Gradiva verão, de Solange Rebuzzi  (Lumme editor, 2013)


Cada vez é uma vez, cada livro é um livro, repete Solange Rebuzzi. Agora, o livro Gradiva marca alguns limites do íntimo, mesmo se Gradiva caminha ao longo da História.
O livro, cada livro, é um exercício de escrita e reflexão. E um exercício de lucidez, algumas vezes. Ela – a nossa Gradiva – aquela que caminha pelas ruas da cidade (Rio, São Paulo, Nova Iorque, Tel Aviv, Hong-Hong, Atenas, todas as cidades) é a mesma que caminha nas páginas de Jensen, Freud, e outros tantos seduzidos por ela.    


[A personagem pode ser uma jovem mulher que
caminha seu passo, qual Gradiva, a jovem
que caminhava em Pompéia em 79 d.C.
Não havia tempo de pensar no corpo. Havia
o corpo. Havia tempo.
Meus pés, agora um pouco distanciados do chão,
procuram outro ângulo.
Deslizo na cadeira com as mãos já mais cansadas
dessas teclas que pedem muito.
Os pés de Gradiva não se cansam.
Ela desliza suas vestes pelas ruas de Pompéia.]


O pequeno livro traz desenho de Francisco dos Santos.


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