Rio de Janeiro, 7.01.2022

 A chuva e a harpa


Correm lentos pingos nas folhas mangueiras

Molham pensamentos e o duro chão 

Acordam a manhã 

Os dedos tocam teclas negras

E a claridade rápida respinga


O som de uma harpa longe soa

Entre a tristeza e a mão 

um dia antigo: cadeiras leves de palhinha

Uma senhora de pé tinge a tarde

de sinfonia entre amigos


*

Somos - a chuva e eu - um pouco estranhos

Os pingos insistem irados

E depois batem cada vez mais 

Meus ouvidos acordados passeiam

 alamedas raras


Era o ano de 1996

Talvez. E fazia frio

Ouvíamos Bach?


Os movimentos mansos 

 Gordos sons

enchiam todos os espaços 


A senhora idosa tocava 

Aplaudíamos 

(a chuva toca harpa)...



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