Diário, 3.04.2022
Não consigo mais ver as imagens desta guerra tão devastadora. As últimas que vi na TV francesa, não pude crer no que via.
Uma mulher idosa ucraniana gritava diante de corpos de soldados russos carbonizados. Quase blasfemando, falava com os mortos anunciando que permaneceriam ali. Permaneceriam em solo ucraniano.
Não sei dizer o que é mais terrível:
O ódio que nasce nestes momentos cruéis ou a dor diante da falta de tudo.
Diário, o poeta italiano Franco Arminio escreveu algo assim:
Mesmo em dias de guerra, à noite o beijo acontece.
*
Escrevo,
Um afago, um olhar, um alimento quente.
A àgua pura que desce na garganta.
Sim, o beijo acontece.
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