Diário
Rio, 9.06.2020
Carta aos amigos
Que tantos tenham morrido em tão pouco tempo são notícias diárias
nem tão longínquas porém difíceis demais!
Na manhã desta terça-feira, enquanto alguns fazem aniversário
outros se despedem no alvoroço da tristeza.
Um viver nos aguarda pelos cantos sem saber bem o que tem a dizer.
A casa de cada um de nós é a âncora
- suporta o peso dos mares revoltos e dos ventos loucos -
Os jardins podem ser regados pelo olhar de nuvens altas.
Na tristeza e na desesperança destes dias tristes
de um viver estranho demais
podemos ler e reler;
memórias de atos vividos.
Podemos, meus caros, encontrar nos versos do chão onde pisamos
a história de nossas casas e de nossa pátria.
Os frutos que nos animam os dias de um verão a vir
ainda existem.
Distantes dos abraços, a voz toca as flores tímidas que brotam.
E a mão saturada das tarefas domésticas repousa no livro.
Somos agora enormes galhos de árvores
de ramos e raízes quase sem perfume.
As rosas nos jardins nos observam.
Neste mundo cansado de tanto ruído
na poluição desmedida sejamos, meus caros amigos, a diferença.
E depois que o mundo girar de novo
- fora desta superfície tão doida quanto doída -
façamos parte deste grupo que na infância antiga
beberá o vinho ou a água onde se guarda a semente de um viver
mais honesto e solidário.
Carta aos amigos
Que tantos tenham morrido em tão pouco tempo são notícias diárias
nem tão longínquas porém difíceis demais!
Na manhã desta terça-feira, enquanto alguns fazem aniversário
outros se despedem no alvoroço da tristeza.
Um viver nos aguarda pelos cantos sem saber bem o que tem a dizer.
A casa de cada um de nós é a âncora
- suporta o peso dos mares revoltos e dos ventos loucos -
Os jardins podem ser regados pelo olhar de nuvens altas.
Na tristeza e na desesperança destes dias tristes
de um viver estranho demais
podemos ler e reler;
memórias de atos vividos.
Podemos, meus caros, encontrar nos versos do chão onde pisamos
a história de nossas casas e de nossa pátria.
Os frutos que nos animam os dias de um verão a vir
ainda existem.
Distantes dos abraços, a voz toca as flores tímidas que brotam.
E a mão saturada das tarefas domésticas repousa no livro.
Somos agora enormes galhos de árvores
de ramos e raízes quase sem perfume.
As rosas nos jardins nos observam.
Neste mundo cansado de tanto ruído
na poluição desmedida sejamos, meus caros amigos, a diferença.
E depois que o mundo girar de novo
- fora desta superfície tão doida quanto doída -
façamos parte deste grupo que na infância antiga
beberá o vinho ou a água onde se guarda a semente de um viver
mais honesto e solidário.
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