Poesia

 Soneto para Kathlen Romeo

 

Kathlen morreu de repente em meio a um tiroteio

No auge da confusão sua avó se jogou no chão

Buscando cobrir com o próprio corpo o de sua neta, grávida

Mas Kathlen já tinha partido dali: ávida

 

Um instante depois a cidade do Rio de Janeiro

Abriu seu lamento aos mortos em tiroteios

Mulheres e crianças não se salvam nestes dias

São frutos colhidos por balas vazias

 

Selvagens, loucos, confusos fuzis

Não embalam nosso céu

Somos nós a gritar alto contra o breu

 

Os governos insanos devastam tanto

Em meio a caminhada sem encanto


De um tempo sem cor sem nada

 

 

Rio de Janeiro, 14.06.2021

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