Poesia de inverno

 A voz chega

e me alcança

em asas altas.

A palavra entra por inteiro.

A rota desconhecida 

e fora de mim no verso

entre pausas respira.

Reconheço

o canto.


Ela vestida de seda

entre sons de cigarras e bambus

enquanto bebe gotas de chuva

anda leve e as mãos tocam echarpes de vento.

Junto ao rio sujo de tudo

os pés não navegam.

Nada mais importa.

Só os deuses e as damas da noite que perfumam o jardim

na forma inesquecível de mais um dia.

 

                                             Para Virginia Woolf



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