Diário
Rio, 18.12.2020
Antes eu pensara que minha geração nunca passaria por uma guerra.
Meus pais se casaram um pouco depois da Segunda Guerra, e nasci em seguida.
Quando comecei a entender os efeitos de uma guerra e a decadência que ela
envolve já estava na adolescência, e lia Êxodos de Leon Uris. Naquele ano, no
curso ginasial, as aulas de sociologia nos apresentaram, também, as manchetes
dos jornais. No Brasil, vivíamos o tempo da Ditatura.
As aulas de Literatura eram habitadas por textos de Graciliano Ramos e
colaboravam com o tom realista da vida. As cores novas divergiam do azul
da praia no verão.
Hoje, com a Pandemia sendo vivida desta maneira tão insana em nosso país,
recupero a densidade da vida que acredito rica de cores e texturas. E, durante
o café da manhã ensaio os passos do dia. Sei que haverá emoção e tristeza. A
empolgação está guardada na memória, assim como os dias de linhas traçadas
em torno dos amigos.
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