Por que nos lamentamos tanto?

O lamento é um tipo de choro sem lágrimas. Circula em toda parte. 
Muito antes de Freud se interessar em pesquisar e analisar as histerias de seu tempo, no século XIX, já circulavam as mulheres que se lamentavam. Porém, os homens de nossa época também se lamentam.
Hoje, com o desmonte diário das políticas que visam o bem estar de seu povo, pois o interesse é principalmente voltado para o lucro, assistimos a um cenário de lamentações. Difícil mesmo é fazer uma análise mais duradoura, que possa nos ajudar a mudar roteiros. Não os roteiros de viagens ou de programas e divertimentos banais que só adiam os nossos problemas, embora nos deem, e por algum tempo, um sopro de descanso das constantes e cansativas notícias e decisões que nos encobrem de lamentos.
Repito não mais em verso: quero de volta as estações do ano, e muito mais que isto quero de volta os dias de alegrias genuínas, pois éramos felizes e sabíamos, como costumava dizer meu pai, em décadas passadas. 
A população do mundo cresceu muito e a nossa cresceu sobretudo sem orientação e estudo. Cresceu emparelhada nas grandes cidades com o engano de que aqui se viveria melhor. Que lástima tudo isso! Descortina-se cada vez mais os malefícios de governos seguidos sem organização e nem pensamento de políticas de educação e saúde pública. Uma espécie de abismo se mostra agora.   


Rio de Janeiro, 1 de junho de 2018.

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