Diário

Rio, 1.06.2020

Um outro mês começa. Já estamos em casa direto desde 13 de março.
Quase três meses. Mas, assim mesmo teremos que permanecer dentro de casa.
A cidade do Rio de Janeiro tem um índice altíssimo de contaminação e mortes.
Muitíssimo mais alto do que está sendo dito na mídia. Possivelmente, cinco vezes 
mais ou mesmo sete vezes mais. Os números que estão sendo divulgados são incorretos
porque não se consegue fechar uma conta mais fiel ao que está acontecendo por aqui.

*

Voltemos ao dia de ontem nos EUA. Um domingo especial. Dia 31.05.2020
Vimos direto pela tv as imagens fortes e sensíveis da população, principalmente os mais jovens, caminhando nas ruas das cidades americanas carregando cartazes, gritando palavras de ordem e até, em alguns momentos, se ajoelhando diante de policiais que faziam a guarda da manifestação. Nunca vimos nada igual. As palavras ouvidas repetiam as últimas palavras de um homem negro sendo sufocado e morrendo no canto de uma rua de Minneapolis. 
Sufocado pelo joelho de um policial branco que o matava a sangue frio, 
George Floyd
repetia: "Não consigo respirar!"

Tudo é trágico demais e muito triste!

*

Posso ampliar o leque de visão, neste momento difícil do mundo, e usar as teclas negras - que esperam quietas na minha frente pelo toque de meus dedos - para dizer de novo:

Não consigo respirar!

Não conseguimos respirar direito.

Estamos angustiados.

São tantos os sofrimentos, os horrores, os lamentos ... 

*

Abrindo mais ainda o nosso leque, e olhando a nossa cidade do alto vemos uma estreita faixa de terra espremida entre a Lagoa e o mar. Ali se encontram alguns dos bairros da zona sul do Rio; bairros da classe média e alta da cidade.
Voltemos um pouco no tempo e lembremos que algumas das colinas ou montanhas que nos rodeiam já foram verdes, exuberantes e cheias de pássaros. Hoje, estão ocupadas de casas de madeira ou alvenaria, ocupadas exatamente pela enorme quantidade de pessoas que trabalham conosco ou ao redor de nós.
A cidade foi sendo construída sem planejamento algum, exatamente como até hoje funciona. Então,
não nos espantemos com o grande número de pessoas que padecem de covid 19 na nossa cidade, sem que saibamos.
No porta retrato da memória, nas décadas anteriores, antes que o século XX virasse século XXI preparavam-se as cenas que foram se desdobrando depois. Quantos governos desperdiçaram a vez ao se voltar para obras e gastos sem sentido. Por que não investimos mais e sempre nas Escolas e no bom ensino para todos ?
É urgente que nos interessemos pela Educação e pela forma como se faz educação neste país!
No nosso leque de visão ampliado é preciso olhar o nosso horizonte!

*

À noite

Caros leitores,
vamos usar a lente de aumento para
ver e também ler as atitudes deste governo:
na sutileza das ações aparentemente ligeiras estão os toques grosseiros e audaciosos.

Resistir, resistir!

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