Diário

Rio, 24.03.2020

Acomodo de forma mais lenta as manhãs. 
Os poucos ruídos soam mais alto: 
a voz de uma criança aprendendo a falar e um adulto que diz: "Vem"!

Modifico a forma de trabalhar. Sobram horas para as leituras e os "quitutes" do dia a dia.
Não se perde sempre, claro, nem se ganha o tempo todo. Coloco em ordem a mente. Alguns assuntos se impõem
Leitor, seu julgamento pouco importa. Importa: respirar...
Desfruto do silêncio desta manhã sem aviões no ar
nem transatlânticos nos oceanos. 

*

Traduzo, mais livremente, Ponge:
p.71

"Em Busca do Sabão Perdido...

(...)
Como representativo de nosso mundo, de nosso submundo, e de nós mesmos,
como nossa impregnação, nosso material e talvez, como nosso retrato de família?

Bem, certamente, o sabão é isto aí!"




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