21.01.2021



Começo a leitura de O labirinto da Saudade de Eduardo Lourenço. 

Tinta - da - china Brasil, 2016


Importante texto para que possamos entender Portugal. Publicado pela primeira vez em 1978 

(Portugal).

Agora faz-se luz para nos ajudar a pensar os desdobramentos da história de Portugal 

e da nossa história, que participou desta "essência dos Descobrimentos". 


*


Neste exato momento, em pleno século XXI, com tantas situações no Brasil e no 

mundo pedindo mudanças, pois assistimos ao avanço desmedido de uma pandemia que  

exige pensamento, somos a lentidão e o drama que não alcançam decisões urgentes. 

Em que tipo de (des)governo vivemos?

Somos herdeiros de uma forma de pensar lusitana que comparece sempre incorporada

ao espírito com um aspecto crítico saudável, felizmente. Porém, também somos, e já

faz algum tempo, herdeiros de um modo de viver e habitar americano, digo: um modo 

low profile de vida que nos foi entrando pelos poros devagar, e, sutilmente foi sendo

deglutido junto com a música, o cinema, a literatura, etc,. 

Nada a reclamar. Contudo, as décadas aceleraram o desenvolvimento do mundo e as misérias  

vieram junto com o crescimento desmedido, sendo o lixo (os restos, os sacos plásticos, 

etc,.) o mais danoso e descontrolado misturado com a fome. 

Fomos, muito rapidamente, incorporando novos hábitos, e os homens ricos cada vez mais ricos, 

os sempre Senhores do mundo perderam completamente a medida de seus atos e desejos. As 

políticas e os políticos passaram a andar junto com os empresários, onde mora o dinheiro.

Agora, a palavra "saudade" me ataca de forma nova. Não me lembro de sentir tantas saudades 

como agora. Tenho saudade do mar limpo. Saudade do cheiro do mato verde, da grama

cortada, da flor de jasmim e da dama-da-noite. Saudade de cheiro de chuva, porque 

com a Natureza atravessada por todo este desmando enlouquecido, perdemos dia a dia essas 

delicadezas. 

Andamos na contramão de nossa própria humanidade. E construímos verdades vazias.

Criamos venenos para a agricultura cada vez mais potentes, com a mesma naturalidade que 

desmatamos nossas florestas ou matamos nossas abelhas. Elas perdem a direção. Em vários

lugares do mundo, as abelhas não mais trabalham pois não conseguem voltar para suas casas; 

as colmeias. 


*  

Estamos em uma rota perigosa demais...

As mortes parecem não significar mais Nada.

Somamos números e misturamos os assuntos:

a Bolsa subiu

o dólar desceu

Mais de 213 mil mortes de covid-19 no Brasil

Mulheres assassinadas por homens sádicos

Um presidente perverso

decide o que quiser

e o Congresso quieto

não se move


(A vacinação não acontece)

!!!



 


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