Gira mundo
A boca e a lingua juntas,
com sabedoria e entusiasmo,
no interior do corpo
somam esforços.
Desprende-se daí um rumor
de memórias: antigas e intensas.
*
As águas dos oceanos
em assimetria sopram longe.
O pássaro azul na folha verde,
o bico-de-lacre na varanda de Guarapari.
Claridades nas linhas das mãos.
A força verbal na ponta dos dedos.
O mundo e o poema juntos.
No prazer de mais uma vez,
o braço sustenta o susto.
*
O erro
dentro do erro
abafado
arranca a força
da luz?
*
Se eu pudesse, se eu fosse uma abelha
Rainha
de cor dourada
escreveria mundos.
Rodando a gramática dos animais
no espaço aberto,
rodando
os começos dos movimentos,
as letras e os planos múltiplos
escreveria cores calores
linhas.
Para Herberto Helder
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