Diário
Rio, 28.10.2020
A mesa limpa, sem poeira. Os livros espalhados ao redor.
O pensamento solto. As mãos nas teclas suavemente procuram letras;
um mínimo gesto. Justamente, este que mostra o pensamento na raiz.
Ainda é primavera por aqui. O trabalho acontece em ritmo novo.
Nos intervalos escrevo e leio. Limpo e arrumo. Cozinho e passo
as roupas lavadas. As ideias surgem em relâmpagos.
Ontem, li um texto de Pauline Flepp, que conheci na Normandia durante o Colóquio
Francis Ponge. A aventura de Ponge neste tempo em que trabalhou no jornal Action
(um jornal com periodicidade semanal, e que nasceu na clandestinidade durante a
Resistência francesa) está ali descrita em detalhes.
Suponho que, hoje, nos interesse ressaltar que Ponge se dedicou especialmente a deixar
nascer ali, durante dois anos (de 1944 a 1946), tempo em que dirigiu o Action, textos mais
jornalísticos e menos literários. Também por isso acabou deixando o jornal. Necessitava
de tempo para escrever para ele.
*
Benoît Auclerc escreve sobre Christophe Tarkos e Nathalie Quintane
recuperando na crítica literária a influência de Ponge na escrita destes dois poetas
contemporâneos. Encontro ainda Dominique Fourcade no Dossiê:
Présences et Absences de Ponge dans le Paysage Littéraire Contemporain
Bravo! Meu caro Benoît que alegria encontrar tudo isso neste exemplar de 2019
do Cahiers Francis Ponge!
*
Muito ainda a ler e descobrir, inclusive com o italiano Luigi
Magno.
Ele é professor em Roma e, assim com eu, traduziu o Nioque de
l'avant-
printemps de Ponge,
Estas duas traduções contribuem para divulgar este texto.
Nioque antes da primavera - Lumme editor, 2012
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