Diário, 14.01.2022
Morrem casas em Ouro Preto
Para Carlos Drummond de Andrade
Bem vestidas ou pobrezinhas
elas partem em meio à chuva
levadas pelo pó do barro.
Molhadas de antigamente.
E partem as casas sem versos
nem documentação. Saudosas.
Casas cantadas por Drummond.
Desdentadas desaparecem.
Em nuvem: telhados e chão
centenários. Rendas portais
pedrarias no piso em cor.
Correm homens e fios de vozes.
Vestidos moças algodão.
Chora o povo mineiro em vão.
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