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Mostrando postagens de agosto, 2024

Um sábado

   Ainda inverno no Rio Temperaturas oscilando. O riso guardado no galho de árvores altas. A casa de janela aberta esperando o sol entrar lá.  A mulher envolta em panos deixa ver os pés alvos. Ainda inverno no Rio. Ainda em Gaza crianças são mortas. Mulheres do Afeganistão  cantam a dor, mostram a face. E Greta grita a natureza ! Neste final de agosto, Rio 2024.

Um pouco de ironia no final desta sexta-feira 30.08.2024

E vamos combinar,  que estamos assistindo a França perder a  mão na política,  ou seja o presidente Macron não escuta que está  sendo rejeitado. Enquanto ele espera, cada vez um pouco mais, pois não sabe o que fazer para impor o seu primeito ministro, confirma-se sua perda de força e bom senso. E vende aviões de caça para a Sérvia. Logo a Sérvia, que é tão proxima da Rússia. Estranho, não? Aliás, vale lembrar que ele só está lá porque recebeu ajuda da esquerda na última eleição a presidente. Sabemos que a união para destituir a extrema-direita o colocou lá mais uma vez. Lastimável.  Então, por que teme tanto o pensamento daqueles que foram maioria na eleição da Assembleia? Mesmo que tenha sido maioria relativa, não esqueçamos que houve uma maioria. Ele mesmo até agora governou sem maioria. Alors... * E assistimos a loucura de Israel avançando e matando alguns civis na região da Cisjordânia.  Até quando? * As regras que servem para uns não servem para outros...

Homenagem a Francis Ponge

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Os detalhes de uma paisagem poética em Cerisy me levam nesta escrita cheia de memórias. Voilà! Raízes e névoas  Hoje, quero relembrar o Colóquio Internacional Francis Ponge, que aconteceu há nove anos atrás na Normandia, em Cerisy. Éramos todos mais jovens e alguns eram muito jovens. Havia brasileiros, japoneses, canadenses e franceses neste encontro onde poetas, pesquisadores, professores, editores, artistas, leitores e estudantes se debruçaram na obra de Ponge. O castelo de Cerisy nos recebeu entre brumas e pingos de chuva. O sol chegou depois. Fez frio naquelas paredes altas e as pedras contaram histórias de outros colóquios. Tomamos cidra e comemos divinamente, durante aqueles cinco ou seis dias. As conversas em francês com sotaques diversos traziam os sorrisos.  As fotos, recuperadas pelo Google, chegam aos montes. E publico algumas que comprovam que não foi um sonho. Estávamos todos lá, de fato.                  A todos um gra...

Livros a caminho

 Amigos e leitores queridos  A escrita anda. Saboreia, desvenda, denuncia. Em breve, apresentarei novos livros. Na Lumme editor está pra sair Laços, conversas sobre livros, vida e amizade com pessoas queridas com quem convivi e convivo. Aguardem! E na 7Letras, acabei de aprovar a edição do Livro da Rainha. O texto histórico é rico de descobertas da vida e da sensibilidade da Rainha Isabel de Portugal. Enquanto o frio toma praias e ruas cariocas, cuido das edições dos novos livros. Uma alegria! * Mas, não acontece somente isto. Há um entorno criativo com as comemorações dos 80 anos do poeta curitibano Paulo Leminki. Participo de duas delas. Primeiro, no site do Itaú cultural,  a convite do jornalista André Bernardo e, depois, no Jornal Banquete escrevendo uma resenha a convite do poeta André Dick. E viva a vida literária, que nos alimenta de letras e entusiasmo genuíno! Rio, 28 de agosto de 2024.

Leitura do livro Gradiva verão em 2013

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  Amigos,  Esta leitura foi efetuada no Café Envídia, Lebon- RJ para amigos e leitores. Li a primeira parte do livro. Voilà!

Frio beijo

De tarde os cabelos grisalhos sonham. Suponho. Em breve a primavera terá espaço. Saias e formas enroladas no corpo saltarão das portas abertas dos armários. Digo e repito versos novos, e os velhos de outros poetas brotam nas janelas. Não chegam para ficar estes versos novos. Pedem espaço primeiro nas páginas escritas a mão. Sedenta, a boca, cheia de frio e arrepio consagra ao amor um beijo. Antes da noite escura, antes da noite mais fria ainda. Nas praias sopram os ventos e as areias gritam. Um ar salgado chega perto  entre ruídos de vidros que balançam. Já quase sonho o verão: a lua morna no mar, corpos molhados de sal e lábios felinos. Rio que corre frio, 2024

Nota de final de domingo

 Amigos, Incêndios criminosos acontecem em S.Paulo. Todos eles ao mesmo tempo. E parecem parentes próximos da invasão efetuada e orquestrada pela Extrema Direita que aconteceu em Brasília.  Que mundo é este? Onde estão os homens de nosso tempo? É estranho demais. É bizarro! Rio de estranhezas, 2024

Hoje é sábado

 E o poeta Paulo Leminski faria 80 anos se ainda estivesse entre nós. Algumas homenagens circulam pelas redes sociais e se organizam festas em torno de seu nome em alguns lugares do Brasil. Respondi perguntas que me foram feitas para participar de homenagens.  Publico abaixo o fragmento de uma entrevista.  O poeta Paulo Leminski trabalhou com a linguagem de forma extremamente inventiva. Ao mesmo tempo em que se divertia com as letras, com o ritmo dos versos que brotavam até em guardanapos de papel escritos em bares ou na alegria que a língua lhe proporcionava em criações distintas e multiplicadas, por exemplo na música e/ou nos jingles, alcançou obras de inúmeros grandes poetas e prosadores não só do ocidente (James Joyce, Samuel Beckett, Alfred Jarry, John Fante, Matsuo Bashô e outros) abraçando traduções caras e raras. Podemos sentir ao ler seu trabalho a grande paixão com que viveu criando e subvertendo a linguagem, de forma que nós, seus leitores, tanto podemos nos su...

Detalhes caros

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Na mesa do café da manhã,  um bolo de laranja do Celeiro.  Frutas secas colorem o yogurte natural.  Junto à janela no sol  flores rosas sem nome procuram mais vida. (Respondo algumas mensagens com alegria matutina e escuto Mozart.) * Acontece A vida possível.  Andar na areia, e voar alto até  entre rochas raras. Relembrar o vivido. Acender luzes. Cair. Suspirar e retomar o passo dos sonhos. Saber pouco e desconhecer muito. O mais importante repito: ainda respira perto de mim. Da nuvem restam respingos. E o céu é puro abismo. Invisível azul. Sem drama. Nem endereço. Colinas de silêncio  abrindo esferas novas. Muitos horizontes mais. São quase dez horas da manhã. Alinhavo letras abertas. Perfumes, sabores (a música parou de soar...) Rio de inverno, 2024  

Hoje é sábado

E ligando alguns pontinhos do caminho vejo enevoado o percurso, onde o Real apresenta muito dos excessos vividos. Entre armas e lucros, álcool e drogas, devastação das florestas e pesticidas para todo lado, no vai e vem de um comércio global; o que corre por aqui corre, também, por lá.  Assim, que todos vivemos nos contaminando cada vez mais um pouco. Mas, na sombra dos caminhos ainda brilha o sol! E vamos combinar que não é proibido fazer manifestações. Viva a diferença! Rio acordado, 2024 * Agora é o sul do Líbano que está sendo atacado por forças israelenses.  Em nome de quê? * E o Etna está em erupção com lavas de mais de 9 kilômetros de altura. A Catânia está em alerta. Na região da Sicília, por onde Freud gostava de viajar, e onde estivemos em 2013 maravilhados, a vida é exuberante de natureza, história e monumentos! *

Algumas notas sobre as catástrofes de nosso tempo

Com os pés plantados no chão e o olhar atento a tudo escrevo: O Pantanal brasileiro está em chamas. A guerra da Rússia × Ucrânia se mostra interminável.  A matança do povo palestino já passou de todos os limites. A devastação na alimentação devido aos agrotóxicos matam e adoecem as pessoas. A bebedeira generalizada entre os jovens continua. O excesso de eventos atordoam e alienam.  Ainda e ainda a violência contra as mulheres disseminada de muitas formas na sociedade machista é cruel. O horror tem muitas faces!                          Rio de agosto, 2024.

Um inverno carioca

O frio invade praias, sonhos, janelas e cobertores. O vento canta sinfonias. Agasalhos multiplicados circulam nas ruas do Rio. Olhos focados. E uma flor se abre  urgente no vaso. A manhã cabe entre os dedos. E vestida de azul diz versos. * Acaso as imagens de um amor nos olham com olhos afogados? Não há anjos de olhos fechados nem versos escritos em branco. Quem sonha sonha e o coração bate mesmo na chuva de  relâmpagos.  * O silêncio do abraço é manso.

Um tempo quase

Poucos mistérios nestes dias bárbaros. Entre jogos olímpicos e mortes, muitas mortes passam rápido. As vitórias de nossas atletas trazem algum alívio. Pouco. Quase não vi os jogos desta vez. Ocupada em revisões de livros novos respirei mais rápido. Quando havia tempo, lia ou pintava. Mais recolhida, escolho os momentos livres de forma delicada. No mundo que guardo em meu peito não cabem guerras, armas e soldados. Não suporto violências nem ganâncias nem mentiras nem assassinatos. Gaza à céu aberto é um cenário cruel, bárbaro, bizarro. Traduz nosso momento de mundo cheio de horrores. Os senhores envolvidos nesta barbárie merecem cadeia. Prisão perpétua. E há muitos envolvidos. Isto é um desabafo!

Hoje é sábado

Respirar com os insetos Saborear o dia cinzento e frio                                           deste sábado de agosto e com o corpo coberto de agasalhos leves escutar as palavras que brotam como luz à margem da página. Atravessar em silêncio de um lado a outro letras e pontuações abertas          para ao longo da mesa longa de olhares deixar o gesto quase verbo quase fruta como se fosse um caminho obrigatório. E respirar. A chuva ruído na vidraça acelera ondas de calor dentro de casa. O ritmo em constante mudança invade dedos de unhas claras. Da boca escuto o mais espesso: uma loucura de mundo chega perto e um tremor nos pulsos qual lâmpada acesa longe. Na espaço desta página passeiam e dizem ou não (versos)  um poema de borboletas silenciosas.

Domingo

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 Comemoro ter encontrado nos armários fitas gravadas do Café Letrado de 2001. Pedro Garcia e Armando Freitas Filho E estamos conseguindo recuperar as gravações. São encontros com poetas queridos: Júlio Castañon Guimarães e Paulo Henriques Britto, Arberto Pucheu e Afonso Henriques Neto, Armando Freitas Filho e Pedro Garcia. Em breve, espero conseguir divulgar um pouco este trabalho precioso realizado na Contracapa do Lebon. Viva! Paloma Vidal, Solange Rebuzzi e Fátima Oliveira  (0rganizadoras junto com Augusto Bastos) (Logomarca de Guto Lins)

Fotos clicadas em viagem

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Cerisy et photo de José Eduardo, 2015  Au jardin du Luxembourg,  2018 passeando com Marie (quando fui homenageada na Sorbonne por alunas do doutorado  e pós da Literatura Brasileira de Paris 3) Cerisy, 2015 (quando fomos ao encontro do grupo Ponge, poeta homenageado) Veneza, 2024  Espaço externo de exposição paralela  durante a Bienal de Veneza. VENEZIA e seus inúmeros detalhes. Paris, em primeiro de maio de 2024. Indo ao encontro de Marie Frisson. Em 2022 na Provence (quando fomos ao encontro de  Jean-Marie Gleize e família).                                           Revisitando o  Museu  Bourdelle em Paris, que                                             sempre prestigiamos.                ...

Hoje é sábado

 Vida  Vida que carrega a arte.  E que prolonga em asas o viver. Tempo e temporadas. Artifícios naturais. Árvores desnudadas. Rios e lagos de um tempo que se contamina. Passos rápidos entre pássaros.  Vida sonhada e desdobrada.    * No entusiasmo da respiração  crescem folhas que iluminam. Frutos doces de seios nus que a linguagem aguarda o nome na folhagem embalados restam. Verde que arde verde no muro perto de   mim. Tempo do olhar na transparência de mais um dia. Rio de agosto invernal, 2024

Um sonho

 1    Flutuar nas águas salgadas   Um corpo leve de mulher    Escrever um tremor   que corre o corpo. Ar frio   na lembrança abre a voz 2   O vento leva promessas de alguém    Silêncio calmo no peito   Luz acesa dentro de casa    Cortina branca riscada de sombras 3  Rosto sossegado  Ontem passou pela boca  um gemido de dor   Sem febre o ventre sofreu 4   Agora a mansidão    para acender o dia   em minhas mãos    ardentes.   Rio de agosto, 2024.