Segunda-feira, 21.11.2022
Calor e mar
A pele do corpo
e os pés cansados suam.
Nas redes de ruas do bairro
os ombros balançam.
Em vão no mar um navio
levanta âncora e parte
rumo ao poente.
O espírito das ondas brancas
pergunta: qual o segredo dos ventos?
*
Vai longe a tarde
e em alguns cantos do mundo
buscando a luz da aurora
morrem abelhas e borboletas
entre florestas decapitadas.
Ou sufocados entre peixes e lixos
no fundo do mar desaparecem
os animais mais doces
de braços e cabeças
invertebrados.
*
As conchas mais antigas
as pedras molhadas de sal
e as árvores corais ainda se indagam:
Quem entregou aos homens
o direito de dirigir
a natureza?
*
Quem pensou em separar
o corpo e a alma
da areia fina
ou os quatro cantos da aurora?
*
Das ruas e dos gritos da noite
escuto os homens
Da natureza enigmática
recebo quase tudo.
Em novembro interminável, 2022
Muito bom começar o dia lendo poesia bonita. Obrigada! Bjs
ResponderExcluirE eu agradeço a sua leitura fiel. Beijinhos
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