Diário

 Rio, 23.12.2020

Ciclos


No alto da montanha onde o azul 

se mistura com o vento 

e a viagem se curva

diante da beleza inesperada

Acordados se mostram o tempo e a palavra: 

começo de um tecido nuvem

A água respinga aos pés da árvore errante

e diz bem baixo algo da voracidade do mundo

Não se entende bem as sílabas 

Restam sonoridades quase ocultas

traços-letras-intervalos

Sombra e luz

No oco do tronco carnudo de ervas

viva a casca respira sua força

Eis a mão e a natureza somadas



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