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Detalhes portugueses

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Fotos clicadas por mim no Alentejo

Restos

Escrevo e penso... 1. Um passo a mais. Na caminhada olho o mundo ao redor. Há náufragos em toda parte. Crianças boiam nas águas doces. Restos de tudo se mesclam aos sacos plásticos. Homens não cumprem mais as leis. Ninguém se importa. 2. Um passo a menos. Volto da caminhada e não leio mais os jornais. Nada interessa. Penso em escrever as guerras, a fome e este descaso sem vencimento. 3. Domingo. Silêncio. Os sons dos pássaros insistem em trazer a vida. Acordam um sentido quase adormecido. 4. Leio. Walter Benjamim me desperta. A poesia me sacode. O alimento maior é o sol a água e o azul infinito! 5. Fazer e savoir faire (aprender e ensinar). Ouvir as ondas do mar. Respirar o cheiro das matas depois da chuva. Proteger o Amazonas! 6. Não desmatar! As árvores, as mães da natureza estão por lá! Escrevo e penso estes homens-restos a serem banidos enquanto aguardo o ar puro chegar. Em 27 de agosto de 2017

Veneza, 2015

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Restos de um caderno de viagem: Veneza

A viagem transcorria leve não fosse o vento frio da noite um embaraço. Mas, o colorido das roupas e das pessoas aumentava com os agasalhos  colados ao corpo se incorporando às caminhadas. Algumas mulheres russas usavam agasalhos com pelos. As chinesas circulavam com shorts jeans e meias brancas ou coloridas. As italianas vestiam roupas  elegantes e sapatos  de salto.  Perto da Piazza San Marco há lojas de grife: Prado, Louis Vuitton e outras. Algumas obras nas ruas estreitam as passagens. Os operários usam luvas    negras de lã. Trabalham sem parar. Os vaporettos andam rápido desviando  das gôndolas e das lanchas-taxi e de passeio. Há muito trânsito aquático  em algumas horas do dia. Jovens tomam sorvete caminhando. Os sinos tocam! As pontes ficam lotadas. Um engarrafamento humano se apresenta,  principalmente nas pontes da Accademia e de Rialto. O bairro de Rialto parece a rua da Alfândega no Rio de Janeiro. Dez...

Poema em exercício

1. Faz frio no Rio. Um frio intenso arde entre os ossos nas costas. A mulher está sob a marquise da esquina. O cão felpudo e sem banho agasalha. Pouco importa. Chove. O arrepio maior é de fome. A cachaça engana. O mundo ao redor gira. Não há mais as lembranças de ontem. Na rua ruídos atordoam. Os homens passam. Vida sem cor. 2. Em Brasília os homens correm em torno do Poder. Nem se percebem fantasmas. Fantoches de si mesmos. Nada importa na cena conhecida. O drama dos outros homens é ficção para os homens sem medida. A cor e o sabor de ontem se desfazem. Os homens passam. A vida anda. A paciência vem em consolo de aprendizado difícil. Uma responsabilidade a cada dia e a reflexão (em exercício) desmontam o cenário rarefeito. Faz frio no Rio. Mês de agosto de 2017.

O passeio da onça (poema)

Calma. Elegante. Vestida de pele estampada. A onça ao longo da estrada estreita –     rodeada de floresta – atravessou oblíqua e paciente (em frente do automóvel.) Um olhar de luz refletiu o farol. Não se virou nem olhou uma segunda vez. Desfilou. A família assombrada. O passeio daquela noite tornou-se lenda: repetida e permeada  às histórias  de meu pai.    Rio, 1 de setembro de 2014. PS. escrito a partir de um fato verídico vivido na infância em Manaus.

Natureza em movimento - no lago do Jardim Botânico do Rio

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                                                         Flor de Lótus                                                              Vitória-Régia                                            Fotos de José Eduardo Barros

THE LEGEND PLAYS SCHUBERT

THE LEGEND PLAYS SCHUBERT https://youtu.be/L2IF2yFuXIw Clara, a maravilhosa pianista! Clara Haskil toca Schubert

Caderno de anotações - Berlim, junho de 2011

Cheiros, texturas. Arquitetura. Desde as pedras no chão à beira do rio Spree com seus pássaros e jovens de bicicletas caminhamos até alcançarmos os museus de pedra na ilha dos museus Lá dentro, segredos do mundo antigo: gregos e assírios O silêncio caminhou ao lado, e os nossos olhos giraram ou se fixaram nas formas que tomavam as paredes altas Do lado de fora dos museus (outra vez, a vida): os trilhos dos trens os turistas as obras que abriam ruídos Canteiros de obras caminhões e andaimes - amarelos - confundiram as formas do antigo e do contemporâneo. 27.06.2011 "Femme se coiffant" - 1906 - Picasso O que pensaria Picasso olhando a sua amante se penteando pela manhã? A escultura se mostra incompleta. Os olhos fechados e os cabelos longos "Portrait de Lorette" -1917 - Henri Matisse Recolho em pesquisa na internet: Matisse painted her as a flirtatious Spanish señorita in a lace mantilla, a turbaned inhabitant of a Turkish harem and a P...

sem título

ontem as nuvens sopraram no frio da madrugada e os homens buscaram em silêncio alcançar o pensamento as horas traçaram a direção do múltiplo e poucos se firmaram no horizonte próximo os passos os alimentos as raízes as vozes os cheiros a natureza sem voz pede clemência no universo distante não há ouvidos suficientes (o que vinga é o supérfluo o banal o excesso) a tudo meu amigo seremos atentos ousados e sérios no horizonte perto vemos os pássaros as flores o vento e no passo desta manhã onde o sol rompe o intervalo carrega-se de esperança o que pode vir a ser

Qual a saída para o Rio?

Nem sempre a saída para um rio é o mar. Embora, seja sabido que o rio gosta de correr para o mar. As pernas ou os braços de um rio se movem em direções inesperadas a partir da nascente. Às vezes, o rio deságua em outro rio e se torna mais forte e caudaloso caminhando sua majestade, abrindo as suas margens para novos ângulos da natureza, que providencia e fortalece a vida animal com a água que distribui, que se estabelece ao redor dos homens de forma natural. O rio Capibaribe do poeta João Cabral de Melo Neto, agora, corre até mesmo nas veias de bailarinos musculosos que o construíram no espetáculo Um cão sem plumas de Débora Colker . Vibrante espetáculo: belo, poético, forte. Espesso no sentido cabralino. Inesquecível! “Porque é muito mais espessa  a vida que se desdobra em mais vida como uma fruta é mais espessa que sua flor; como a árvore é mais espessa que sua semente; como a flor é mais espessa que sua árvore, etc. etc.”    ...

A "pedra mágica" do poeta Francis Ponge

                                        A “pedra mágica” do poeta Ponge                                        ou reflexões em tempos disformes                                                                               ...

Inverno no Rio de Janeiro - Copacabana azul

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Fotos nossas no domingo, 23 de julho de 2017

Homenagem à Anne Dufourmantelle, psicanalista e filósofa

Os remédios de Anne Dufourmantelle para a melancolia: Concerto para dois violinos de Bach Knockin'on Heaven's doo r de Bob Dylan Elegias de Duíno de Rainer Maria Rilke La danse de Matisse Sonhar, esquiar. Uma página de Alice no País das Maravilhas Uma boa análise. (entre outras delicadezas...) PS: faleceu no dia 21 de julho, na região da PROVENCE, em Var na França. 

insano mundo insano

a rosa não mais interessa a prosa do mundo enlouqueceu os homens saíram do sério e pariram o trágico sem o riso qualquer lugar é lugar para desmontar o pensamento irrequietos os homens não conseguem mais se olhar ainda a guerra disfarçada faz das fronteiras um descaminho e do mar um cemitério de náufragos a paz está calcada no porvir as palavras precisam retornar aos cérebros dos humanos indefesos e covardes a rosa é o que interessa a prosa pode ser séria o riso é um caminho insano mundo mundo insano insano mundo insano onde estão as almas onde estão os homens as mulheres e as crianças que fazem verdejar o planeta  e brotar a consciência do novo? Agora, 3.07.2017

Poesia na chuva

Entre os dedos saboreamos dias e noites Que nos chegam quentes ou frios Algumas vezes as tempestades alcançam as areias E nossas veias amargam um sabor sem sabor algum Quando as chuvas cessam deixam ver a algazarra Que a natureza não previa Árvores caídas e raízes naufragadas na lama Entre restos de resíduos humanos O lixo não nomeável vai e vem A bordo destas letras que o alcançam No campo de mãos abertas Sentir a natureza transbordante Sorver com a boca o sofrimento Que pode ser de água ou de fogo em demasia                                                                            ...

Letra Aberta de Herberto Helder

Leio Letra Aberta de Herberto Helder. Porto Editora, 2015 Um livro comprado em Lisboa no bairro do Chiado.  Os versos são frutos de “uma escolha realizada pela viúva do poeta”, Olga Lima, no momento do primeiro aniversário de sua morte.   Cito: “ a morte é sempre estranha:   morre-se todos os dias   e enquanto se morre pede-se uma esmola para matar a fome de outra vida,”                                                                                                   ...

A letra da Água de Luciana Brandão Carreira

Recebo pelo correio no final do dia, ontem, embrulhado em papel branco. Capa dura azul. Poesia. Editora Paka-Tatu. Belém do Pará, 2017. Belo em muitos sentidos o livro de Luciana entusiasma. Em goles longos ou curtos vou sorvendo-o "no ventre da boca". "Escuta" : "ouço a língua da morte cantar a escrita viva               carne que funda a palavra." Em "partitura" "Mais um espasmo no meu ventre" que recolhe com sede os versos de "sete sementes de romã" "Vida em estado e rota de colisão com o Tempo.  Não adianta desacelerar.  No cio do poema plantamos sete sementes de amanhã." ........ ............... "Fizemos sangrar o prefácio dos tempos. Colhemos o fruto dormido no canto da boca. Partilhamos as bocas. Cantamos o ramo - romã amor." Parabéns, Luciana! Rio de Janeiro, 17.06.2017

"Navegar é preciso, viver não é preciso"

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(fotos de José Eduardo Barros: Évora, Estremoz e Monsaraz) No século I a.c., o general romano Pompeu, encorajava marinheiros receosos, inaugurando a frase “Navigare necesse, vivere non est necesse.” Corria o século XIV e o poeta italiano Petrarca transformava a expressão para “Navegar é preciso, viver não é preciso.” “Quero para mim o espírito dessa frase”, escreveu depois Fernando Pessoa, confinando o seu sentido de vida à criação. (retirado do site da Universidade de Coimbra: www.uc.pt/navegar/ ................... Hoje, a frase me habita. E, relembro que era sempre repetida por meu pai, ao longo da vida, em momentos distintos.  Viva! Viajar é preciso. Criar é preciso. Experimentar é preciso! É preciso navegar ... Viver, como já afirmaram outros, não é tão preciso assim... Rio de Janeiro, 12.06.2017 

Flores secas na beira da estrada

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                                        Delicadezas do Alentejo. Portugal, primavera de 2017