Rio de Janeiro, 2.04.2022
Envelheço
O pensamento, pai de quase tudo
Abre o dia delicado
Enquanto braços mãos e dedos alvoroçados
Não se confundem
Distraída
Comemoro atentos cuidados
E passeios pela casa de paredes altas
Não são estes dias muito suaves
Mas os passos dados lentos
Aprendendo e satisfeitos
Saem em muitas direções
Diante de um mundo em movimento complicado
Sou a mansidão que construí
Em cadernos nascidos de cada viagem
Sofrimentos surpresas estranhas acontecem
Nas letras do mundo
Um bombardeio em Odessa
Ou náufragos de qualquer lugar
Sapatos mofados presos nos armários
Vestidos soltos
E os dias quentes que morrem no pôr do sol
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