Rio de Janeiro, 24.05.2022

 Estranhamento


E corre o Rio neste maio maior

meio sem jeito e com ousadias

Corre escorre sufoca


Morremos poucos ou muitos

e todos os dias

morremos um pouco


E a cidade infernal invernal 

não se pergunta sequer se pode ser 

descrita de forma mais humana


Por aqui corre um Rio indiferente 


*

Lamentos. Delírios 

Entre nós corre de tudo

E longe daqui

onde cortavam trigos

bombas explodem


*

Há um rumor 

de fim de tudo


*

Há homens estranhos

que regressam

entre os rostos de cidades destruídas 


*

E bombas explodem 

na desordem longínqua 

Na desordem da terra


*







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