Diário

Rio, 9.05.2020

Hoje é sábado!
Há quase dois meses não saímos de casa. O tempo voa de forma distinta. Os dias se multiplicam em notícias escandalosas. As pessoas de muitas classes sociais não conseguem ficar quietas, e tudo isto traduz-se em um mistério onde está incluído não só as diferenças de vida como as de pensamento de uma parte da população (talvez, o mesmo grupo que votou em Bolsonaro)!
Ficamos sabendo, ao acaso, que na orla do mar do Recreio, de Ipanema e de Copacabana  muitas pessoas passeiam sem temor algum! Acrescento: sem pensar em ninguém, senão em si próprias. Lamentável!

*

Receita doméstica:
Não ligue a tv o dia inteiro para não enlouquecer de notícias!

*

Da casa escuto os passos curtos cada vez mais curtos.
Não são os meus nem os dele. São de fontes vagas.
Vagam perto dos ruídos do lado de fora
(louca vizinhança
cada vez mais audaciosa).
Gira o mundo no espaço azul.
As árvores somam tons intensos
às tempestades ligeiras.
Rústicos troncos rugosos e ásperos
lavados no fogo de labaredas altas
castigam o mato e os animais.
Daqui de onde escuto os passos curtos
sinto frio.
Um calor sem dimensão corre como um relâmpago
na floresta incendiada. Estala longe rubro perfume.

(fragmento)

*

No final da tarde, esfria. Procuro algo mais pra vestir. Uma peça de roupa e outra mais
em um jogo de cores e texturas. Mas que dia é hoje? Sexta ou sábado? Pouco importa.
O que vai importar, agora, é a leitura crítica que podemos fazer exaustivamente dos atos e das palavras deste governo tão enlouquecido.
Há corrupção até mesmo em momentos de pandemia!
Já há mais de dez mil mortes por covid-19 no Brasil! (Fora as mortes não contabilizadas.)
Precisamos do isolamento total como regra básica, mas na nossa cidade ninguém, nenhuma autoridade se responsabiliza pela ação.

*
No final da noite, assistindo a Globo News nos perguntamos:
Em que mundo habita o Dr. Osmar Terra?

(Deu declarações horríveis..!
E equivocadas!)



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