Diário
Rio, 16.08.2020
Notas matutinas
Relembro que, durante a segunda metade da década de noventa e a primeira década do século
seguinte, os passeios do casal se compunham de caminhadas - três vezes por semana - dentro
do Jardim Botânico de nossa cidade. Alguns de meus poemas nasciam ali, enquanto José
fotografava as árvores e as texturas dos troncos, as flores raras e os pássaros inesperados.
Passamos a compor nossos passeios com poetas, familiares e amigos (estrangeiros ou não)
sempre naquelas alamedas impressionantemente altas ou perfumadas. As capas dos livros
Canto de sombras (7Letras, 1996) e Outonos (7Letras, 2014) foram feitas de imagens
clicadas ali. Assim como recolhi no chão deste Jardim os restos e a folha que estão na capa
de meu livro Vestes e vestígios - o pequenino, feito a mão, costurado com agulha grossa
(edições Sol, 2002).
O poeta Jean-Marie Gleize e a Sumaúma do Amazonas, Rio-2007

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