Rio de Janeiro, 1.01.2022
Como se fora um começo
Onde é que se constrói o começo?
Será na água fria que corre aqui neste dia em
branco a se fazer?
Será no rosto cheio de marcas que me olha
lento?
O gesto se faz corpo e espaço onde os passos são
ligeiros?
Aqui tão perto da porta o pulso bate surdo.
As mãos salpicadas de força
ainda carregam sonhos e pesadelos.
*
A madeira a lama e as paredes da casa
voaram junto ao rio inundado.
Na Bahia homens e mulheres de mãos dadas
soletram juntos a cidade desnudada.
*
Um poema começa rápido.
Na errância do barro.
Na fenda viva.
Vive um começo.
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