Rio de Janeiro, 9.01.2022
Um domingo chuvoso.
O Diário pede linhas a se escrever e a mão
soletra perguntas.
Somos as dúvidas que circulam para
cima e para os lados. Dúvidas que nos
envolvem.
*
O acidente grave ocorrido sobre as águas em
Minas Gerais,
já repetido em imagens televisivas
exaustivamente,
nos deixa chocados com os detalhes:
gritos,
olhares assustados e alienação.
Sabemos a importância da repetição. Sim, desde
Freud e Lacan. Sabemos o quanto a repetição
procura fazer a sua inscrição em nosso
psiquismo. E, sabemos ainda com as afirmações
de Derrida que " a repetição sempre protege,
por neutralizar, distanciando um traumatismo,
e isso é verdade em relação à repetição das
imagens televisionadas".
Elas suspendem o efeito do choque, da tragédia.
*
Assim, a pergunta deste Diário em obra, a
pergunta deste domingo é bem ingênua.
Onde estamos com a cabeça neste momento da
pandemia para acreditar que é possível fazer
turismo?
Turismo que confunde e aliena.
Turismo até a exaustão.
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