Diário
Ainda em 30.11.2020 A casa demolida São muitas palavras a correr da boca à nuca, pulsando pelo corpo inteiro. Os dedos das mãos não desmentem nada: assinaram o papel. A mentira não reverberava sem cor no chão limpo e lúcido daquela casa. Os limites ultrapassados agora sonham e pesam e os nomes serão depois, certamente, esquecidos. Junto ao muro da casa de tijolinhos vermelhos escutei músicas no violão e histórias transparentes me foram ditas. As estrelas podiam ser nomeadas do chão. * Eis que os sonhos tomam tamanhos absurdos e a língua arde... * Na minha casa o princípio e o fim moram muito perto Nas paredes claras a luz do sol alcança o verso e o muro se deixa escrever Quem saberá o nome do que sinto agora? * As palavras estão gastas e o que acende o desejo acelera o tempo de escrever Livre o vento fura tudo e quase apaga a lembrança sem idade...