Diário, 4.06.2021
Amanhece com os ruídos de sempre. Muitas obras ao redor.
Preciso me concentrar. Tarefas me chamam.
Agendo alguns compromissos depois do café da amanhã.
Não me perco. Quero escrever e os cadernos se abrem.
Ontem, colei letras no final do dia. A palavra Trêmula se impôs.
Diante de mim está o dia. Caminho alguns passos firmes.
*
A casa é a mesma de paredes brancas. Os sustos são outros.
E a cada momento que me surpreendo, reviro fatos do passado.
Sei que preciso caminhar. Às vezes, dou duzentos passos e deslizo
no silêncio. Mas, na quarta-feira dei mais de três mil.
*
As letras não são iguais nem os sinais dados pela natureza, ou as expressões de rosto
de uma pessoa em momentos de tristeza ou alegria intensa.
Amanhã vamos caminhar novamente. Um outono assim nunca se viu.
Os dias tristes deste mês de junho desdobrados em medo de mais mortes
e contaminações por toda parte.
*
Enquanto o vento silencia e a noite avança, a escuridão
de todo um país segue assustando.
Há algum segredo na política?
Quase tudo se adivinha, bem naturalmente.
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