase. O vírus do covid-19 retorna na Europa. Os governantes egoístas só pensam em si. Quem pensará na população? Já é tempo de aprender com os cientistas.

Cidades, igrejas e catedrais

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                                                             Auxerre - França                                                             Borgonha - França                                                            Cidade de Arles - França                                                      Diamantina - Minas Gerais, Brasil                         ...