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31.12.2023

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       Feliz 2024!

Hoje é sábado

O último sábado do ano amanhece e corre entre nuvens e desejos. Ao cair a noite sobre nós  brisas verdes do mar tomadas de silêncio e sorvendo do mundo um gosto duro entre estrelas guias com lábios sábios  na língua a ler  soletrarão doces passagens.

Rio, 29 de dezembro de 2023

Diário  As tardes crescem de calor e as praias quase transbordam na zona sul desta cidade. Leio, novamente, Virginia Woolf. E me alimento com os presentes que chegam tarde, alguns dias depois do Natal. Livros & livros. Faço exames com as clínicas mais esvaziadas. E a mente habitada de tudo: sonhos e medos. Sou uma e muitas ao me lançar nesta escrita  por aqui. Ao longo do ano, li Jane Auster. Li Tolstói e Tolstoia. Li Virginia, incansavelmente. Li Josefina Álvares de Azevedo, Júlia Lopes de Almeida, Chrysanthème,  Francisca Senhorinha da Motta Diniz e A. A. Diniz todas da coleção Escritoras do Brasil, e li poemas de Sophia de Mello Bryner e Ana Luísa Amaral muitas vezes. Entre os amigos li Antonio Carlos  Secchin e J-M Gleize. E ainda Jean Giono, René Char e Francis Ponge. Voilà! Comecei a pintar. Quase todos os dias. Assim, me aproximo da alegria. A angustia louca com a guerra insana na Faixa de Gaza me levou a comprar telas e tintas. As cores, os vazios, as árv...

Mais um ano

O tempo amigo das águas e das pedras soma mais um ano junto a nós. 2024 se aproxima rápido e cheio de força.  Sejamos agradecidos para abracá-lo forte. Sim, vivemos novos dias em nosso grande e belo Brasil. Com as manhãs surgindo cedo no horizonte, o verão cresce. As noites se iluminam de alegria.  Que possamos continuar a luta com palavras e gestos por um país mais educado e menos desigual. Com mulheres sendo respeitadas e amadas diariamente. Com crianças alimentadas de amor e saúde.  Amigos, alguns países do nosso mundo sofrem ainda a guerra bestial insuflada por mentes pequenas e presas à ganância desmedida. Que possamos sempre barrar e fazer frente às estes países que não merecem o nosso respeito enquanto estiverem sendo governados por mentes doentias.  Teremos mais  um ano para lutar por árvores e casas para todos. Buscando sempre mais equilíbrio entre os homens. O sonho se faz possível! Feliz 2024!

Memórias, Paris 2018

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 Na temporada de férias e pesquisas na Cité Universitaire. E caminhando com Marie Frisson no Jardim de Luxembourg.  Foram dias lindos e lúcidos. Estivemos na Sorbonne, Paris 3, mais de uma vez. Moramos na Maison do Brasil pela primeira vez, durante os meses de março e abril de 2018 e viajando pela Itália fomos até San Benedetto Pó, a terra de meus antepassados italianos (bem perto de Mantova). Destes dias nasceram dois livros: O riso do inverno, 2018 e A bordo do Clementina e depois, 2020. * De lá pra cá... Poemas e histórias cobrem, aos poucos, páginas que um dia nascerão em letras de uma autobiografia.

Natal de 2023:

 Somos todos crianças palestinas!

Hoje é sábado

Luz Nascemos de mil cores. Somos erguidos por mãos  que cuidam 'todos os nomes do corpo'. Envoltos em fina película  onde solos somos vencemos o raiar da vida. Ávidos de alegria. Em instantes abrimos os olhos. Uma e outra vez respirar. Espessuras bosques terra e mar. E nascemos para a vida  travessia  que nos ultrapassa.

Praias grandes e vazias

Partimos cada dia mais um pouco Sem notícia alguma do que fomos Partimos ao vento da noite Enquanto lavamos as mãos  Partimos no momento da oração  E voltamos sem saudade de ninguém  E voltamos mansos circulando  Entre sustos e agonias Nos prantos da noite partimos  E a lua cheia bordada de luz Às margens do silêncio olha O mar batendo as horas Enquanto partimos outra vez e aos poucos E a cidade ferve de loucuras  São praias grandes celebrando  Flores, barcos, passos São vozes e risos Riscos entre traços intervalos Grito cores com a mão  E os deuses seguram o mundo Dedos grossos de amores E grandes praias. Pedras  Claridade do dia sem sossego  Sabor do tempo E partimos sem saber 

Crianças no vazio

Os olhos vagam vazios  sem o canto das imagens.  Crianças de Gaza.  Os pés descalços. Sem gestos.  Crianças mortas restam sob o solo. Os moradores em casas feridas destruídas  sentam-se sobre pedras frias. Chão de pesadelo. O vazio cobre o luto desta gente sedenta. Crianças isoladas do mundo se deitando no nevoeiro da vida miserável. 

Caminhar e respirar

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 Caminhar... Pintar. Fotografar.

Órfãos de Gaza

Sentadas sobre pedras.  Lágrimas longas. Sufocadas. Sujas da guerra suja  crianças de todas as idades. Perderam. Perdem e continuam perdendo. Perderam o pai, a mãe, a família, a casa.  Crianças de Gaza vagam entre a poeira e os  astros do céu.  Algumas perderam parte do corpo. De roupas gastas e sujas crianças andam no  vazio. Olham em volta. Olhar parado.  Clamam o nome do pai ou da mãe em  vão.  O céu arde no escuro entre ruídos.  Somos todos crianças palestinas!

Tarde quente

Tarde quente. Idosos caminham nas calçadas do Leblon. Estou de chapéu como sempre. Pensamentos rápidos entre pássaros. Alguns passos. Os instantes perduram. Flores de acácia e raízes grossas no chão.  Uma conversa ou mais de uma.  A vida ativa apressada. E não se adia nada. Rio de Janeiro em dezembro De 2023

Homenagem de domingo

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      Foto retirada do site Outras Palavras Agradecemos a obra construída pelo filósofo político italiano Antonio Negri! Partiu aos noventa anos neste sábado, dia 16 de dezembro, depois de uma vida de luta, muitos escritos e testemunhos importantes.  Nestes dias duros, enquanto vivemos tanto desmonte de nossa humanidade, as palavras firmes de Negri permanecem por perto e nos alimentam.  Merci, mon Cher!

Enquanto

Enquanto a loucura de alguns homens continuar invadindo os últimos meses do ano de 2023, o meu sorriso e o teu serão cúmplices no silêncio e avessos às comemorações banais. Restam-nos os amigos mais de perto para abraçar e festejar a vida que ainda brilha em  recantos guardados, enquanto bárbaros armados brincam de heróis ou de brutus em várias partes do mundo. Milagres ainda acontecem. Salvo engano há mãos que se abrem e trabalham pelo próximo. Rio de Janeiro em dezembro de 2023. 

Antes da tarde

Bem antes que a tarde chegue E o alvoroço do mundo  Invadindo espaços construídos  Transborde rios almas e ruídos  Quero escrever lento A mão desenhando cores Neste pedaço infinito Perto bem perto do mar incógnito  O morro Dois Irmãos beijando a areia E pernas brancas de espumas Suaves abrindo as horas brumas Desta quinta-feira de dezembro Antes ainda da lua cheia de verão  Enquanto homens lúcidos restam em vibração 

Rio, 13 de dezembro de 2023

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 Dois momentos: A pintura de José Paulo Moreira da Fonseca adquirida por mim na década de noventa, diretamente no Studio dele, e a minha realizada em outubro de 2023. Celebrando a vida e os recomeços. 

Caros amigos e leitores

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Alunas da UCO - Université Catholique de l'Ouest     Alunos do Licée Sainte Ursule (na tela           embaixo à direita), e as caras poetas Adèle e Michèlle junto a mim neste evento. Compartilho uma experiência inesquecível vivida no dia 9 de dezembro. Durante quase duas horas e meia, estive on line com um grupo de cem alunos de um Liceu francês e vinte e cinco jovens estudantes de uma Universidade da região de Angers, na França.  Foram lidos dois poemas meus já traduzidos por Márcia Rambourg, e, as outras duas poetas francesas: Adèle Nègre e  Michèlle Dujardin  também tiveram seus poemas lidos pelos jovens. A conversa aconteceu cheia de bonitas surpresas. Perguntas e trocas de ideias surgiram naturalmente. Falamos sobre a vida e a obra de cada uma de nós. Diante do interesse de tantos jovens leitores e estudiosos de poesia a emoção entre todas nós correu de forma verdadeira e bonita! Agradeço com alegria a homenagem recebida! Em es...

Um pequeno grito

Olhos pequeninos. A luz neles nos olha assombrada.

Hoje é sábado de dezembro

Escrever:              Caminhar ao longo  de estradas de pó  Da terra               o sangue sem palavras No horizonte perde-se o que a boca diz ou fica por dizer

Abertura de um instante

A casa é antiga e se inscreve invulgar. Sob o sono das portas o olhar se abre fresco. As ervas ainda verdes sentirão sede em breve. Não é tempo de lucidez. As paredes sem tinta respiram. E bate o desejo entre o chão e o corpo. Entre a mão e o rumor.