Poesia sobre a casa

A minha casa corre comigo

de um canto a outro

entre janelas abertas 

e portas a se abrir.

Corre entre meus dedos a casa

que se escreve lenta

e tem um perfume de 

jasmim ou de alecrim.


Sob a sombra da tarde

penetra uma quietude estranha

quando já foi feito muito.

Quando as mãos cansam de agir

e os pés sobre o leito pedem

um afago por mim.


E é ainda no final da tarde mansa

que respiro e leio

leio e penso mais ligeiro,

porque a noite virá nos abraçar

em um sono nem sempre quieto

guiado pelo vento frio invernal.


Devaneios e sonhos avançam

com a força bruta do dia

de tantas notícias tristes, 

bizarramente tristes.

(E bocas abertas clamam

querendo comer).


Rio, 22.06.2021

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em 11.09.2025

Nota triste