Poema - Caderno,
CADERNO,
Deslizam em minhas mãos as linhas da manhã. Sou e não
sou uma rosa. A luz ofusca. Recupero nas linhas verdes do caderno –
entre o branco dos intervalos – a caligrafia da cidade. Letras informes.
Alinhavo vogais. Alimento o direito de vagar nos pensamentos. O ar penetra nas
narinas e sopra um tule de vento: asas de um monólogo. Folhas ainda úmidas
escondem os lábios entreabertos do dia. A mão recebe o ritmo. A letra
abre e fecha a respiração.
Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2014.
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