Diário
Rio, 18.08.2020
Em casa (monólogo)
A mesa e a cozinha guardam espaços - quase sagrados - habitados de conversas e alimentos.
Não estamos mais vivendo em tempos antigos, quando quase tudo se dava ao redor destes
lugares. E as conversas aconteciam naturalmente.
Moramos, agora, em casas com mais abertura ao olhar que se estende por janelas espalhadas,
inclusive, nas telas planas de tvs, computadores e celulares. Porém, ficamos habitados de
gestos e palavras por vezes violentos demais. As palavras amorosas costumam faltar. Sem
medidas voltadas para os cuidados básicos, sem os critérios humanos necessários criamos
uma grande parte de nossas crianças à margem, e assistimos muitos de nossos adolescentes
crescerem meio desgovernados.
Não só aqui, mas ao redor do mundo estes futuros adultos, de uma maneira geral, absorvem
um "tamanho" fora da ética humana, onde passam a se autorizar qualquer coisa e saboreiam
de tudo no grupo onde estão inseridos.
Estamos vendo, e com frequência, os governos de Extrema-direita, até mesmo aqui no Brasil,
insistirem em espalhar argumentos mentirosos desde o início desta pandemia, e, mesmo
antes na campanha eleitoral de Bolsonaro - justificando atos bizarros, fora dos padrões
humanos aceitáveis.
A pergunta, agora, deveria ser, segundo o poeta Bernard Nöel, como não ficar louco na
situação onde nos encontramos hoje, porque parece que vivemos um tempo sem o "nós',
ou melhor, estamos desmontando a nossa humanidade.
Precisamos nos reinventar e pensar maior ainda! Precisamos pensar o Planeta!
Comentários
Postar um comentário