Diário

Rio, 21.05.2020

Escrevo estes dias tristes de outono no Brasil.
Enquanto escrevo, penso.

As nossas florestas estão sendo destruídas todos os dias.
Os homens precisam ser responsabilizados por estes atos bárbaros.
Vivemos dias de grandes dificuldades. Enquanto alguns gemem a fome ao redor do mundo,
outros só pensam em politicar.
Os mais desamparados precisam da luta corporal com o vírus para ganhar o seu pão. Mas,
há os que saem de casa sem razão. Não mudam sua rotina por nada nem ninguém.

*

Posso sentir o dia passar
no espaço do silêncio
Por uma janela que se abre
posso pedir ao sol que me toque
com seus dedos quentes

Posso abrir mais um espaço na janela
e deixar sair os versos
que agora escrevo
Devagar e com suplício
ainda no silêncio deste outono

Estou dentro de casa há muito tempo
O chão e as paredes da casa
deixam passar os gestos
O dia é hoje
onde posso tanto e tão pouco

*

Variações

São mais de dez horas da manhã
Carrego a memória como um presente que se abre todo dia
Os livros volumosos de capas e cores fortes envolvem lembranças antigas

Ainda seguro as tardes de chuva quente da infância em Manaus
- naquela casa branca e azul enfiada na grama verde -
entre os dedos que escrevem versos 



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