Final de tarde no sofá

Desenho mulheres.

Rabisco objetos. Escrevo versos.

A vida ativa dos dedos de minha mão. 

Mulheres nascem nuas. 

Pernas e dorsos. Seios distintos.

A voz do verso cresce depressa.


Pés alinhados descalços. 

Súplicas. Nuvens pesadas. 

De tarde escrevo pouco.

O sofá de veludo verde

arde na tarde sem cor.

Pingos d'água soam abafados. 


Nua atravesso a vida

em sonhos mansos.

O silêncio anda sempre perto.

O papel e o lápis me embriagam.


Rio de junho, 2023.



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