Diário
Rio, 3.07.2020
Batem panelas nesta manhã à moda argentina!
Escutei, logo cedo, que nosso presidente desautorizou o uso de máscaras
no país em Igrejas e no comércio.
Insanidade é pouco. Ficará para a história como o pior entre os piores.
*
Atingidos pelo vírus caem.
Os filhos da Pátria sob a terra
não respiram mais.
E são inúmeros os Pedro,
João, Maria, sem pão!
Assim os filhos de um sonho
saem pela porta sem retorno.
Morreram agora e antes
os anjos de asas ou sem.
*
Abertas as cortinas das cenas de rua
correm na escuridão os homens
Os deuses falam entre si
e murmuram interrogações
Em tudo que já se viu
há sempre um muro
inapreensível, opaco e mudo
Nas cenas de agora
a permissão é bárbara
e libera o corpo da palavra
As asas dos anjos batem
em espaços demarcados
Lutam com as arestas
Íngreme é o dia de ontem,
hoje é a festa
Sem a permissão da ciência
os homens saem à vontade
resmungam baixo
deixam passar a fúria
o descaso, a dança
O baile de seus passos
não salvará ninguém
Nem a saliva de seus lábios
nem os gestos de suas mãos
No Leblon, os pesadelos acontecem
nas esquinas das ruas e dos prédios
Perduram noite adentro
Poucos dias atrás um jovem
se atirou no jardim e
o coração parou em descompasso
Batem panelas nesta manhã à moda argentina!
Escutei, logo cedo, que nosso presidente desautorizou o uso de máscaras
no país em Igrejas e no comércio.
Insanidade é pouco. Ficará para a história como o pior entre os piores.
*
Atingidos pelo vírus caem.
Os filhos da Pátria sob a terra
não respiram mais.
E são inúmeros os Pedro,
João, Maria, sem pão!
Assim os filhos de um sonho
saem pela porta sem retorno.
Morreram agora e antes
os anjos de asas ou sem.
*
Abertas as cortinas das cenas de rua
correm na escuridão os homens
Os deuses falam entre si
e murmuram interrogações
Em tudo que já se viu
há sempre um muro
inapreensível, opaco e mudo
Nas cenas de agora
a permissão é bárbara
e libera o corpo da palavra
As asas dos anjos batem
em espaços demarcados
Lutam com as arestas
Íngreme é o dia de ontem,
hoje é a festa
Sem a permissão da ciência
os homens saem à vontade
resmungam baixo
deixam passar a fúria
o descaso, a dança
O baile de seus passos
não salvará ninguém
Nem a saliva de seus lábios
nem os gestos de suas mãos
No Leblon, os pesadelos acontecem
nas esquinas das ruas e dos prédios
Perduram noite adentro
Poucos dias atrás um jovem
se atirou no jardim e
o coração parou em descompasso
Querida, obrigada pela delicadeza de suas letras nestes tempos tão difíceis e desgovernado. Seguimos em frente...Bj
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