Diário
Rio, 16.06.2020
Tomei café da manhã, varri a cozinha e coloquei roupa para lavar na máquina.
Corri um pouco com os outros afazeres básicos, pois queria sentar-me para escrever.
Mãos
Escrevo as mãos que seguram os dias
— Sustos do anoitecer sem sonhos —
Mãos longas de veias azuis suplicantes
Irrequietas buscam os livros
Imploram mudanças calmas
Brotam flores nos silêncios...
*
Escrevo,
é preciso agradecer.
Agradecer às manhãs de luz
embaçadas ainda
em um futuro a surgir adiante
Só e próxima a ele
observo o estranho mundo em movimento
A fruta no prato sob a mesa
descansa sua doçura
Os mortos do dia 16 de junho
não surgiram de todo
*
Um silêncio
se faz sombra
na casa branca
O frio não chegou
Não perguntem nada
Aguardem os dias ainda a nascer
Tomei café da manhã, varri a cozinha e coloquei roupa para lavar na máquina.
Corri um pouco com os outros afazeres básicos, pois queria sentar-me para escrever.
Mãos
Escrevo as mãos que seguram os dias
— Sustos do anoitecer sem sonhos —
Mãos longas de veias azuis suplicantes
Irrequietas buscam os livros
Imploram mudanças calmas
Brotam flores nos silêncios...
*
Escrevo,
é preciso agradecer.
Agradecer às manhãs de luz
embaçadas ainda
em um futuro a surgir adiante
Só e próxima a ele
observo o estranho mundo em movimento
A fruta no prato sob a mesa
descansa sua doçura
Os mortos do dia 16 de junho
não surgiram de todo
*
Um silêncio
se faz sombra
na casa branca
O frio não chegou
Não perguntem nada
Aguardem os dias ainda a nascer
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