Diário
Rio, 19.09.2020
Nota de perplexidade:
Acordamos com a cidade começando a ficar encoberta. Tempo encoberto. E tememos o ar!
O tempo em S.Paulo se traduz, principalmente, com as fuligens espalhadas no ar de má
qualidade. E são provenientes das queimadas que acontecem no Pantanal, sim, as queimadas
inúmeras que o nosso governo não quer ver. Mas a "chuva negra" já chegou em alguns lugares
de Santa Catarina.
O espanto maior que nos atinge agora é com o despreparo das autoridades para comentar
fatos, que sequer reconhecem. Nunca na nossa história as queimadas foram tão estimuladas!
E, elas acontecem há muito tempo. Por que não ouvimos o ministro do Meio Ambiente dizer
alguma coisa? Por que o vice presidente diz palavras de acusações a outros países, em
momento tão extremo?
Tudo está muito fora do lugar. Coisas estranhas ocorrem na nossa fronteira com a Venezuela.
O que veio fazer aqui, em plena pandemia, este "senhor" representante
do governo americano, que fez afirmações bizarras sobre assuntos nossos? É tudo muito
estranho!
*
Poema incendiado
As palavras saem da terra assombrada
Na sombra do dia divagam
E suam no corpo do texto ao vento
Tudo é traço e o traço se faz ao redor
de paredes gastas sem verde nem árvore alguma
Enquanto o fogo come animais e ninhos de animais
um murmúrio abole o poema que começa
e se incendeia rápido
*
Com o rosto quase desfigurado
no tempo fútil do agora
grito a força da esperança
(Um poema fala e escuta)
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