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Nota noturna:

Implosão à vista ?

31.03.2021

                                                                                                            S                                                                             I                                                                             L                         ...

Sem título

Não vou dizer tudo é inútil me pedir Igual a todos vocês estou aqui Não direi o horror destes dias em versos e continuo a respirar                                         Para Goliarda Sapienza

Nota triste e preocupante demais

Fiquei sabendo, no domingo, que uma família conhecida em Vitória, no Espírito Santo, está  passando por uma situação dificílima, e muito triste. Vários membros da mesma família estão  com covid. Um jovem autista (pegou covid da pessoa que ajuda a cuidar dele) foi internado em  uma UTI, onde a mãe conseguiu vaga implorando: uma maternidade. Precisou ser  imediatamente entubado, assim como a tia havia sido alguns dias antes, e depois de ter pego  covid após uma cirurgia de emergência. Estão entendendo porque precisamos de lockdown? * Amigos, vocês entenderam porque precisei mudar de lugar os móveis da casa? Estou - daqui de onde escrevo - distante das cenas cruéis que vivemos por toda parte. Imobilizada.  Não conseguimos tirar estes homens horríveis que nos governam.  Por que será?   Rio, 30.03.2021

Em 29.03.2021

 Nota: Meus caros, quero contar que faço a revisão de meu próximo livro. Diário de um tempo indeterminado está a caminho. E tudo dá trabalho. * Muita tristeza com a quantidade de mortes no país. Inaceitável! Insumos chegando... Vacinação ainda lenta. Vacinas prometidas (palavras ao vento) * Comento ainda que, neste final de semana, mudamos alguns móveis de lugar. Deslizaram de um espaço a outro sofás, e, até mesmo, a mesa de jantar. Não ficamos doídos. Os braços e as costas comemoraram. Lembrei de vovó Rosa que gostava de mudar os móveis de lugar. E acordamos, hoje, surpreendidos com algumas mudanças no governo começando a acontecer. ??????

Um sonho

Em um sonho escuto vozes e línguas diversas As luzes longínquas escrevem raios e cores Costumo voar no espaço  aberto, sim, e não tenho medo Os sons das harpas escapam de telhados altos Aqui a respiração baixa é constante e sai pelos poros Não lembro muito de mais nada e não lamento Conheço espaços novos (todos nós pedimos alguma coisa) Rio de Janeiro, 28.03.2021

Os alienados do Leblon

Quem são os desobedientes do Leblon? Os que vão à praia e não pensam no próximo?  Os que não se preocupam com ninguém? Os que não conseguem ficar quietos em casa? Os que pensam que na praia não têm vírus?   Nem nas ruas ao redor? Os que não usam máscaras nunca? Os que não entendem a língua de proteção da vida e o combate à doença que nos assola? Fiquem em casa!

Ainda é março

Março de 2021: inesquecível Pássaros e pios lágrimas e lamentações Quem pode dizer das horas e dos dias sem ar? Quem nega  e quem se expõe à morte?  Quem desconhece a dor  e a sede de um abraço? Quem espera o tempo sem compreensão? Quem atravessa as ruas e se perde no olhar? Quem nega o infindável combate nega tudo que não quer ver? Rio, 27.03.2021 * Sinto a imperfeição e nos olhos do mundo o medo atravessa * Sinto muito - muito além do agora O que escrevo é trêmulo e no final tudo é breve 

Nuvens e devaneios

Nuvens surgem rápido  e da mesma forma desaparecem em meio ao vento  leve dos telhados ou na chuva opulenta Os devaneios de qualidade  de igual maneira se transformam  entre a pressa do dia  que corre e paira sobre as pedras do caminho Nas decisões pensadas quase nunca volúveis permanecem e fazem crer as nuvens altas e longínquas  que dormem perto do céu De muitas formas se desfazem sonhos ou pesadelos Incompleta a vida: nem sempre alcança nuvens  nem se alimenta de devaneios Rio, 26.03.2021 * Nota de sexta-feira Os dias continuam andando de forma bem estranha, sem sossego. Familiares jovens se restabeleceram do covid. A nossa cidade para por poucos dias, embora a prioridade do lockdown não se mostre muito clara nas palavras dos governantes. Alguns jornalistas estão cansados da repetição cruel e outros se mostram deprimidos. A culpa  não é toda do vírus, certamente. Entre os conhecidos há os que falam do STF que demorou  demais a dizer a ver...

BASTA!

Somo a minha voz a do neurocientista Dr. Nicolelis: BASTA!

Na crônica deste outono

Hoje, agradecemos muito aos médicos, enfermeiros e todos os profissionais de saúde de nosso  país. A batalha dentro dos hospitais continua sendo enorme. No entanto, apesar da exaustão eles  estão lá se desdobrando e sempre dando o melhor de si. São tempos duros e bizarros também. No Brasil, mais de 300.000 mil pessoas já morreram de  covid-19 ou de complicações, que acontecem depois como efeito colateral da doença. Porém, em Brasília o circo dos horrores entra em um outro momento. O novo Ministro da saúde  parece bem intencionado, mas tenso. E começa buscando saídas para o pandemônio que  vivemos.  As palavras de ordem do Presidente continuam surgindo do nada: cloroquina (tratamento  precoce)! Mas não convencem mais quase ninguém! Muita atenção meus caros, fiquem em casa sempre que possível, etc, etc... Vamos ajudar a nossa cidade a reverter esta pandemia tão temida. E aguardemos os próximos capítulos porque muita água vai rolar ainda. No círculo dos h...

Outono adverso

Como se estivéssemos em uma peça de teatro a situação difícil demais para os personagens que não ensaiaram o enredo foi imposta Diante de nós palavras vazias correm e ganham espaços largos Os pés sobressaem em passos sem sentido e as mãos não alimentam  Rostos assombrados adoecem Procuro o melhor ângulo para não deixar de ver tudo ou quase entre janelas que se abrem de manhã ou as que nunca se fecham Levanto os olhos mais um pouco no azul que nos guarda e afaga enquanto as horas procuram proteção Nada aliviará a dor  deste outono: vai ser pior ainda Os cegos não pretendem corrigir a rota                                                     Rio, 24.03.2021 * Nota: Ontem desci pra caminhar um pouco. A visão alimentada de luz recebeu o vento do mar. (há mais de três semanas eu não caminhava).

Sabiá laranjeira

Sem saber o sabiá pousa                                        em equilíbrio no arame da cerca que nos separa Consigo vê-lo de lado: os olhos brilham as asas estão fechadas Um voo rápido se instala O sabiá sabe onde vai * Para que os dias se façam mais brandos Para dizer da sede e da fome que se instala sobre todos nós Para dizer do desejo ardente em providências sem sombras Abrir a mão é necessário A mão deve calar os mais estranhos O espírito das árvores reconhece o gesto invasor Para dizer das esquinas perdidas  que enlouquecem dos homens sem caridade sem flutuação Para dizer de um luto  ou muito mais as letras pedem o toque das mãos e o sabi  á sabe... Rio, 23.03.2021

Diário fotográfico

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                                                Domingo, 21.03.2021                                             Copacabana - Rio de Janeiro                                             fotos de José Eduardo Barros * Ciclosvia Em pedaladas sem rumo homens alados em círculos  correm na imensidão. Há um despertar no movimento  das rodas. (poema do livro Outonos, p.36)

Uma salva de palma para Manaus!

Que beleza saber que em Manaus - AM eles conseguem melhorar a situação tão grave que  viveram a ponto de poder começar a ajudar os estados do Acre e de Rondônia.  Viva! * Comento com alguma cerimônia que escrevo mais de um livro, durante esta pandemia. Os dois crescem vagarosamente. Um deles em função de pesquisas que me exigem atenção desdobrada, porque escrevo sobre um tema ocorrido na Idade Média. O outro por me levar  em uma viagem interna de enormes proporções. Porém, igualmente tenho sentido este tempo pandêmico:  uma vivência de enormes proporções e que necessita de atenção desdobrada. * Andei refletindo sobre as imagens dos hospitais lotados transmitidas pelas tvs, com os doentes  ou os médicos, os enfermeiros, etc; as que têm chegado até nós diariamente. Somos expostos  a situações extremas vividas dentro das Utis com o sofrimento dos que estão ali sendo  cuidados durante 24 horas, entubados ou só no respirador, etc. E essas cenas estão  ...

Sementes e salivas

Lanço sementes entre árvores  no solo aberto que o sol banha de luz Que a boca alcance em prece as palavras que sob o peso dos ombros  se entregam e vibram baixo Os olhos carregam o sofrimento de milhares de pessoas no mundo Como em um filme trágico os personagens gemem longe O som que nos alcança não afaga a dor  nem adormece a festa Há diante de mim cabeças desonestas  Há homens em luta em meio a tubos e aparelhos   Há o olhar que não se move Rio, 21.03.2021

Outono de 2021

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 Diário fotográfico                                                     Av. Visconde de Albuquerque                                                     Canal do final do Leblon. * Janelas e vozes O sol faz renda através da cortina As pálpebras tremem No labirinto do mundo correm vozes e estamos cada vez mais sós Impossível dar conta de tanta desfaçatez A palavra acesa abre outras linhagens  Arde o mundo de vírus Nos vales os homens cavam o chão  A sede de plantar fica abafada Alguns nomes que circulam não acendem compaixão ao contrário: revigoram o mal estar O dia pede o pão e muito mais e a vida pede mais respeito A pátria de nosso corpo alcança nuvens e estrelas Rio de Janeiro, 20.03.2021

Canção a José

Canção diante de tão pouco ou quase nada Como quem pede um dia   de silêncio calmo Na noite de respiração curta pedi por homens e almas (desconhecidos ou quase) Como quem procura alimento pedi em versos  de momentos desolados No Rio e nos mares pedi por auroras de um devir Pedi o pouco que nos será destinado entre o verde das árvores e os frutos maduros Peço agora: um ar mais seguro e humano na nave quase sem sossego Que as vozes dos poetas nos alcancem em sonhos de claridade e fortaleçam as mãos dos cuidadores A casa de brisas e assonâncias vibra por perto de dálias e lírios rosas e romãs Um poema antigo ou uma oração distante; um breve dizer renasce entre os dedos que escrevem  

19.03.2021 - Escutem a ciência

É urgente fazer: Isolamento  Bloqueio total Lockdown em várias partes do nosso país! Aqui no Rio de Janeiro é necessário fazer Agora! Estamos perdendo o bonde da História Estamos na contramão do mundo E temos um governo federal completamente fora da realidade *

Em 18.03.2021

Hibiscos crescem perto da janela Um beija-flor passeia a leveza verde Os meus dedos limpam plantas  Escorrem folhas murchas E o corpo abre caminhos  na paisagem doméstica Viajo imóvel ou quase Peço muito de tudo sob o céu azul Através desta manhã de março o pássaro  passou * Há nesta casa um jardim escondido Sinto o vento nos espaços amplus como se fosse um baile de árvores castanhas e folhas aflitas Hoje não vi o amanhecer só reconheci o dia no horizonte quieto * Ao teu redor  sossego os sonhos de depois *