Escrevo em 7.12.2020
As paredes da casa se enchem de livros e de sonhos
Os sonhos trafegam entre textos que se manifestam fora da ordem esperada.
Quando uma mulher escreve, o silêncio a envolve. Com o texto compõe-se um
cenário de personagens novos ou antigos que passeiam em torno e não a deixam só.
As vozes retornam aos ouvidos. Agora, canções e preces são escutadas em outra língua,
quase a mesma; um português mais antigo.
Naquela época, as mulheres permaneciam dentro de casa, guardadas. E durante tantos
séculos foi assim. É bem isso que sinto nestes dias. Na temporada doméstica, quando
aproveito o tempo para arrumar estantes "a quatro mãos", somando um certo sabor criativo
neste ato de colocar um livro ao-lado-do-outro, e desfrutar do momento simplesmente.
No pátio interno de nossa própria casa, onde estamos e precisamos permanecer por meses,
caso tenhamos um critério bem humano e protetor que nos guie, somos como as mulheres
de Atenas que precisavam ser "mantidas em opressão quase oriental como as odaliscas
ou escravas," conforme nos descrever Virginia Woolf, em nota de rodapé do livro
Um teto todo seu.
Porém, a diferença e a grande diferença é a escolha. Agora, escolhemos.
Mesmo que seja uma escolha forçada!
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