Fragmento do livro Anotações de viagem
23.03.05
Estamos novamente na sede da Polícia perto de nossa casa, agora no Quatorzième, para a entrega dos documentos que nos autorizam permanecer na França. Mais três meses. Já consegui a certidão de casamento traduzida. Hoje, está quase vazio o local e permaneço tranqüila. O interessante é que pegamos o número 130!
***
Enquanto aguardo leio o que anotei ontem durante o Seminário de Corinne Enaudeau.
A questão da mundialização e da globalização não é simples.
Qual é o começo da viagem? (a história para Musil é sempre assim (ela comenta), pois a civilização não sabe de seu próprio patrimônio).
O filósofo alemão me remete ao que devemos organizar e preparar com as coisas que serão carregadas ao longo da história, pois elas serão o nosso saco de viagem (já que a economia é perigosa e domina as coisas e a política).
Ele considera a nossa época como um tempo de transição, mas só que desconhecemos o fato.
A solução de Musil é poética.
Em 1935 Musil deu uma conferência em Paris. E usou a figura do dançarino para dizer dele mesmo, que dançando se punha a conhecer o mundo.
Ele diz que é preciso escrever, porque o mundo parou.
Propõe movimentos procurando uma lógica de progressão e regressão.
Mas o que fazer com as coisas do mundo?
A Europa se mostra desamparada. E Musil acredita que a política usa o medo e ganha esse argumento que não é real.
***
Olho ao redor.
Há muitos africanos na sala. Estou sentada em cadeira simples de madeira. Alguns permanecem de pé. Há os que não falam a língua francesa e chegam acompanhados pelos familiares ou por um advogado. Todos querem permanecer na França. Mas alguns não conseguirão.
Estamos novamente na sede da Polícia perto de nossa casa, agora no Quatorzième, para a entrega dos documentos que nos autorizam permanecer na França. Mais três meses. Já consegui a certidão de casamento traduzida. Hoje, está quase vazio o local e permaneço tranqüila. O interessante é que pegamos o número 130!
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Enquanto aguardo leio o que anotei ontem durante o Seminário de Corinne Enaudeau.
A questão da mundialização e da globalização não é simples.
Qual é o começo da viagem? (a história para Musil é sempre assim (ela comenta), pois a civilização não sabe de seu próprio patrimônio).
O filósofo alemão me remete ao que devemos organizar e preparar com as coisas que serão carregadas ao longo da história, pois elas serão o nosso saco de viagem (já que a economia é perigosa e domina as coisas e a política).
Ele considera a nossa época como um tempo de transição, mas só que desconhecemos o fato.
A solução de Musil é poética.
Em 1935 Musil deu uma conferência em Paris. E usou a figura do dançarino para dizer dele mesmo, que dançando se punha a conhecer o mundo.
Ele diz que é preciso escrever, porque o mundo parou.
Propõe movimentos procurando uma lógica de progressão e regressão.
Mas o que fazer com as coisas do mundo?
A Europa se mostra desamparada. E Musil acredita que a política usa o medo e ganha esse argumento que não é real.
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Olho ao redor.
Há muitos africanos na sala. Estou sentada em cadeira simples de madeira. Alguns permanecem de pé. Há os que não falam a língua francesa e chegam acompanhados pelos familiares ou por um advogado. Todos querem permanecer na França. Mas alguns não conseguirão.
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