Diário, 19.05.2022
Faz frio. Os homens se encolhem com as mãos no bolso ao caminhar. Até os ruídos se reduzem. Não escuto os latidos dos cães dos vizinhos.
Recebi mais uma prova de meu livro Caligrafias, ainda com algumas correções a fazer. Poucas. Na memória, o caderno de caligrafia da infância com as letras desenhadas a lápis no capricho.
Faz frio. As meias têm seu lugar. E saem, rapidamente, das gavetas. Pés aquecidos guardam o calor corpóreo.
Nas calçadas os moradores de rua gemem de frio. Ontem, vi um homem alto e magro arrastando seu colchão no final do Leblon.
Um outro, já conhecido, olhava os buracos no chão como se examinasse os espaços por onde circula. Na beira da estrada todos os homens se parecem. Mas, não, não são iguais.
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