Rio de Janeiro, 14.04.2022

 Poesia brava


(A mão pequena procura escrever neste

 retângulo iluminado. No espaço vazio da

 manhã que começa.)


Na certeza do corte

a palavra resiste 


Alimentada de letras

flui


Horizonte perdido

O corpo arde

O texto se acende: 

rumor de letras


A página respira devagarinho 

E na sombra das mangueiras sobram

pingos d'água


Caminhos novos falam outras línguas

no interior do corpo 


A voz é grave

E os traçados se revigoram


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