Diário

 Rio, 31.08.2020


As manhãs e o vento 

O canto do sabiá

Nuvens escuras no ar da cidade

A mão de fugitiva escrita

flutua entre as linhas dobradas na face


Os lábios quentes do café sem açúcar

a bondade do olhar

e as esquinas espionando os homens 

nas interrogações que não se esgotam nunca


*


A página amanhece em branco

Cavalo alado de letras 

o verso corre em ritmo solto


A boca em suave textura

não escapa:

arde na superfície deste início

e se incendeia


                               O calor da floresta lambe 

                               árvores animais flores casebres

                               Tudo vira carvão 

                               no incêndio felino e infindo

                              

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